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No interior da Igreja de São Francisco

Devotos de São Francisco que tiveram fé agora comemoram o início da obra de restauro de uma das igrejas mais antigas do Brasil. A Igreja de São Francisco da Prainha, fechada desde 2004 pela Defesa Civil por problemas de conservação, deverá ficar pronta dentro de oito meses e será entregue à população nos moldes da construção original de 1696. O prédio pertence à Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como monumento artístico.

O Blog do Porto Maravilha visitou o canteiro da obra que começou em setembro e conversou com equipe da Construtora Biapó, contratada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) para executar o restauro. Walter Vilhena Valio, consultor, Bartira Bahia, arquiteta, Sandro Cunha de Oliveira, coordenador da equipe operacional, e Thathiane Heloise de Moraes, arquiteta, explicaram que a restauração manterá as características originais do patrimônio.

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Os tapumes para proteção da área e do entorno já foram instalados

É muito comum confundir uma reforma de uma restauração. O que difere esses dois processos?

 Bartira: A reforma não tem critérios históricos. Já a restauração é guiada por leis internacionais, chamadas de Cartas, que são publicadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A Carta de Atenas, de 1933, é a primeira delas.

O restauro vai manter as características originais da construção? Como esse processo será desenvolvido?

Walter: O restauro da Igreja de São Francisco da Prainha vai manter as características originais de como a conhecemos hoje. Normalmente os projetos de restauro contemplam diversos estudos de como é a edificação, a história, estilo, materiais e alterações ao longo da vida, os danos e suas causas. Com este conjunto de informações, é possível diagnosticar o estado de conservação e deterioração de cada parte e de cada tipo de material que constituem o imóvel.  Da análise desses dados, elabora-se o projeto de restauração, com desenhos e especificações.  Com o projeto pronto, para cada tipo de material ou serviço empregam-se técnicas e procedimentos compatíveis com os materiais existentes e com as técnicas empregadas na execução original. Assim, fazemos as restaurações das argamassas, dos frisos e adornos em gesso e dos forros em estuque. As tintas para as pinturas também são compatíveis com os materiais das argamassas, normalmente tintas a base de silicatos.

A ordem de início das obras foi no dia 5 de setembro. Quais são as ações iniciais?

Bartira: As ações iniciais são focadas em atividades internas e externas à igreja. Internamente, limpamos os pisos da igreja e higienizamos e catalogamos diversos objetos de propriedade da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. Esses objetos devem ser retirados e entregues ao proprietário na próxima semana e são caracterizados por mesas, bancos, um quadro, armários, confessionário, órgão musical, livros litúrgicos e documentos em papel. Após a retirada desses objetos, os pisos internos serão protegidos. Externamente, faremos a execução de tapumes ao redor do monumento e na Rua Sacadura Cabral. Também temos planejado o registro fotográfico de fachadas e interiores de casas vizinhas à igreja. O registro tem sido uma ação conjunta da Biapó com a equipe de responsabilidade social da Concessionária Porto Novo.

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Foi necessário escoramento emergencial

Durante os oito meses de obra, quais serão as etapas até a conclusão?

Thatiane: Após a ordem de início e mobilização da equipe, começamos alguns serviços preliminares como proteção dos pisos de ladrilho hidráulico, instalação de tapume de telha galvanizada e tela metálica, que garantirá proteções da área do entorno e da obra, e permeabilidade visual dos transeuntes. Depois desta etapa, daremos início às demolições e retiradas de argamassas de emboço e reboco danificadas, assim como pinturas, remoção de revestimentos comprometidos e não contemplados em projeto, remoção de barrotes, forros e estruturas de madeira danificados do telhado, inclusive telhas. Iniciamos a obra propriamente dita com o escoramento da parede lateral esquerda. Paralelamente, está prevista a execução de uma cobertura provisória. Parte do telhado caiu, e a Igreja vem sofrendo danos provocados pela ação do tempo e intempéries. Com a cobertura provisória e escoramento executados, daremos início aos trabalhos de recuperação dos telhados, alvenarias e revestimentos das fachadas externas e internas, como a recuperação da alvenaria escorada, argamassas de emboço e reboco danificadas, remoção de pintura comprometida, restauração de ornamentos, inclusive ornamentos internos em estuque, acabamentos de pisos e paredes em geral: mármore, cerâmica, madeira, pedra, ladrilho hidráulico entre outros. Instalações elétricas, telefônicas, hidrossanitárias e de combate a incêndio também estão previstos. Por fim, a recuperação das escadas e esquadrias de madeira e metal. O prazo previsto de obras é de 8 meses.

