Arquivo da categoria: Entrevistas

Blog desativado

Todo o conteúdo deste blog pode ser acessado na página de Notícias do site Porto Maravilha. Inscreva-se para receber boletins semanais com informações sobre a Região Portuária e as transformações na área.
Obrigado!

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em artigos, desenvolvimento, Entrevistas, projetos

Entenda o negócio

Há dois anos, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) administrado pela Caixa Econômica Federal arrematava em lote único todos os Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) da operação urbana Porto Maravilha.  A  venda garantiu o início das obras e serviços na Região Portuária por um período de 15 anos. A engenharia financeira não utiliza orçamento do Município do Rio e deu origem à maior Parceria Público-Privada do País. Hoje, com o visível crescimento do setor imobiliário na área, o arremate foi excelente investimento para o FGTS. A conclusão é do gerente Nacional de Fundos Imobiliários da Caixa Econômica Federal, Vitor Hugo Pinto. Em bate-papo com o Blog Porto Maravilha, o executivo esclarece o papel do fundo de garantia no sucesso do Porto Maravilha e explica de forma clara para experts e leigos como funcionam as operações financeiras que envolvem os novos empreendimentos.

Vitor Hugo Pinto, gerente Nacional de Fundos Imobiliários da Caixa

Vitor Hugo Pinto, gerente Nacional de Fundos Imobiliários da Caixa

O FGTS, conta dos trabalhadores formada por depósitos mensais feitos pelos empregadores, é o primeiro investidor dos Cepacs. Muita gente diz que é dinheiro público, embora não seja, porque trata-se de conta administrada por organizações representativas de trabalhadores, empregadores e governo. Qual é o valor desta conta hoje e em que projetos o fundo investe? Valeu a pena?

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi criado em 1967 pelo Governo Federal para proteger o trabalhador demitido sem justa causa. É constituído de contas vinculadas abertas em nome de cada trabalhador. O saldo é formado pelos depósitos mensais do empregador equivalentes a 8% do salário pago ao empregado, que é atualizado mensalmente. Hoje, estimamos o patrimônio do fundo de garantia em R$ 300 bilhões. Esse dinheiro tem que ser rentabilizado para que os contribuintes possam utilizá-lo em diversos momentos de sua vida [aposentadoria, compra da casa própria, retirada em caso de inatividade da conta ou de necessidade de retirada em casa de doença, dentre outros]. Por isso, aplicamos em diversos setores. Por exemplo, a Caixa Econômica é o principal financiador de desenvolvimento imobiliário do País. O banco tem papel importante no apoio a construtoras na edificação de empreendimentos residenciais. Nós subsidiamos o programa  Minha casa, Minha vida. Financiamos pessoas físicas para compra de unidades residenciais e programas de saneamento básico em todo o País. Ou seja, o FGTS tem o que chamamos de “patrimônio líquido”, uma espécie de superávit. Quanto maior o fundo, mais podemos financiar e mais retorno teremos.

Além deste investimento no Porto Maravilha, o FGTS também investe em infraestrutura, na construção de rodovias, portos, hidrovias, ferrovias, obras de energia e de saneamento. É uma grande responsabilidade lidar com esse dinheiro. Os Cepacs foram comprados por R$ 3.508.013.490. E o fundo se compromete a pagar a operação urbana Porto Maravilha por 15 anos, em orçamento de R$ 8 bilhões. De que maneira a Caixa pode garantir que vai rentabilizar esse dinheiro?

O valor nominal de todo estoque de Cepac foi R$ 3,5 bilhões, isso deu um valor inicial de R$ 545 por unidade. O que esperamos é a valorização dos custos, algo que já está acontecendo. Hoje, a unidade do Cepac está valendo mais do que o dobro do que compramos. O que temos no caso do Porto é um ciclo virtuoso. Financiaremos a operação urbana e rentabilizaremos o Fundo. Investimos na revitalização e depois colhemos os frutos.  Não fazemos doação de dinheiro, mas investimento, trabalhando para o retorno e lucro. Nosso modelo de gestão tem o objetivo de rentabilizar o montante desse dinheiro, que é privado, de todos os contribuintes do FGTS.

