Blog desativado

Todo o conteúdo deste blog pode ser acessado na página de Notícias do site Porto Maravilha. Inscreva-se para receber boletins semanais com informações sobre a Região Portuária e as transformações na área.
Obrigado!

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em artigos, desenvolvimento, Entrevistas, projetos

No interior da Igreja de São Francisco

Devotos de São Francisco que tiveram fé agora comemoram o início da obra de restauro de uma das igrejas mais antigas do Brasil. A Igreja de São Francisco da Prainha, fechada desde 2004 pela Defesa Civil por problemas de conservação, deverá ficar pronta dentro de oito meses e será entregue à população nos moldes da construção original de 1696. O prédio pertence à Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como monumento artístico.

O Blog do Porto Maravilha visitou o canteiro da obra que começou em setembro e conversou com equipe da Construtora Biapó, contratada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) para executar o restauro. Walter Vilhena Valio, consultor, Bartira Bahia, arquiteta, Sandro Cunha de Oliveira, coordenador da equipe operacional, e Thathiane Heloise de Moraes, arquiteta, explicaram que a restauração manterá as características originais do patrimônio.

Imagem

Os tapumes para proteção da área e do entorno já foram instalados

É muito comum confundir uma reforma de uma restauração. O que difere esses dois processos?

 Bartira: A reforma não tem critérios históricos. Já a restauração é guiada por leis internacionais, chamadas de Cartas, que são publicadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A Carta de Atenas, de 1933, é a primeira delas.

O restauro vai manter as características originais da construção? Como esse processo será desenvolvido?

Walter: O restauro da Igreja de São Francisco da Prainha vai manter as características originais de como a conhecemos hoje. Normalmente os projetos de restauro contemplam diversos estudos de como é a edificação, a história, estilo, materiais e alterações ao longo da vida, os danos e suas causas. Com este conjunto de informações, é possível diagnosticar o estado de conservação e deterioração de cada parte e de cada tipo de material que constituem o imóvel.  Da análise desses dados, elabora-se o projeto de restauração, com desenhos e especificações.  Com o projeto pronto, para cada tipo de material ou serviço empregam-se técnicas e procedimentos compatíveis com os materiais existentes e com as técnicas empregadas na execução original. Assim, fazemos as restaurações das argamassas, dos frisos e adornos em gesso e dos forros em estuque. As tintas para as pinturas também são compatíveis com os materiais das argamassas, normalmente tintas a base de silicatos.

A ordem de início das obras foi no dia 5 de setembro. Quais são as ações iniciais?

Bartira: As ações iniciais são focadas em atividades internas e externas à igreja. Internamente, limpamos os pisos da igreja e higienizamos e catalogamos diversos objetos de propriedade da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. Esses objetos devem ser retirados e entregues ao proprietário na próxima semana e são caracterizados por mesas, bancos, um quadro, armários, confessionário, órgão musical, livros litúrgicos e documentos em papel. Após a retirada desses objetos, os pisos internos serão protegidos. Externamente, faremos a execução de tapumes ao redor do monumento e na Rua Sacadura Cabral. Também temos planejado o registro fotográfico de fachadas e interiores de casas vizinhas à igreja. O registro tem sido uma ação conjunta da Biapó com a equipe de responsabilidade social da Concessionária Porto Novo.

Imagem

Foi necessário escoramento emergencial

Durante os oito meses de obra, quais serão as etapas até a conclusão?

Thatiane: Após a ordem de início e mobilização da equipe, começamos alguns serviços preliminares como proteção dos pisos de ladrilho hidráulico, instalação de tapume de telha galvanizada e tela metálica, que garantirá proteções da área do entorno e da obra, e permeabilidade visual dos transeuntes. Depois desta etapa, daremos início às demolições e retiradas de argamassas de emboço e reboco danificadas, assim como pinturas, remoção de revestimentos comprometidos e não contemplados em projeto, remoção de barrotes, forros e estruturas de madeira danificados do telhado, inclusive telhas. Iniciamos a obra propriamente dita com o escoramento da parede lateral esquerda. Paralelamente, está prevista a execução de uma cobertura provisória. Parte do telhado caiu, e a Igreja vem sofrendo danos provocados pela ação do tempo e intempéries. Com a cobertura provisória e escoramento executados, daremos início aos trabalhos de recuperação dos telhados, alvenarias e revestimentos das fachadas externas e internas, como a recuperação da alvenaria escorada, argamassas de emboço e reboco danificadas, remoção de pintura comprometida, restauração de ornamentos, inclusive ornamentos internos em estuque, acabamentos de pisos e paredes em geral: mármore, cerâmica, madeira, pedra, ladrilho hidráulico entre outros. Instalações elétricas, telefônicas, hidrossanitárias e de combate a incêndio também estão previstos. Por fim, a recuperação das escadas e esquadrias de madeira e metal. O prazo previsto de obras é de 8 meses.

Com história tão antiga e diversas peculiaridades, qual é a maior dificuldade nessa restauração?