Com história tão antiga e diversas peculiaridades, qual é a maior dificuldade nessa restauração?

Walter: Não temos uma maior ou menor dificuldade nesta obra de restauração. Todos os locais que deverão ser restaurados requerem atenções especiais. Remover só as argamassas de revestimentos que estão degradadas, por exemplo, envolve uma atenção de verificação se a argamassa ao lado está boa e devidamente aderida ao suporte. No caso da alvenaria de pedra das paredes, ao removermos uma área de argamassa, pode aparecer uma fissura na alvenaria, exigindo a verificação do motivo da fissura e restauração dessa área também.

Em um processo de restauração, como o da igreja, os profissionais envolvidos são responsáveis por que funções?

Walter: As obras de restauração costumam ter profissionais em todos os níveis, mas organizamos o quadro de acordo com nosso objetivo. A estrutura básica consiste de um arquiteto residente e um mestre obras que coordena encarregados de cada tipo de serviço, por exemplo, alvenaria, marcenaria, pintura, ou o restaurador dos bens integrados. Cada especialidade tem seus respectivos profissionais, todos eles com anos de experiência em obras de restauro, além dos auxiliares que vão obtendo conhecimento com a prática e depois passam por pequenos cursos teóricos e específicos e seminários internos para melhorar a qualificação. Temos ainda pelo menos mais um arquiteto ou engenheiro civil para fazer a consultoria arquitetônica e estrutural, um técnico em segurança do trabalho, um administrador que cuida da documentação da obra, das compras e dos recursos humanos, um almoxarife e os seguranças e vigias noturnos.

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No início do processo, os objetos da igreja são higienizados e catalogados

Após as obras, o que deve ser feito para manter a igreja em bom estado de conservação?

Sandro: A Biapó, ao fim dos serviços de restauração, entrega um caderninho, um manual de uso do prédio ao proprietário do edifício. Aqui, como a obra é pequena, acredito que também podemos treinar uma pessoa indicada pelo proprietário sobre como limpar um piso de madeira, um piso de ladrilho hidraúlico, os altares e o que mais for preciso.

Texto e fotos: Yara Lopes
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Porto Maravilha e Inclusão Socioprodutiva

Alberto Silva, diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), empresa da prefeitura responsável pela operação urbana Porto Maravilha

A Operação Urbana Porto Maravilha é uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro para revitalizar a Região Portuária do Rio de Janeiro e reintegrá-la à cidade. Toda a infraestrutura urbana será reconstruída e modernizada e, com ela, novos edifícios ambientalmente adequados serão construídos. Entretanto, uma cidade não é somente infraestrutura. Edifícios têm sua importância na medida em que representam a memória de um lugar. A cidade é, sobretudo, espaço onde o modo de vida de seu povo acontece. Onde pessoas fazem a sua história.

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Dos 5 milhões de metros quadrados (m²) da Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) do Porto Maravilha, criada pela Lei Complementar Municipal 101/2009, aproximadamente 3,8 de m² compõem a Área de Proteção do Ambiente Cultural dos bairros Saúde, Gamboa e Santo Cristo (Apac Sagas) que inclui os Morros da Conceição, do Livramento, da Providência e do Pinto. Registros apontam que o Sagas emoldura pelo menos 1.500 imóveis de valor histórico e arquitetônico – grande maioria formada por imóveis privados subaproveitados, muitos deles em ruínas.

Da área restante de 1,2 milhão de m², 75% são ocupados por imóveis de órgãos e empresas estatais. A Companhia Docas do Rio de Janeiro (Docas-RJ) é a que detém maior parcela. Também concentra imóveis tombados e/ou preservados. Sobre esta área da AEIU foram acrescidos aproximadamente 4 milhões de m² de potencial de construção distribuídos em 14 setores.