Empreendimento Porto Atlântico consume mais de 160 mil Cepacs

Empreendimento Porto Atlântico consume mais de 160 mil Cepacs

Hoje, os fundos de investimento imobiliário têm papel fundamental na economia. Qual é o papel do Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha (FIIPM)?

O FIIPM é um veículo de investimentos criado pela Caixa Econômica Federal com recursos do FGTS para participar e investir no processo de revitalização da Região Portuária do Rio de Janeiro. O FIIPM comprou todos os Cepacs em leilão por R$ 3.508.013. Dois anos depois, já temos pré-comercializados cerca de um quarto do estoque de Cepacs.

Como funciona essa negociação? Poderia citar exemplos de empreendimentos já negociados que consomem Cepacs?

No Pátio da Marítima, fechamos parceria com a Tishman Speyer. Outro exemplo é o Porto Atlântico, empreendimento da Odebrecht muito bem sucedido nas vendas; e o Trump Towers Rio, consórcio de investidores estrangeiros.  Todos consomem Cepacs. A Caixa vende o Cepac e os terrenos na Região Portuária ao investidor. O Cepac é exigido segundo o volume de área construída do novo empreendimento. Mas a instituição também trabalha com permuta.

Como funciona esse mecanismo?

A permuta funciona com a troca de um artigo por outro. Nós ainda não monetizamos [ato de transformar bens, metais, títulos, fatos, informações e acontecimentos em dinheiro ] os Cepacs, não o transformamos em dinheiro, mas em outro artigo, como área construída. Acreditamos no desenvolvimento imobiliário da Região e apostamos nela. Na permuta, adquirimos o futuro do Porto, ou seja, parte dos empreendimentos. E trabalhamos com certa flexibilidade. A permuta é uma boa opção também para os incorporadores, pois eles não precisam desembolsar no primeiro momento. Este tem se mostrado o mecanismo mais viável. Nas vendas, usamos mecanismos como o financiamento ou Joint Ventures (parcerias). Tudo em função da facilidade do investimento e do retorno para o FGTS.

Como a Caixa avalia o desenvolvimento imobiliário na Região do Porto?

Prevemos a valorização dos imóveis no Porto. Acreditamos que, no futuro, poderemos comparar a região à Zona Sul. Teremos aqui outro padrão de construção, mais moderno, em área próxima ao Centro e com opções de lazer. Outros bairros do Rio estão supervalorizados e saturados. O Porto é a nova opção para o investidor e para os cariocas.

Texto: Mariana Aimée. / Fotos: Divulgação.

1 comentário

Arquivado em desenvolvimento, Entrevistas, projetos

Novas formas de fazer Arte

Com apenas dois meses e com média de 2 mil visitantes por dia, o Museu de Arte do Rio (MAR) confirma papel de vanguarda na história da cidade, não só pelo seu importante e diversificado conteúdo expositivo, mas por uma movimentada rotina de palestras, cursos, oficinas, seminários e atividades. Com programação disposta a aliar arte, cidade e educação, a agenda para os próximos meses será extensa, mantendo o ritmo desde a inauguração, confirma Luiz Fernando de Almeida, diretor-executivo do museu em bate-papo com o Blog Porto Maravilha.

Luiz Fernando de Almeida aponta a importância do MAR para o ensino

Luiz Fernando de Almeida aponta a importância do MAR para o ensino

O Museu de Arte do Rio inaugurou no dia 1º de março. Qual é o balanço de dois meses de portas abertas?

Tudo faz parte do processo de consolidação do museu no circuito cultural da cidade. Com dois meses de funcionamento, registramos marca de 2 mil visitantes por dia, cerca de 100 mil em dois meses. Mas isso são apenas números e não mostram nossa essência. Trabalhamos para que o MAR se torne local de encontro, troca de experiências e informações.

O MAR não se restringe às exposições, mas mantém programação voltada ao público em geral e meio acadêmico…

Existe uma visão muito antiquada de museus, como se fossem apenas espaços de exposições e apreciação de obras de arte. Esses espaços têm importante missão social, não só de guarda de acervo, mas de promoção da educação. Na experiência do Museu de Arte do Rio, oferecemos a proposta completa. Colecionamos, expomos e discutimos. Por isso, temos a Escola do Olhar como ação social, no intuito de ajudar na Rede de Ensino Público.