Walter: Não temos uma maior ou menor dificuldade nesta obra de restauração. Todos os locais que deverão ser restaurados requerem atenções especiais. Remover só as argamassas de revestimentos que estão degradadas, por exemplo, envolve uma atenção de verificação se a argamassa ao lado está boa e devidamente aderida ao suporte. No caso da alvenaria de pedra das paredes, ao removermos uma área de argamassa, pode aparecer uma fissura na alvenaria, exigindo a verificação do motivo da fissura e restauração dessa área também.

Em um processo de restauração, como o da igreja, os profissionais envolvidos são responsáveis por que funções?

Walter: As obras de restauração costumam ter profissionais em todos os níveis, mas organizamos o quadro de acordo com nosso objetivo. A estrutura básica consiste de um arquiteto residente e um mestre obras que coordena encarregados de cada tipo de serviço, por exemplo, alvenaria, marcenaria, pintura, ou o restaurador dos bens integrados. Cada especialidade tem seus respectivos profissionais, todos eles com anos de experiência em obras de restauro, além dos auxiliares que vão obtendo conhecimento com a prática e depois passam por pequenos cursos teóricos e específicos e seminários internos para melhorar a qualificação. Temos ainda pelo menos mais um arquiteto ou engenheiro civil para fazer a consultoria arquitetônica e estrutural, um técnico em segurança do trabalho, um administrador que cuida da documentação da obra, das compras e dos recursos humanos, um almoxarife e os seguranças e vigias noturnos.

Imagem

No início do processo, os objetos da igreja são higienizados e catalogados

Após as obras, o que deve ser feito para manter a igreja em bom estado de conservação?

Sandro: A Biapó, ao fim dos serviços de restauração, entrega um caderninho, um manual de uso do prédio ao proprietário do edifício. Aqui, como a obra é pequena, acredito que também podemos treinar uma pessoa indicada pelo proprietário sobre como limpar um piso de madeira, um piso de ladrilho hidraúlico, os altares e o que mais for preciso.

Texto e fotos: Yara Lopes
compartilhar-com-amigos-gdretweet1

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Porto Maravilha e Inclusão Socioprodutiva

Alberto Silva, diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), empresa da prefeitura responsável pela operação urbana Porto Maravilha

A Operação Urbana Porto Maravilha é uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro para revitalizar a Região Portuária do Rio de Janeiro e reintegrá-la à cidade. Toda a infraestrutura urbana será reconstruída e modernizada e, com ela, novos edifícios ambientalmente adequados serão construídos. Entretanto, uma cidade não é somente infraestrutura. Edifícios têm sua importância na medida em que representam a memória de um lugar. A cidade é, sobretudo, espaço onde o modo de vida de seu povo acontece. Onde pessoas fazem a sua história.

SONY DSC

Dos 5 milhões de metros quadrados (m²) da Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) do Porto Maravilha, criada pela Lei Complementar Municipal 101/2009, aproximadamente 3,8 de m² compõem a Área de Proteção do Ambiente Cultural dos bairros Saúde, Gamboa e Santo Cristo (Apac Sagas) que inclui os Morros da Conceição, do Livramento, da Providência e do Pinto. Registros apontam que o Sagas emoldura pelo menos 1.500 imóveis de valor histórico e arquitetônico – grande maioria formada por imóveis privados subaproveitados, muitos deles em ruínas.

Da área restante de 1,2 milhão de m², 75% são ocupados por imóveis de órgãos e empresas estatais. A Companhia Docas do Rio de Janeiro (Docas-RJ) é a que detém maior parcela. Também concentra imóveis tombados e/ou preservados. Sobre esta área da AEIU foram acrescidos aproximadamente 4 milhões de m² de potencial de construção distribuídos em 14 setores.

Os recursos para custear o Porto Maravilha saem da venda do potencial de construção adicionado. Pelo menos 3% são destinados à valorização do patrimônio histórico e cultural material e imaterial da região. A Região Portuária é particular pela diversidade que abriga. Seus bairros têm vida própria e são marcados pela dinâmica social, econômica e política do Rio e do Brasil. Lugares que marcam a história do nosso povo desde o início da colonização até sofrer os efeitos da modernização dos portos. Encontro das culturas indígenas, europeia e africana, a área guarda exemplos marcantes da evolução econômica, da cultura e da identidade nacional. Testemunhou ainda algumas das principais lutas por direitos sociais e liberdade.

Todo lugar é um pouco local e global ao mesmo tempo. Na Região Portuária, estas dimensões são ainda mais marcantes. Elementos de um modo de vida local como o samba, por exemplo, ganharam o mundo e se mantêm como característica de um modo de vida que beira o bucólico. Ao mesmo tempo, a ascensão e a decadência da atividade portuária (com seu deslocamento para o Caju) posicionaram a região primeiramente como centro dinâmico do País e, depois, com a ajuda do Elevado da Perimetral, mesmo abrigando importantes órgãos públicos e empresas, a processo de décadas de decadência e abandono. Com isso, atividades econômicas típicas de áreas degradadas passaram a predominar na região enquanto outras, tradicionais, sobreviveram ao longo destas últimas décadas. Proprietários sem perspectiva deixaram imóveis entregues à subutilização e desvalorização.