Os recursos para custear o Porto Maravilha saem da venda do potencial de construção adicionado. Pelo menos 3% são destinados à valorização do patrimônio histórico e cultural material e imaterial da região. A Região Portuária é particular pela diversidade que abriga. Seus bairros têm vida própria e são marcados pela dinâmica social, econômica e política do Rio e do Brasil. Lugares que marcam a história do nosso povo desde o início da colonização até sofrer os efeitos da modernização dos portos. Encontro das culturas indígenas, europeia e africana, a área guarda exemplos marcantes da evolução econômica, da cultura e da identidade nacional. Testemunhou ainda algumas das principais lutas por direitos sociais e liberdade.

Todo lugar é um pouco local e global ao mesmo tempo. Na Região Portuária, estas dimensões são ainda mais marcantes. Elementos de um modo de vida local como o samba, por exemplo, ganharam o mundo e se mantêm como característica de um modo de vida que beira o bucólico. Ao mesmo tempo, a ascensão e a decadência da atividade portuária (com seu deslocamento para o Caju) posicionaram a região primeiramente como centro dinâmico do País e, depois, com a ajuda do Elevado da Perimetral, mesmo abrigando importantes órgãos públicos e empresas, a processo de décadas de decadência e abandono. Com isso, atividades econômicas típicas de áreas degradadas passaram a predominar na região enquanto outras, tradicionais, sobreviveram ao longo destas últimas décadas. Proprietários sem perspectiva deixaram imóveis entregues à subutilização e desvalorização.

Ao transformar a Região Portuária, o Porto Maravilha traz o desafio de modernizá-la e preservar a identidade delimitada pelo projeto Sagas, construir edifícios modernos integrados ao rico patrimônio arquitetônico e aumentar a sua população em sintonia aos atuais moradores e usuários. Uma nova dinâmica será gerada. Ao mesmo tempo em que promovemos a renovação da infraestrutura urbana e do novo padrão de ocupação, precisamos preparar as pessoas para novas oportunidades de emprego e negócios, e isso inclui aquelas relacionadas ao patrimônio cultural e artístico que, sem dúvida, contribuem para aumentar a atratividade dos bairros em revitalização.

No momento em que ganha nova função na cidade, a Região Portuária deverá ter as suas dimensões local e global acentuadas. Cumprida a meta de aumentar o número de moradores, o cotidiano de bairro será reforçado.

Atividades econômicas que ocuparão as torres comerciais e hotéis,  equipamentos culturais novos e restaurados vão consolidar a região como expansão do centro do Rio de Janeiro e realçar sua face global. Para dar conta destes desafios, a Lei Complementar 101/2009, que criou a Operação Urbana Porto Maravilha, definiu que o poder público deve desenvolver ações que integrem e promovam o desenvolvimento social e econômico da população que hoje vive na região. A mesma lei estabelece que o patrimônio histórico, artístico e cultural  material e imaterial  da região deve ser recuperado e valorizado.

A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região Portuária (Cdurp) criou os Programas Porto Maravilha Cidadão e Porto Maravilha Cultural para  articular ações do poder público e parcerias com o setor privado no sentido de fomentar e apoiar iniciativas que promovam o desenvolvimento socioeconômico da população  atual e garantam a valorização do seu patrimônio histórico. E, assim, construir uma cidade que respeita sua história e o meio ambiente. A parceria entre a Cdurp e o Sebrae/RJ tem função estratégica neste processo de transformação. A reconstrução da infraestrutura urbana da região segue em ritmo acelerado, a prestação de serviços urbanos melhora a cada dia, e empreendimentos imobiliários começam a ser erguidos. Paralelamente, o investimento para aumentar o capital social dos moradores e comerciantes da região se intensifica.

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Feira de Artes Porto do Rio em Harmonia

Podemos identificar três grandes processos econômicos que chamaremos aqui de economia das obras, economia dos grandes eventos e economia da nova Região Portuária. A economia das obras se caracteriza por intensiva mão de obra e geração de negócios relacionados à cadeia produtiva da construção civil. Seu ciclo é de grande intensidade, principalmente durante as obras públicas previstas para terminar em 2016, devendo manter alguma importância após este período por conta das construções dos empreendimentos privados.

A economia dos grandes eventos refere-se às oportunidades de curto prazo geradas pelos eventos da cidade e que impactam a região. Embora sejam localizados no tempo, apresentam o potencial de entretenimento e turismo da região.