Na Oficina Morrinho, visitantes do museu participaram da construção da maquete

Na Oficina Morrinho, visitantes do museu participaram da construção da maquete

De que maneira o Museu divide espaço com a Rede Pública de Ensino?

Neste sábado, 11 de maio, vamos iniciar o curso de formação para professores “Rio, Uma Cidade em Construção” com o objetivo de mostrar aos educadores como aliar nossas exposições ao conteúdo disciplinar das escolas. Na nossa proposta, a visita ao museu deixa de ser atividade extracurricular, e as exposições passam a ilustrar e servir como reflexão sobre o conteúdo das aulas. Preparamos um material pedagógico especial para mostrar como esses dois mundos podem dialogar e ajudar o educador a construir uma ponte entre as disciplinas e o museu.

Quais são os próximos passos do MAR no campo didático?

Temos o projeto MAR na Academia. Nele, estabelecemos ligação com a estrutura de educação das universidades e tornamos o museu espaço para discussões sobre formação e fundamentos das artes com as próprias exposições. Vamos começar com “Histórias de Fantasmas para Gente Grande”, uma série de conferências com Georges Didi-Huberman. Seguimos com o simpósio internacional “Imagens, Sintomas, Anacronismos” de Arno Gisinger e Georges Didi-Huberman e publicação de livros de Aby Warbug, Philippe-Alain Michaud e Didi-Huberman.  Estamos produzindo também eventos abertos à população. No segundo semestre, vamos abrir dois cursos livres, “História da Cidade” e “História da Arte”, e o programa “Pensamento e Debate”, de reflexões sobre as exposições em cartaz.

Como o MAR trabalha com os outros equipamentos culturais da Região Portuária?

Nosso papel é o de ajudar e apoiar movimentos culturais genuínos da região. Somos mais um espaço de difusão de cultura e aprendizado. Temos relação de igualdade com as dinâmicas culturais que existem no Porto.

Quais são as expectativas do convívio com o novo Museu do Amanhã, em construção no Píer Mauá?

Será instigante conviver com um museu de tecnologia. Já temos a expectativa de interação muito grande por conta de nossa proximidade. Os dois são espaços culturais, marcos da revitalização da Região Portuária. O pensamento conservador sobre um museu é o de trabalhar com o passado, e o Museu do Amanhã é exatamente o oposto. Esta nova proposta e parceria têm tudo para dar certo.

Texto: Mariana Aimée / Fotos: Mariana Aimée e divulgação.

Deixe um comentário

Arquivado em desenvolvimento, Entrevistas, projetos

Negócios fortes

Para incentivar o fortalecimento dos empreendimentos da Região Portuária, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) lançaram no dia 10 de abril edital para seleção de 100 negócios populares locais que passarão a contar com apoio e consultoria  gratuita. O processo é desenvolvido em parceria com a Incubadora de Empreendimentos Populares, parte da Incubadora Afro Brasileira que atua na área há 7 anos. Até agora, 206 pessoas ou instituições se inscreveram. Os interessados têm até a próxima sexta-feira, dia 10 de maio, para se candidatar à vaga. Podem participar empreendimentos das áreas de comércio, serviço e indústria. O Blog Porto Maravilha visitou a incubadora e conversou com o diretor-executivo, Giovanni Harvey e a gerente Paula Janaina. Eles detalharam as etapas do processo de seleção, os planos de negócio e executivo projetados para um ano de trabalho conjunto.

Paula e Giovanni recebem inscrições até 10 de maio

Paula e Giovanni recebem inscrições até 10 de maio

A iniciativa é resultado do convênio entre Cdurp e Sebrae para atendimento ao micro e pequeno empreendedor da Região Portuária. Como surgiu a parceria com a Incubadora Afro Brasileira?