Ao transformar a Região Portuária, o Porto Maravilha traz o desafio de modernizá-la e preservar a identidade delimitada pelo projeto Sagas, construir edifícios modernos integrados ao rico patrimônio arquitetônico e aumentar a sua população em sintonia aos atuais moradores e usuários. Uma nova dinâmica será gerada. Ao mesmo tempo em que promovemos a renovação da infraestrutura urbana e do novo padrão de ocupação, precisamos preparar as pessoas para novas oportunidades de emprego e negócios, e isso inclui aquelas relacionadas ao patrimônio cultural e artístico que, sem dúvida, contribuem para aumentar a atratividade dos bairros em revitalização.

No momento em que ganha nova função na cidade, a Região Portuária deverá ter as suas dimensões local e global acentuadas. Cumprida a meta de aumentar o número de moradores, o cotidiano de bairro será reforçado.

Atividades econômicas que ocuparão as torres comerciais e hotéis,  equipamentos culturais novos e restaurados vão consolidar a região como expansão do centro do Rio de Janeiro e realçar sua face global. Para dar conta destes desafios, a Lei Complementar 101/2009, que criou a Operação Urbana Porto Maravilha, definiu que o poder público deve desenvolver ações que integrem e promovam o desenvolvimento social e econômico da população que hoje vive na região. A mesma lei estabelece que o patrimônio histórico, artístico e cultural  material e imaterial  da região deve ser recuperado e valorizado.

A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região Portuária (Cdurp) criou os Programas Porto Maravilha Cidadão e Porto Maravilha Cultural para  articular ações do poder público e parcerias com o setor privado no sentido de fomentar e apoiar iniciativas que promovam o desenvolvimento socioeconômico da população  atual e garantam a valorização do seu patrimônio histórico. E, assim, construir uma cidade que respeita sua história e o meio ambiente. A parceria entre a Cdurp e o Sebrae/RJ tem função estratégica neste processo de transformação. A reconstrução da infraestrutura urbana da região segue em ritmo acelerado, a prestação de serviços urbanos melhora a cada dia, e empreendimentos imobiliários começam a ser erguidos. Paralelamente, o investimento para aumentar o capital social dos moradores e comerciantes da região se intensifica.

feira de artesanato(14)

Feira de Artes Porto do Rio em Harmonia

Podemos identificar três grandes processos econômicos que chamaremos aqui de economia das obras, economia dos grandes eventos e economia da nova Região Portuária. A economia das obras se caracteriza por intensiva mão de obra e geração de negócios relacionados à cadeia produtiva da construção civil. Seu ciclo é de grande intensidade, principalmente durante as obras públicas previstas para terminar em 2016, devendo manter alguma importância após este período por conta das construções dos empreendimentos privados.

A economia dos grandes eventos refere-se às oportunidades de curto prazo geradas pelos eventos da cidade e que impactam a região. Embora sejam localizados no tempo, apresentam o potencial de entretenimento e turismo da região.

A economia da nova Região Portuária encontra-se em formação. De fato, as potencialidades são imensas. Com a chegada de grandes edifícios comerciais, hotéis e aumento do número de habitantes, haverá demanda por comércio e serviços dos mais variados. Além disso,  mais de 70 lugares tombados ou preservados conviverão com equipamentos culturais como o Museu de Arte do Rio, o Museu do Amanhã e o Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana (Pedra do Sal,  Cais do Valongo e  Cais da Imperatriz,  Jardim Suspenso do Valongo,  Largo do Depósito e  Centro Cultural José Bonifácio). Juntos, reforçam o potencial para atividades ligadas a cultura, entretenimento e turismo.

Jardim do Valongo Casa da Guarda - Foto Bruno de Lima

Jardim Suspenso do Valongo, restaurado pelo Porto Maravilha Cultural, integra conjunto do Circuito da Herança Africana

Este conjunto de fatores representa um grande universo de oportunidades para geração de emprego e negócios para micro e pequenos empresários. A estratégia do Porto Maravilha consiste em estimular empreendedores que já atuam na região e preparar interessados  para participar da construção deste novo cenário econômico.

O fortalecimento da micro e pequena empresa locais, grandes geradoras de empregos,  desempenha função estratégica, uma vez que boa parte dos comerciantes está lá há décadas. Vários são moradores. Desse modo, apoiá-los é contribuir para que efetivamente se beneficiem e sejam protagonistas do processo de transformação. Mapear oportunidades e contribuir para qualificar a gestão dos negócios para aprimorar e diversificar produtos e mediar o acesso ao crédito são tarefas que encontram respaldo em outra frente: despertar nos agentes econômicos da região a perspectiva da mudança. Após décadas de abandono, muitos já não acreditavam que isso aconteceria.