A economia da nova Região Portuária encontra-se em formação. De fato, as potencialidades são imensas. Com a chegada de grandes edifícios comerciais, hotéis e aumento do número de habitantes, haverá demanda por comércio e serviços dos mais variados. Além disso,  mais de 70 lugares tombados ou preservados conviverão com equipamentos culturais como o Museu de Arte do Rio, o Museu do Amanhã e o Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana (Pedra do Sal,  Cais do Valongo e  Cais da Imperatriz,  Jardim Suspenso do Valongo,  Largo do Depósito e  Centro Cultural José Bonifácio). Juntos, reforçam o potencial para atividades ligadas a cultura, entretenimento e turismo.

Jardim do Valongo Casa da Guarda - Foto Bruno de Lima

Jardim Suspenso do Valongo, restaurado pelo Porto Maravilha Cultural, integra conjunto do Circuito da Herança Africana

Este conjunto de fatores representa um grande universo de oportunidades para geração de emprego e negócios para micro e pequenos empresários. A estratégia do Porto Maravilha consiste em estimular empreendedores que já atuam na região e preparar interessados  para participar da construção deste novo cenário econômico.

O fortalecimento da micro e pequena empresa locais, grandes geradoras de empregos,  desempenha função estratégica, uma vez que boa parte dos comerciantes está lá há décadas. Vários são moradores. Desse modo, apoiá-los é contribuir para que efetivamente se beneficiem e sejam protagonistas do processo de transformação. Mapear oportunidades e contribuir para qualificar a gestão dos negócios para aprimorar e diversificar produtos e mediar o acesso ao crédito são tarefas que encontram respaldo em outra frente: despertar nos agentes econômicos da região a perspectiva da mudança. Após décadas de abandono, muitos já não acreditavam que isso aconteceria.

O que temos visto é um crescente movimento de motivação. A primeira rodada de negócios, a primeira semana do empreendedor e o apoio ao primeiro festival gastronômico dos Morros da Providência e do Pinto encontraram resposta bastante positiva. O número de proprietários da região com novos projetos para seus imóveis eleva a cada dia.

O trabalho está no início e trará muitas lições. O Porto Maravilha é um processo de renovação urbana, de transformação do tecido social onde moradores, seja como trabalhadores ou empreendedores, podem ser protagonistas e se beneficiar da geração e distribuição de riqueza resultante da construção de um espaço que contribui para que o Rio de Janeiro seja cada vez mais uma cidade inclusiva e integrada.

Publicado originalmente em “O PORTO MARAVILHA e os Desafios da Reintegração Econômica da Região na Dinâmica da Cidade”, BOLETIM SEMESTRAL (N º 0 3 | J U L H O D E 2 0 1 3), “Observatório Sebrae-RJ, os pequenos negócios em foco”. Leia o estudo completo

Fotos: Alexandre Bragança (panorâmica) / Divulgação Sebrae (Feira da Harmonia) / Bruno Lima (Jardim Suspenso do Valongo)

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Trabalho transparente

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Djalma Gomes, desde de 2011 auditor da Cdurp, diz que a modelagem econômica da empresa agregou conhecimento.

Muita gente não conhece a complexidade que envolve uma empresa pública. A estrutura da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Rio de Janeiro (Cdurp) é ainda mais complexa, porque a instituição trabalha na articulação de órgãos públicos e privados para a implantação da operação urbana Porto Maravilha. A Revista da Controladoria Geral do Município publicou recentemente entrevista com o auditor interno da Cdurp. O papo com Djalma Gomes Filgueira esclarece diversos pontos, e o Blog Porto Maravilha obteve autorização para republicá-lo aqui.

Contador formado pela Faculdade Moraes Junior, Djalma Gomes Filgueira atua na Prefeitura do Rio de Janeiro desde 1982. Em 1993, tornou-se contador concursado da Controladoria Geral do Município (CGM), lotado na Auditoria Geral. Foi auditor interno na Riotur, Comlurb e Instituto Pereira Passos (IPP), chegando ao cargo de auditor geral. Atuou na Secretaria Municipal de Habitação e foi também diretor de Administração e Finanças da Empresa Municipal de Informática – IplanRio. Desde 2011, é o auditor interno da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro – Cdurp.

Como foi a experiência de trabalhar pela primeira vez com contratação por meio da Parceria Público-Privada (PPP)?