Giovanni – Nossa sede fica na Região Portuária e, por isso, estamos familiarizados com a área. O Sebrae acreditou na experiência que temos, resultado de trabalhos anteriores, e nos convidou a atuar em parceria. Decidimos que para esse edital seria mais adequado usar a marca da Incubadora de Empreendimentos Populares. Ela tem a mesma metodologia da incubadora Afro Brasileira, só que aplicada ao desenvolvimento local. Com o objetivo de desenvolver negócios na região, uma incubadora focada em território é mais apropriada. Apesar de a área ter uma matiz africana importante, não poderíamos restringir à marca da Afro.

No dia a dia, quais são os clientes atendidos por vocês?

Giovanni – Não transformamos ninguém em empreendedor. Oferecemos a quem já é formação em gestão, consultoria, assistência logística e assistência técnica. A incubadora não é um curso. Isso seria reduzir a preparação das pessoas ao ambiente empresarial. Contemplamos com formação e criação de plano de negócios. Analisamos empreendimento, clientela, produto, expectativas e como agregar valor ao produto. Não cobramos nada porque nosso público não está acostumado a pagar por esse tipo de serviço. Infelizmente, isso ainda não é visto como uma política pública, como deveria ser.

Com serviços oferecidos gratuitamente, como a instituição consegue se manter?

Giovanni – Nós nos mantemos com a ajuda de colaboradores. Quem nos deu o primeiro apoio foi a Inter American Foundation. Depois, enviamos projeto para a Petrobras e fomos contemplados. Estamos inclusos no Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania. Agora, também temos a Cdurp e o Sebrae como parceiros. Assim, abrimos editais e impulsionamos novos negócios.

A região atrai cada vez mais investidores. Quem é mais indicado a participar?

Paula – O edital é voltado ao desenvolvimento da Região Portuária, parte de convênio entre Sebrae/RJ e Cdurp. Não aceitamos incubar por esse edital empreendedores de outros territórios. Queremos garantir a permanência e desenvolvimento dos que já estão aqui. Estamos voltados a empreendimentos comerciais e de serviços. Mas é bom lembrar que ao falar em serviços estão inclusas manifestações culturais e entretenimento.

Qual é o critério de avaliação e seleção?

Giovanni – O processo seletivo será em quatro etapas. A inscrição é a primeira. Podemos receber documentação até três vezes o número de vagas disponíveis. Depois, chamamos os candidatos para a entrevista social, momento em que conhecemos de verdade cada negócio, sabemos dos detalhes, tudo o que não fica explícito na ficha de inscrição. A terceira etapa é a dinâmica de grupo. Por último, temos a análise do negócio. A metodologia funciona bem. A incubadora já selecionou em editais anteriores mais de 1.500 empreendimentos.

O pacote de serviços de apoio e consultoria tem duração de um ano. O que os empreendedores vão encontrar durante o período?

Paula – Nós nos reuniremos com o empreendedor uma vez por semana, por um período de quatro horas para construir o plano de negócios. Formar isso faz parte da pré-incubação. Significa colocar no papel as características do empreendimento. Eles não precisam montar tudo de uma vez, o processo é de construção em sete módulos. Paralelamente, damos consultoria especializada. É possível marcar horário e trazer, por exemplo, questões que não estão funcionando para nosso analista ajudar na solução. Tudo em conjunto e observando as peculiaridades de cada um. No início, as turmas de 25 pessoas são compostas seguindo diretrizes pedagógicas para criar uma multiplicidade. Depois disso, no plano executivo, são organizados por setor.

Giovanni explica como criar um plano de negócios

Giovanni explica como criar um plano de negócios

Vocês já trabalham na área e conhecem a realidade . Qual é a importância do edital?

Giovanni – A região está crescendo, e os empreendimentos locais precisam se adaptar à nova realidade. A estratégia é fortalecer esses negócios para que eles não desapareçam com as transformações. É certo que devemos preservá-los, mas não de maneira paternalista. Precisam ser dotados de ferramentas que os tornem competitivos. Os novos visitantes, atraídos por grandes equipamentos, como o Museu de Arte do Rio, estão muitas vezes acostumados com um padrão de qualidade alto. Precisamos oferecer esse padrão aqui. Sabemos que nem todo mundo pode ter um negócio, mas é ainda mais difícil conseguir sem acesso à informação.