O que temos visto é um crescente movimento de motivação. A primeira rodada de negócios, a primeira semana do empreendedor e o apoio ao primeiro festival gastronômico dos Morros da Providência e do Pinto encontraram resposta bastante positiva. O número de proprietários da região com novos projetos para seus imóveis eleva a cada dia.

O trabalho está no início e trará muitas lições. O Porto Maravilha é um processo de renovação urbana, de transformação do tecido social onde moradores, seja como trabalhadores ou empreendedores, podem ser protagonistas e se beneficiar da geração e distribuição de riqueza resultante da construção de um espaço que contribui para que o Rio de Janeiro seja cada vez mais uma cidade inclusiva e integrada.

Publicado originalmente em “O PORTO MARAVILHA e os Desafios da Reintegração Econômica da Região na Dinâmica da Cidade”, BOLETIM SEMESTRAL (N º 0 3 | J U L H O D E 2 0 1 3), “Observatório Sebrae-RJ, os pequenos negócios em foco”. Leia o estudo completo

Fotos: Alexandre Bragança (panorâmica) / Divulgação Sebrae (Feira da Harmonia) / Bruno Lima (Jardim Suspenso do Valongo)

compartilhar-com-amigos-gdretweet1

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Entenda o negócio

Há dois anos, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) administrado pela Caixa Econômica Federal arrematava em lote único todos os Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) da operação urbana Porto Maravilha.  A  venda garantiu o início das obras e serviços na Região Portuária por um período de 15 anos. A engenharia financeira não utiliza orçamento do Município do Rio e deu origem à maior Parceria Público-Privada do País. Hoje, com o visível crescimento do setor imobiliário na área, o arremate foi excelente investimento para o FGTS. A conclusão é do gerente Nacional de Fundos Imobiliários da Caixa Econômica Federal, Vitor Hugo Pinto. Em bate-papo com o Blog Porto Maravilha, o executivo esclarece o papel do fundo de garantia no sucesso do Porto Maravilha e explica de forma clara para experts e leigos como funcionam as operações financeiras que envolvem os novos empreendimentos.

Vitor Hugo Pinto, gerente Nacional de Fundos Imobiliários da Caixa

Vitor Hugo Pinto, gerente Nacional de Fundos Imobiliários da Caixa

O FGTS, conta dos trabalhadores formada por depósitos mensais feitos pelos empregadores, é o primeiro investidor dos Cepacs. Muita gente diz que é dinheiro público, embora não seja, porque trata-se de conta administrada por organizações representativas de trabalhadores, empregadores e governo. Qual é o valor desta conta hoje e em que projetos o fundo investe? Valeu a pena?

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi criado em 1967 pelo Governo Federal para proteger o trabalhador demitido sem justa causa. É constituído de contas vinculadas abertas em nome de cada trabalhador. O saldo é formado pelos depósitos mensais do empregador equivalentes a 8% do salário pago ao empregado, que é atualizado mensalmente. Hoje, estimamos o patrimônio do fundo de garantia em R$ 300 bilhões. Esse dinheiro tem que ser rentabilizado para que os contribuintes possam utilizá-lo em diversos momentos de sua vida [aposentadoria, compra da casa própria, retirada em caso de inatividade da conta ou de necessidade de retirada em casa de doença, dentre outros]. Por isso, aplicamos em diversos setores. Por exemplo, a Caixa Econômica é o principal financiador de desenvolvimento imobiliário do País. O banco tem papel importante no apoio a construtoras na edificação de empreendimentos residenciais. Nós subsidiamos o programa  Minha casa, Minha vida. Financiamos pessoas físicas para compra de unidades residenciais e programas de saneamento básico em todo o País. Ou seja, o FGTS tem o que chamamos de “patrimônio líquido”, uma espécie de superávit. Quanto maior o fundo, mais podemos financiar e mais retorno teremos.

Além deste investimento no Porto Maravilha, o FGTS também investe em infraestrutura, na construção de rodovias, portos, hidrovias, ferrovias, obras de energia e de saneamento. É uma grande responsabilidade lidar com esse dinheiro. Os Cepacs foram comprados por R$ 3.508.013.490. E o fundo se compromete a pagar a operação urbana Porto Maravilha por 15 anos, em orçamento de R$ 8 bilhões. De que maneira a Caixa pode garantir que vai rentabilizar esse dinheiro?

O valor nominal de todo estoque de Cepac foi R$ 3,5 bilhões, isso deu um valor inicial de R$ 545 por unidade. O que esperamos é a valorização dos custos, algo que já está acontecendo. Hoje, a unidade do Cepac está valendo mais do que o dobro do que compramos. O que temos no caso do Porto é um ciclo virtuoso. Financiaremos a operação urbana e rentabilizaremos o Fundo. Investimos na revitalização e depois colhemos os frutos.  Não fazemos doação de dinheiro, mas investimento, trabalhando para o retorno e lucro. Nosso modelo de gestão tem o objetivo de rentabilizar o montante desse dinheiro, que é privado, de todos os contribuintes do FGTS.