Aprendemos muito durante o acompanhamento de todo o processo. Proporcionou-nos familiarização com esse tipo de contratação, já que foi a primeira realizada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, apesar de a lei que regulamenta ser do ano de 2004 (Lei nº10.079/2004). Foi também a maior PPP no Brasil (R$ 8 bilhões) com uma modelagem financeira pioneira no País. Tudo isto nos dá uma boa noção da magnitude da operação. O estudo e o entendimento da legislação aplicável nos deu a possibilidade de agregar valor ao conhecimento.

Como o controle interno analisou a execução dos serviços de revitalização da área do Porto Maravilha?

Nossa análise foi no período de um mês e restringiu-se a verificar a conformidade na execução dos serviços contratados para fase inicial, limitando-se à identificação e seleção dos serviços a ser prestados, passíveis de inspeção física, na fase inicial de implementação da concessão, tais como: exploração da malha viária, manutenção e conservação de rotina e gestão de resíduos sólidos.

A exploração da malha viária abrange que serviços?

Monitoramento de tráfego, comunicação e transmissão de dados, bem como segurança e conforto ao usuário. A fase inicial compreende a adequação de todos os serviços a ser implantados mediante identificação e padronização de procedimentos, assim como treinamento do pessoal envolvido. É necessário também a implantação de um canal de comunicação com os usuários à medida que as áreas passam por intervenções e até a entrega de cada área reurbanizada conforme projeto.

Como auditor, o senhor acompanha obras e serviços nos 5 milhões de metros quadrados da Área de Especial Interesse Urbanístico (Aeiu) da Região Portuária do Rio. Elas estão dentro do cronograma, da previsão orçamentária e em sintonia com as regras de sustentabilidade e respeito ao patrimônio cultural?

Neste trabalho foi possível ver na prática, in loco, aquilo que estava descrito nos documentos de formalização da contratação – Termo de Referência, Edital, Edital do Leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), dentre outros – por exemplo. A percepção do universo contratado (cerca de 5 milhões de metros quadrados) ficou muito mais clara. Verificou-se a necessidade de um acompanhamento mais cauteloso, considerando que as atividades são muito dinâmicas. Uma não conformidade verificada num dia pode não se apresentar no dia seguinte e vice-versa. Há muitos atores envolvidos no universo auditável (moradores, pequenos e grandes comerciantes, transeuntes, turistas etc.) interferindo nas atividades desenvolvidas pela contratada que devem ser considerados antes de se emitir uma opinião quanto ao desempenho daquela, requerendo atenção especial no desenvolvimento da auditoria.

Não obstante, os apontamentos efetuados no presente trabalho em aproximadamente três meses de iniciados os serviços, ressaltamos que foi possível observar melhoria na iluminação e limpeza da região, mais especificamente no entorno da Rodoviária Novo Rio, Avenida Brasil (dentro da área da concessão) e Avenida Francisco Bicalho.

A Cdurp é responsável pela emissão e controle financeiro dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). A expectativa era atrair para a região cerca de R$2,6 bilhões, dinheiro arrecadado com a venda dos Cepacs. Isto está ocorrendo?

Na verdade, a expectativa foi superada, pois os Cepacs foram vendidos ao preço de R$ 545,00 cada, quando o valor inicial de R$ 400,00, ou seja, entre o seu lançamento pela Prefeitura do Rio e o leilão de venda, houve uma valorização de aproximadamente 36%. Com isso o valor arrecadado foi da ordem de R$ 3,5 bilhões.

Como avalia as etapas do projeto já cumpridas?

O projeto é muito grande, a área a ser revitalizada gira em torno de 5 milhões de metros quadrados e tem dois momentos: um já realizado pela própria Prefeitura, que investiu cerca de R$ 300 milhões na área; e o outro que compreende a maior parte será com a PPP. Esta última, no momento de nosso trabalho ainda não havia etapa definitivamente concluída. Poderíamos, por exemplo, dizer que para se começar uma obra pelo menos o projeto já deva estar pronto. Entretanto, na revitalização do Porto temos um projeto macro, e dentro dele vários outros que vão sendo desenvolvidos à medida que a obra vai avançando.

Assim, canteiros de obras são abertos, sondagens de terrenos para desenvolvimento de projetos construtivos continuam em elaboração, ou seja, a obra está ainda no início e tudo acontece ao mesmo tempo. Como são 5 anos de obras, os resultados só começam a aparecer após algum tempo.