Paula – O que as pessoas daqui precisam é de apoio. Eles não tinham acesso a esse tipo de serviço e, agora, já enxergam a importância dele. É muito gratificante ver um empreendedor que antes não se enxergava como tal chegar a um lugar e falar de seu negócio entendendo o espaço que ocupa na economia.

Após o período de consultoria, o que vocês esperam?  

Giovanni – Aumento da qualidade dos produtos e serviços oferecidos e da produtividade. Melhor posicionamento do produto e, consequentemente, aumento da competitividade. Isso significa produzir mais, com menos esforço e mais qualidade. Assim, as empresas poderão concorrer em condições mais favoráveis com as que são atraídas pela revitalização.

Texto e fotos: Yara Lopes

1 comentário

Arquivado em desenvolvimento, Entrevistas, projetos

Festa Com o Domínio de Jorge lança ComDomínio Cultural

Manifestações culturais de diferentes grupos movimentaram a Praça da Harmonia, Gamboa, no Dia de São Jorge, 23 de abril. A festa “Com o Domínio de Jorge” marcou o lançamento do ComDomínio Cultural da Região Portuária do Rio de Janeiro. Para o coletivo, que iniciou com 23 integrantes, a nova dinâmica da região atraiu mais produtores culturais interessados em espaços para criação e exposição de seus trabalhos. O Blog Porto Maravilha conversou com Lígia Veiga, diretora da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, uma das signatárias. O grupo nasceu em São Paulo há 32 anos e veio para o Rio há seis. Seus espetáculos de rua chamam atenção pela presença de artistas em pernas de pau. Com sede na Rua Pedro Ernesto 21,  oferece oficinas de dança nas alturas, costura e estandartes. Lígia conta que, a partir de agora, o ComDomínio vai promover uma festa todo mês em um espaço público da região com a participação de todos os integrantes do coletivo.

Roda de capoeira com Mestre Graúna foi uma das atrações da festa

Roda de capoeira com Mestre Graúna foi uma das atrações da festa

Como surgiu a ideia de formar o ComDomínio?

Queríamos criar uma rede para garantir políticas públicas e fortalecer nossas atividades na região. Entramos em contato com a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) para mostrar nosso plano de trabalho conjunto e montar um calendário anual de eventos. A ideia foi bem recebida e incentivada. Afinal, é mais fácil dialogar e formar parcerias com um coletivo bem organizado. Começamos a trabalhar no fim do ano passado. Lançar o ComDomínio no dia de São Jorge tem grande significado.

Hoje participam 23 signatários. Quem organizou o grupo?

Começamos com a reunião de amigos do Afoxé Filhos de Gandhi, Bloco Escravos da Mauá, Casa Amarela, Centro Cultural Ação e da Cidadania, Feira de Artes Porto do Rio em Harmonia, Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos, Instituto FIM e nós, da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades. Depois chamamos pessoas com trabalhos semelhantes.  São propostas diferentes, mas temos em comum o amor à arte e a vontade de fazer uma coisa boa na Região Portuária.

A partir de agora, quem responde pelo ComDomínio?

Não somos uma empresa e nem queremos ser. Nós nos organizamos de maneira horizontal. Qualquer um de nós pode responder às questões que aparecerem, e elas serão levadas ao conhecimento dos outros em reunião. Toda semana nos reunimos para conversar, planejar e acertar detalhes.

Cortejo Triunfo de São Jorge atraiu espectadores  do MAR à Praça da Harmonia

Cortejo Triunfo de São Jorge atraiu espectadores do MAR à Praça da Harmonia

Por que foi relevante para vocês formarem um coletivo?

Acredito que todos os participantes sabiam da necessidade desse instrumento, do grupo. Trabalho com teatro e enxergo a força da coletividade. De alguma forma, um precisa do outro. Pode ser com apoio, espaço físico ou ideias. No dia 25 de julho de 2012, fizemos uma festa com música, dança e apresentação do espetáculo “O Dia Fora do Tempo”. Foi uma prévia do que estava por vir. Com o tempo, nós nos unimos e levamos a ideia para a frente de verdade, “oficializamos” esse projeto.

Como foi a reação dos moradores ao evento?