Empreendimento Porto Atlântico consume mais de 160 mil Cepacs

Empreendimento Porto Atlântico consume mais de 160 mil Cepacs

Hoje, os fundos de investimento imobiliário têm papel fundamental na economia. Qual é o papel do Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha (FIIPM)?

O FIIPM é um veículo de investimentos criado pela Caixa Econômica Federal com recursos do FGTS para participar e investir no processo de revitalização da Região Portuária do Rio de Janeiro. O FIIPM comprou todos os Cepacs em leilão por R$ 3.508.013. Dois anos depois, já temos pré-comercializados cerca de um quarto do estoque de Cepacs.

Como funciona essa negociação? Poderia citar exemplos de empreendimentos já negociados que consomem Cepacs?

No Pátio da Marítima, fechamos parceria com a Tishman Speyer. Outro exemplo é o Porto Atlântico, empreendimento da Odebrecht muito bem sucedido nas vendas; e o Trump Towers Rio, consórcio de investidores estrangeiros.  Todos consomem Cepacs. A Caixa vende o Cepac e os terrenos na Região Portuária ao investidor. O Cepac é exigido segundo o volume de área construída do novo empreendimento. Mas a instituição também trabalha com permuta.

Como funciona esse mecanismo?

A permuta funciona com a troca de um artigo por outro. Nós ainda não monetizamos [ato de transformar bens, metais, títulos, fatos, informações e acontecimentos em dinheiro ] os Cepacs, não o transformamos em dinheiro, mas em outro artigo, como área construída. Acreditamos no desenvolvimento imobiliário da Região e apostamos nela. Na permuta, adquirimos o futuro do Porto, ou seja, parte dos empreendimentos. E trabalhamos com certa flexibilidade. A permuta é uma boa opção também para os incorporadores, pois eles não precisam desembolsar no primeiro momento. Este tem se mostrado o mecanismo mais viável. Nas vendas, usamos mecanismos como o financiamento ou Joint Ventures (parcerias). Tudo em função da facilidade do investimento e do retorno para o FGTS.

Como a Caixa avalia o desenvolvimento imobiliário na Região do Porto?

Prevemos a valorização dos imóveis no Porto. Acreditamos que, no futuro, poderemos comparar a região à Zona Sul. Teremos aqui outro padrão de construção, mais moderno, em área próxima ao Centro e com opções de lazer. Outros bairros do Rio estão supervalorizados e saturados. O Porto é a nova opção para o investidor e para os cariocas.

Texto: Mariana Aimée. / Fotos: Divulgação.

1 comentário

Arquivado em desenvolvimento, Entrevistas, projetos

Trabalho transparente

Imagem

Djalma Gomes, desde de 2011 auditor da Cdurp, diz que a modelagem econômica da empresa agregou conhecimento.

Muita gente não conhece a complexidade que envolve uma empresa pública. A estrutura da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Rio de Janeiro (Cdurp) é ainda mais complexa, porque a instituição trabalha na articulação de órgãos públicos e privados para a implantação da operação urbana Porto Maravilha. A Revista da Controladoria Geral do Município publicou recentemente entrevista com o auditor interno da Cdurp. O papo com Djalma Gomes Filgueira esclarece diversos pontos, e o Blog Porto Maravilha obteve autorização para republicá-lo aqui.

Contador formado pela Faculdade Moraes Junior, Djalma Gomes Filgueira atua na Prefeitura do Rio de Janeiro desde 1982. Em 1993, tornou-se contador concursado da Controladoria Geral do Município (CGM), lotado na Auditoria Geral. Foi auditor interno na Riotur, Comlurb e Instituto Pereira Passos (IPP), chegando ao cargo de auditor geral. Atuou na Secretaria Municipal de Habitação e foi também diretor de Administração e Finanças da Empresa Municipal de Informática – IplanRio. Desde 2011, é o auditor interno da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro – Cdurp.

Como foi a experiência de trabalhar pela primeira vez com contratação por meio da Parceria Público-Privada (PPP)?

Aprendemos muito durante o acompanhamento de todo o processo. Proporcionou-nos familiarização com esse tipo de contratação, já que foi a primeira realizada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, apesar de a lei que regulamenta ser do ano de 2004 (Lei nº10.079/2004). Foi também a maior PPP no Brasil (R$ 8 bilhões) com uma modelagem financeira pioneira no País. Tudo isto nos dá uma boa noção da magnitude da operação. O estudo e o entendimento da legislação aplicável nos deu a possibilidade de agregar valor ao conhecimento.

Como o controle interno analisou a execução dos serviços de revitalização da área do Porto Maravilha?

Nossa análise foi no período de um mês e restringiu-se a verificar a conformidade na execução dos serviços contratados para fase inicial, limitando-se à identificação e seleção dos serviços a ser prestados, passíveis de inspeção física, na fase inicial de implementação da concessão, tais como: exploração da malha viária, manutenção e conservação de rotina e gestão de resíduos sólidos.

A exploração da malha viária abrange que serviços?

Monitoramento de tráfego, comunicação e transmissão de dados, bem como segurança e conforto ao usuário. A fase inicial compreende a adequação de todos os serviços a ser implantados mediante identificação e padronização de procedimentos, assim como treinamento do pessoal envolvido. É necessário também a implantação de um canal de comunicação com os usuários à medida que as áreas passam por intervenções e até a entrega de cada área reurbanizada conforme projeto.

Como auditor, o senhor acompanha obras e serviços nos 5 milhões de metros quadrados da Área de Especial Interesse Urbanístico (Aeiu) da Região Portuária do Rio. Elas estão dentro do cronograma, da previsão orçamentária e em sintonia com as regras de sustentabilidade e respeito ao patrimônio cultural?

Neste trabalho foi possível ver na prática, in loco, aquilo que estava descrito nos documentos de formalização da contratação – Termo de Referência, Edital, Edital do Leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), dentre outros – por exemplo. A percepção do universo contratado (cerca de 5 milhões de metros quadrados) ficou muito mais clara. Verificou-se a necessidade de um acompanhamento mais cauteloso, considerando que as atividades são muito dinâmicas. Uma não conformidade verificada num dia pode não se apresentar no dia seguinte e vice-versa. Há muitos atores envolvidos no universo auditável (moradores, pequenos e grandes comerciantes, transeuntes, turistas etc.) interferindo nas atividades desenvolvidas pela contratada que devem ser considerados antes de se emitir uma opinião quanto ao desempenho daquela, requerendo atenção especial no desenvolvimento da auditoria.

Não obstante, os apontamentos efetuados no presente trabalho em aproximadamente três meses de iniciados os serviços, ressaltamos que foi possível observar melhoria na iluminação e limpeza da região, mais especificamente no entorno da Rodoviária Novo Rio, Avenida Brasil (dentro da área da concessão) e Avenida Francisco Bicalho.

A Cdurp é responsável pela emissão e controle financeiro dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). A expectativa era atrair para a região cerca de R$2,6 bilhões, dinheiro arrecadado com a venda dos Cepacs. Isto está ocorrendo?

Na verdade, a expectativa foi superada, pois os Cepacs foram vendidos ao preço de R$ 545,00 cada, quando o valor inicial de R$ 400,00, ou seja, entre o seu lançamento pela Prefeitura do Rio e o leilão de venda, houve uma valorização de aproximadamente 36%. Com isso o valor arrecadado foi da ordem de R$ 3,5 bilhões.

Como avalia as etapas do projeto já cumpridas?

O projeto é muito grande, a área a ser revitalizada gira em torno de 5 milhões de metros quadrados e tem dois momentos: um já realizado pela própria Prefeitura, que investiu cerca de R$ 300 milhões na área; e o outro que compreende a maior parte será com a PPP. Esta última, no momento de nosso trabalho ainda não havia etapa definitivamente concluída. Poderíamos, por exemplo, dizer que para se começar uma obra pelo menos o projeto já deva estar pronto. Entretanto, na revitalização do Porto temos um projeto macro, e dentro dele vários outros que vão sendo desenvolvidos à medida que a obra vai avançando.

Assim, canteiros de obras são abertos, sondagens de terrenos para desenvolvimento de projetos construtivos continuam em elaboração, ou seja, a obra está ainda no início e tudo acontece ao mesmo tempo. Como são 5 anos de obras, os resultados só começam a aparecer após algum tempo.

Na sua visão de auditor, como avalia a articulação do poder público com os demais órgãos públicos e privados?

Pelo que observo na empresa, essa articulação é constante, quase que “24 horas por dia”. Vemos os colaboradores da empresa da área de negócios até o presidente em reuniões constantes para a solução de problemas. Diríamos que eles têm uma agenda muito pesada, sempre com o objetivo de dar celeridade à execução do projeto para que o cronograma da execução não seja prejudicado e comprometa a conclusão da obra no tempo esperado.

1 comentário

Arquivado em Uncategorized

Novas formas de fazer Arte

Com apenas dois meses e com média de 2 mil visitantes por dia, o Museu de Arte do Rio (MAR) confirma papel de vanguarda na história da cidade, não só pelo seu importante e diversificado conteúdo expositivo, mas por uma movimentada rotina de palestras, cursos, oficinas, seminários e atividades. Com programação disposta a aliar arte, cidade e educação, a agenda para os próximos meses será extensa, mantendo o ritmo desde a inauguração, confirma Luiz Fernando de Almeida, diretor-executivo do museu em bate-papo com o Blog Porto Maravilha.