As ruas ficaram muito movimentadas, e as pessoas se envolveram. Os bares e restaurantes estavam cheios. Rodamos panfletos e cartazes nas gráficas da vizinhança. Queremos que o dinheiro circule por aqui. No caso da Cia de Mystérios, quando apresentávamos nossas peças nas ruas, poucos moradores vinham. Esse movimento tem crescido e hoje a participação é bem maior.

Quais atrações o público pôde curtir no dia do lançamento?

Iniciamos em um cortejo lindo, com todos os condôminos e a presença de muitos moradores. Saímos do MAR às 10h, passamos pela Rua Sacadura Cabral e nos concentramos na Praça da Harmonia. Depois do Caldo de Pinto do Instituto Pretos Novos, a programação foi intensa até o fim do dia: Saga de Jorge com a Companhia de Mystérios, Roda de Capoeira com o Mestre Graúna, Tambor de Crioula com as Mariocas, Vozes do Cais com o Coletivo Utensílios Domésticos, Conexão Carioca de Rodas na Rua e Roda de Samba com os Teimosos da Gamboa… Bonito e muito emocionante.

O ComDomínio promoverá um evento com os 23 integrantes todo mês

O ComDomínio promoverá um evento com  participação dos 23 integrantes todo mês

Como coletivo cultural, que atividades o grupo pretende desenvolver?

Todo mês promoveremos um evento com a participação dos condôminos. O modelo é parecido com o do dia do lançamento. Podemos ter peças teatrais, rodas de samba e de capoeira, exposições e oficinas. Estaremos todos conectados e ajudando nos eventos de cada um. Em maio, teremos a segunda edição da festa. Disponibilizaremos a programação completa em breve. Já é certo que contemplará datas importantes, como Festa Junina e Dia de Todos os Santos.

Para você, que tipo debenefícios a criação do ComDomínio trará aos moradores?

A união entre grupos locais e poder público mostra a vontade de garantir a cultura da e para a população. A reurbanização da região é necessária justamente nesses moldes, com diálogo e respeito ao que já existe aqui. O patrimônio imaterial desse lugar nos impulsionou. Queremos acolher, na Praça da Harmonia, todas as manifestações culturais que existem há anos aqui. E isso é para todos. Gosto de fazer teatro de rua porque qualquer pessoa pode assistir. É uma atividade que marca a vida de alguém, que transforma. Sou do lema “quanto mais arte, melhor”.

Texto: Yara Lopes

Fotos: Nicole Freeman Fotografia / www.nicolefreeman.net

2 Comentários

Arquivado em desenvolvimento, Entrevistas, eventos, projetos

Porto em romance

A decadência das fazendas cafeeiras de Vassouras, interior do Rio de Janeiro, faz com que o jovem Isaltino Gomes busque na capital oportunidade de emprego. Assim começa “Atrás do Porto, uma Cidade”, romance de Marcelo Schwob que conta histórias e curiosidades sob o ponto de vista dos habitantes da Região Portuária do início do século XX. Em vez de lançar um livro de pesquisa, o autor inova e faz do romance uma oportunidade de lembrar grandes figuras históricas e do mundo literário. Em entrevista ao Blog Porto Maravilha, Schwob fala de sua ligação com a Zona Portuária, tema de seu projeto atual, bairro em que estudou e trabalha há 33 anos. O lançamento do livro será amanhã, 12 de abril, às 12h, no encontro Sextas Culturais promovido pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), à Avenida Venezuela 82, Saúde.

A riqueza de história e da cultura da Região Portuária despertou o interesse do autor Marcelo Schwob

A riqueza de história e da cultura da Região Portuária despertou o interesse do autor Marcelo Schwob

Qual é a história de seu livro?

O livro é um romance histórico ambientado no início do século XX. São as lembranças do negro Isaltino Gomes que, por conta da decadência dos cafezais, vem para a capital em busca de oportunidade. Ele relembra sua vida e fala sobre parentes e amigos que frequentaram a região. No livro, Isaltino conta também a história do INT, que tem 90 anos e é uma das instituições públicas de tecnologia mais antigas do País. A ideia é  abordar o cotidiano de habitantes da cidade e evolução social, destacando grandes figuras, como João do Rio, Lima Barreto, Machado de Assis, , João Candido, o almirante negro e herói nacional líder da Revolta da Chibata, André Rebouças, engenheiro de grande importância que dentre outras coisas projetou o prédio da Ação e Cidadania na Avenida Barão de Tefé…

Durante as pesquisas qual foi a história mais curiosa ou a que mais te chamou atenção?