Luiz Fernando de Almeida aponta a importância do MAR para o ensino

Luiz Fernando de Almeida aponta a importância do MAR para o ensino

O Museu de Arte do Rio inaugurou no dia 1º de março. Qual é o balanço de dois meses de portas abertas?

Tudo faz parte do processo de consolidação do museu no circuito cultural da cidade. Com dois meses de funcionamento, registramos marca de 2 mil visitantes por dia, cerca de 100 mil em dois meses. Mas isso são apenas números e não mostram nossa essência. Trabalhamos para que o MAR se torne local de encontro, troca de experiências e informações.

O MAR não se restringe às exposições, mas mantém programação voltada ao público em geral e meio acadêmico…

Existe uma visão muito antiquada de museus, como se fossem apenas espaços de exposições e apreciação de obras de arte. Esses espaços têm importante missão social, não só de guarda de acervo, mas de promoção da educação. Na experiência do Museu de Arte do Rio, oferecemos a proposta completa. Colecionamos, expomos e discutimos. Por isso, temos a Escola do Olhar como ação social, no intuito de ajudar na Rede de Ensino Público.

Na Oficina Morrinho, visitantes do museu participaram da construção da maquete

Na Oficina Morrinho, visitantes do museu participaram da construção da maquete

De que maneira o Museu divide espaço com a Rede Pública de Ensino?

Neste sábado, 11 de maio, vamos iniciar o curso de formação para professores “Rio, Uma Cidade em Construção” com o objetivo de mostrar aos educadores como aliar nossas exposições ao conteúdo disciplinar das escolas. Na nossa proposta, a visita ao museu deixa de ser atividade extracurricular, e as exposições passam a ilustrar e servir como reflexão sobre o conteúdo das aulas. Preparamos um material pedagógico especial para mostrar como esses dois mundos podem dialogar e ajudar o educador a construir uma ponte entre as disciplinas e o museu.

Quais são os próximos passos do MAR no campo didático?

Temos o projeto MAR na Academia. Nele, estabelecemos ligação com a estrutura de educação das universidades e tornamos o museu espaço para discussões sobre formação e fundamentos das artes com as próprias exposições. Vamos começar com “Histórias de Fantasmas para Gente Grande”, uma série de conferências com Georges Didi-Huberman. Seguimos com o simpósio internacional “Imagens, Sintomas, Anacronismos” de Arno Gisinger e Georges Didi-Huberman e publicação de livros de Aby Warbug, Philippe-Alain Michaud e Didi-Huberman.  Estamos produzindo também eventos abertos à população. No segundo semestre, vamos abrir dois cursos livres, “História da Cidade” e “História da Arte”, e o programa “Pensamento e Debate”, de reflexões sobre as exposições em cartaz.

Como o MAR trabalha com os outros equipamentos culturais da Região Portuária?

Nosso papel é o de ajudar e apoiar movimentos culturais genuínos da região. Somos mais um espaço de difusão de cultura e aprendizado. Temos relação de igualdade com as dinâmicas culturais que existem no Porto.

Quais são as expectativas do convívio com o novo Museu do Amanhã, em construção no Píer Mauá?

Será instigante conviver com um museu de tecnologia. Já temos a expectativa de interação muito grande por conta de nossa proximidade. Os dois são espaços culturais, marcos da revitalização da Região Portuária. O pensamento conservador sobre um museu é o de trabalhar com o passado, e o Museu do Amanhã é exatamente o oposto. Esta nova proposta e parceria têm tudo para dar certo.

Texto: Mariana Aimée / Fotos: Mariana Aimée e divulgação.

Deixe um comentário

Arquivado em desenvolvimento, Entrevistas, projetos

Negócios fortes

Para incentivar o fortalecimento dos empreendimentos da Região Portuária, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) lançaram no dia 10 de abril edital para seleção de 100 negócios populares locais que passarão a contar com apoio e consultoria  gratuita. O processo é desenvolvido em parceria com a Incubadora de Empreendimentos Populares, parte da Incubadora Afro Brasileira que atua na área há 7 anos. Até agora, 206 pessoas ou instituições se inscreveram. Os interessados têm até a próxima sexta-feira, dia 10 de maio, para se candidatar à vaga. Podem participar empreendimentos das áreas de comércio, serviço e indústria. O Blog Porto Maravilha visitou a incubadora e conversou com o diretor-executivo, Giovanni Harvey e a gerente Paula Janaina. Eles detalharam as etapas do processo de seleção, os planos de negócio e executivo projetados para um ano de trabalho conjunto.

Paula e Giovanni recebem inscrições até 10 de maio

Paula e Giovanni recebem inscrições até 10 de maio

A iniciativa é resultado do convênio entre Cdurp e Sebrae para atendimento ao micro e pequeno empreendedor da Região Portuária. Como surgiu a parceria com a Incubadora Afro Brasileira?