Uma de minhas bases foi o livro “Religiões do Rio”, do João do Rio. Nele temos as religiões atuantes da época. A Região Portuária ganha destaque como a de maior diversidade religiosa, com a presença de budistas e judeus, por exemplo. Acredito que por ter sido uma área com desenvolvimento isolado da cidade permitiu maior liberdade de expressão aos praticantes de tais religiões. Outro fato interessante é que muitos portugueses também moravam por aqui e eram muito próximos dos negros. Exemplo disso é o registro da presença de portugueses nas rodas de capoeira e ainda a introdução, por eles, da navalha na dança.

Você é formado em engenharia e trabalha no INT. Quando começou a escrever?

Não sei de onde ou como isso surgiu. Trabalho com Engenharia no instituto há 33 anos, mas independentemente disso gosto muito de história e sou curioso sobre a cidade. Comecei a escrever aos 45 anos e hoje estou com 57. Desde então, produzo contos, crônicas e memórias. Lancei sete livros, mas nenhum deles têm editora. Faço tudo por conta própria. Mando imprimir cerca de 100 exemplares e reúno no Restaurante Gracioso (em obras de restauração após incêndio em 2011) na Rua Sacadura Cabral. Chamo parentes e amigos para confraternizar. Se tem demanda, imprimo mais.

O que o motivou em relação ao tema atual, a história da Região Portuária?

Esta região em particular me atrai por conta da riqueza de história e da cultura.  Estudei no Colégio São Bento, na Rua Dom Gerardo, e trabalho há 33 anos no INT, na Avenida Venezuela. Ou seja, fui testemunha das transformações ocorridas na área. O livro se passa entre os anos de 1915 e 1980 e aborda mudanças sob o ponto de vista do cidadão comum do Porto. Busquei informações e inspiração em livros de História, registros e fotos da época, mas, principalmente, no que ouvi de antigos moradores, trabalhadores e pessoas que habitam a região. A maioria dos relatos está presente no livro.

Romance lembra grandes figuras históricas e do mundo literário

Romance lembra grandes figuras históricas e do mundo literário

Mesmo sendo morador de Laranjeiras, passou grande parte da vida na Zona Portuária. E quais são as suas memórias?

Tenho muitas lembranças. No início dos anos 60, quando minha família viajava de férias pegávamos o ônibus para Macaé na Rodoviária Mariano Procópio,  hoje  endereço da Escola do Olhar do Museu de Arte do Rio (MAR). À época, porta de entrada e saída da capital do País, tinha importância muito grande. Não havia quem não passasse por ali, tinha ônibus com destino para todo o Brasil. Outra lembrança de infância é a do cheiro de maçã no ar entre os Armazéns 1 e 3. As frutas chegavam da Argentina e ali eram transportadas em esteiras para carregar os caminhões.

Como a degradação da Região Portuária influenciou a vida da cidade?

Esse movimento de resgate por aqui é muito justo, mas demorou muito. Presenciei o gradativo movimento de abandono da região. Esse processo vem desde a construção da Avenida Presidente Vargas, que isolou a área antes mesmo da Avenida Francisco Bicalho e do Viaduto da Perimetral.  Na minha opinião, houve o isolamento físico do Porto do Rio. Com a expansão da Zona Oeste da cidade, o processo de degradação só aumentou. Mesmo assim, há um fator positivo: acredito que  o distanciamento permitiu a preservação de casarios e prédios antigos. Por isso, faço do livro uma homenagem à área tão rica e de personagens tão importantes.

Quem se interessar pelo livro como pode comprar?

O livro “Atrás do Porto, uma Cidade” estará à venda por R$ 40,00 no Sextas Culturais no INT amanhã. Estão todos convidados para o lançamento. Quem se interessar  pode entrar em contato comigo pelo email marcelo.schwob@gmail.com.

Texto e fotos: Mariana Aimée

3 Comentários

Arquivado em Entrevistas, Uncategorized

Ginásio Experimental – Arte em tempo integral

Aulas em período integral, música ambiente nos corredores e paredes coloridas. A Escola Municipal Vicente Licínio de Cardoso, na Rua Edgar Gordilho, Saúde, começou o ano letivo de 2013 como Ginásio Experimental de Artes Visuais. A iniciativa  da Prefeitura do Rio implantou nos mesmos moldes três escolas voltadas ao esporte, os Ginásios Experimentais Olímpicos. O Blog Porto Maravilha visitou o colégio e bateu um papo com a diretora adjunta Lucimara Mantovani Espinola.  Na instituição, selecionada  há  dois anos por sua proximidade ao Museu de Arte do Rio (MAR),  alunos e professores vão trabalhar atividades  integradas ao novo complexo cultural da Região Portuária.

Imagem

Alunas trabalham em tear na aula de textura

O que significa ser um Ginásio Experimental de Artes?

Em primeiro lugar, estudar em um Ginásio Experimental significa que o aluno passa a frequentar a escola em horário integral, das 8h às 16h. Nesse tempo, eles têm café-da-manhã, almoço e lanche. Além das aulas regulares, oferecemos aulas eletivas. Como somos vocacionados para Artes Visuais, essas eletivas são ateliês. Temos nove opções: Artes Gráficas, 3D, Textura, Desenho, Cor, Pintura, Outras Mídias, Novas Tecnologias e Seres e Natureza. Cada um escolhe a aula que mais lhe atrai. Assim, alunos das três turmas, do 7º, 8º e 9º ano do Ensino Fundamental, trabalham juntos.

O ginásio foi incorporado à rotina da escola. O que foi necessário mudar para a adaptação ao novo modelo?

Antes de começar o ano letivo organizamos reuniões para avisar aos pais sobre as alterações. Eles assinaram um termo de compromisso para acompanhar o rendimento dos alunos. Agora, os professores são polivalentes nas disciplinas. Contratamos mais docentes de Arte. Hoje, temos nove.

Trabalhos dos alunos no ateliê de 3D

Trabalhos dos alunos no ateliê de 3D

Como se dá a integração Ginásio-MAR?

A ideia inicial da secretária de Educação, Claudia Costin, era criar um colégio dentro da Escola do Olhar. Como não foi possível, surgiu a opção de adotar uma escola do entorno, como um Colégio de Aplicação do MAR. Levaremos alunos e professores para aulas e capacitação lá, e receberemos o pessoal do MAR aqui. Haverá uma boa troca.

Além dos ateliês, quais são as atividades desenvolvidas com os alunos?

Eles recebem reforço escolar nas matérias em que apresentam mais dificuldade e participam dos programas Projeto de Vida e Protagonismo Juvenil. O primeiro desenvolve o tipo de ser humano que cada um quer ser, em trabalho que começa na primeira semana de aula e é desenvolvido com o professor ao longo do ano. Eles definem o que esperam da escola e de suas vidas como um todo. O segundo programa objetiva alcançar o conhecimento sobre si mesmo e sobre o ambiente. Assim, eles podem melhorar a escola e o relacionamento com os colegas.

Imagem

Aula de História da Arte com a professora Kate Lane, que também está à frente do ateliê Outras Mídias

É preciso algum processo especial para a inscrição dos alunos?

Nesse ano, fizemos apenas rematrícula, normalmente. As poucas vagas que sobraram foram preenchidas pela matrícula digital. No ano que vem, esperamos que os alunos já venham com a intenção de estudar Artes. Outras escolas poderão indicar alunos que se encaixam nesse perfil.

Para você, qual é a importância de ter o MAR e o Ginásio Experimental de Artes Visuais na Região Portuária?

Apesar de ter ficado muito tempo abandonada, a região  é berço da cultura do Rio de Janeiro. Temos aqui muita história, música, arquitetura. Local  ideal.

Texto e fotos: Yara Lopes

2 Comentários

Arquivado em Entrevistas, projetos, Uncategorized