Giovanni – Nossa sede fica na Região Portuária e, por isso, estamos familiarizados com a área. O Sebrae acreditou na experiência que temos, resultado de trabalhos anteriores, e nos convidou a atuar em parceria. Decidimos que para esse edital seria mais adequado usar a marca da Incubadora de Empreendimentos Populares. Ela tem a mesma metodologia da incubadora Afro Brasileira, só que aplicada ao desenvolvimento local. Com o objetivo de desenvolver negócios na região, uma incubadora focada em território é mais apropriada. Apesar de a área ter uma matiz africana importante, não poderíamos restringir à marca da Afro.

No dia a dia, quais são os clientes atendidos por vocês?

Giovanni – Não transformamos ninguém em empreendedor. Oferecemos a quem já é formação em gestão, consultoria, assistência logística e assistência técnica. A incubadora não é um curso. Isso seria reduzir a preparação das pessoas ao ambiente empresarial. Contemplamos com formação e criação de plano de negócios. Analisamos empreendimento, clientela, produto, expectativas e como agregar valor ao produto. Não cobramos nada porque nosso público não está acostumado a pagar por esse tipo de serviço. Infelizmente, isso ainda não é visto como uma política pública, como deveria ser.

Com serviços oferecidos gratuitamente, como a instituição consegue se manter?

Giovanni – Nós nos mantemos com a ajuda de colaboradores. Quem nos deu o primeiro apoio foi a Inter American Foundation. Depois, enviamos projeto para a Petrobras e fomos contemplados. Estamos inclusos no Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania. Agora, também temos a Cdurp e o Sebrae como parceiros. Assim, abrimos editais e impulsionamos novos negócios.

A região atrai cada vez mais investidores. Quem é mais indicado a participar?

Paula – O edital é voltado ao desenvolvimento da Região Portuária, parte de convênio entre Sebrae/RJ e Cdurp. Não aceitamos incubar por esse edital empreendedores de outros territórios. Queremos garantir a permanência e desenvolvimento dos que já estão aqui. Estamos voltados a empreendimentos comerciais e de serviços. Mas é bom lembrar que ao falar em serviços estão inclusas manifestações culturais e entretenimento.

Qual é o critério de avaliação e seleção?

Giovanni – O processo seletivo será em quatro etapas. A inscrição é a primeira. Podemos receber documentação até três vezes o número de vagas disponíveis. Depois, chamamos os candidatos para a entrevista social, momento em que conhecemos de verdade cada negócio, sabemos dos detalhes, tudo o que não fica explícito na ficha de inscrição. A terceira etapa é a dinâmica de grupo. Por último, temos a análise do negócio. A metodologia funciona bem. A incubadora já selecionou em editais anteriores mais de 1.500 empreendimentos.

O pacote de serviços de apoio e consultoria tem duração de um ano. O que os empreendedores vão encontrar durante o período?

Paula – Nós nos reuniremos com o empreendedor uma vez por semana, por um período de quatro horas para construir o plano de negócios. Formar isso faz parte da pré-incubação. Significa colocar no papel as características do empreendimento. Eles não precisam montar tudo de uma vez, o processo é de construção em sete módulos. Paralelamente, damos consultoria especializada. É possível marcar horário e trazer, por exemplo, questões que não estão funcionando para nosso analista ajudar na solução. Tudo em conjunto e observando as peculiaridades de cada um. No início, as turmas de 25 pessoas são compostas seguindo diretrizes pedagógicas para criar uma multiplicidade. Depois disso, no plano executivo, são organizados por setor.

Giovanni explica como criar um plano de negócios

Giovanni explica como criar um plano de negócios

Vocês já trabalham na área e conhecem a realidade . Qual é a importância do edital?

Giovanni – A região está crescendo, e os empreendimentos locais precisam se adaptar à nova realidade. A estratégia é fortalecer esses negócios para que eles não desapareçam com as transformações. É certo que devemos preservá-los, mas não de maneira paternalista. Precisam ser dotados de ferramentas que os tornem competitivos. Os novos visitantes, atraídos por grandes equipamentos, como o Museu de Arte do Rio, estão muitas vezes acostumados com um padrão de qualidade alto. Precisamos oferecer esse padrão aqui. Sabemos que nem todo mundo pode ter um negócio, mas é ainda mais difícil conseguir sem acesso à informação.

Paula – O que as pessoas daqui precisam é de apoio. Eles não tinham acesso a esse tipo de serviço e, agora, já enxergam a importância dele. É muito gratificante ver um empreendedor que antes não se enxergava como tal chegar a um lugar e falar de seu negócio entendendo o espaço que ocupa na economia.

Após o período de consultoria, o que vocês esperam?  

Giovanni – Aumento da qualidade dos produtos e serviços oferecidos e da produtividade. Melhor posicionamento do produto e, consequentemente, aumento da competitividade. Isso significa produzir mais, com menos esforço e mais qualidade. Assim, as empresas poderão concorrer em condições mais favoráveis com as que são atraídas pela revitalização.

Texto e fotos: Yara Lopes

1 comentário

Arquivado em desenvolvimento, Entrevistas, projetos