Na sua visão de auditor, como avalia a articulação do poder público com os demais órgãos públicos e privados?

Pelo que observo na empresa, essa articulação é constante, quase que “24 horas por dia”. Vemos os colaboradores da empresa da área de negócios até o presidente em reuniões constantes para a solução de problemas. Diríamos que eles têm uma agenda muito pesada, sempre com o objetivo de dar celeridade à execução do projeto para que o cronograma da execução não seja prejudicado e comprometa a conclusão da obra no tempo esperado.

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Jornalismo centenário

No mesmo ano do fim da  Ditadura Militar, 1985, Acurcio de Oliveira comprou o jornal especializado em Economia Monitor Mercantil. Fundado em 1912, imprimia edições em mimeógrafo, máquina  de mais de um século que permitia tiragens em grande escala. Há 100 anos circulando de segunda a sexta-feira, com conteúdo voltado ao profissional da área financeira, o jornal vende hoje  20 mil exemplares por dia. O Blog Porto Maravilha visitou a sede do Monitor Mercantil, à Rua Marcílio Dias, 26, próximo à Central do Brasil. Oliveira, diretor-presidente do jornal, apresentou a redação e detalhou como a empresa de comunicação hoje faz parte do seleto grupo de 28 companhias nacionais que passaram dos 100 anos.

Acurcio de Oliveira dirige o Monitor Mercantil há 27 anos

Acurcio de Oliveira dirige o Monitor Mercantil há 27 anos

Como é dirigir um jornal centenário?

Fazemos agora parte de um clube de 28 organizações  nacionais que conseguiram completar o centenário. É bastante tempo. Colocar um jornal na rua não é fácil, mas estamos felizes. Compramos o controle acionário em 1985. À época, a publicação era em formato tabloide. Meu filho, Marco de Oliveira, estudava Jornalismo e redesenhou o jornal em formato maior. Começamos a trabalhar e, quando vi, já éramos centenários.

A sua história com o Monitor Mercantil começou antes, em outro grande jornal, A Última Hora. Como o senhor chegou até aqui?

Passei a minha vida inteira em redação. Para ver como eu sou antigo, trabalhei com Samuel Wainer no jornal A Última Hora. Trabalhei depois na revista de Arte Senhor e em um jornal esportivo. Fiquei na Manchete por 10 anos, mais envolvido na administração. Depois, fui para O Globo. Desde 1955, mantive também uma empresa de comunicação e, com ela, tive muito contato com publicações internacionais. Acredito que a experiência mais marcante foi com a Revista Forbes, para a qual trabalhei como representante no Brasil por 33 anos.

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Jornalistas trabalham na redação em dois turnos

 

Como se deu a decisão de comprar o Monitor Mercantil?

Meu amigo Ary Carvalho comprou o Monitor Mercantil em 1976. A ideia era o Última Hora ser um jornal mais popular e fazer com que o Monitor conversasse com empresários, abraçando público maior. Ele gostou da ideia, mas acabou não levando para a frente. Quando ele resolveu  se desfazer do jornal e ofereceu, eu já estava envolvido e aceitei.

O que  motivou a vinda da redação do Bairro de Fátima, no Centro, para a Região Portuária?

Estamos aqui desde 1992, após reforma do prédio que comprei três anos antes, em 1989. A decisão de vir para cá surgiu com a necessidade de espaço para o maquinário de impressão. Nesse endereço, a redação ganhou os primeiros computadores, que não cabiam na sede anterior.

Qual a importância de ter o parque gráfico no mesmo endereço da redação?

Tínhamos que rodar o jornal fora. Primeiro, trabalhávamos com a gráfica do Última Hora. Mas o jornal foi vendido, e a máquina seguiu para Belo Horizonte (MG). Tivemos de imprimir no Jornal dos Esportes, mas passamos por maus bocados. Em dia de jogos importantes, o jornal ia para a rua muito atrasado. Um dia, resolvi comprar uma máquina. Apesar de sermos um jornal antigo, nunca tínhamos comprado nada. O banco não aceitou o financiamento. Tive que me virar sozinho. Importei a máquina da Suécia. Imprimir aqui nos deu mais tranquilidade. E essa máquina roda o Monitor Mercantil até hoje.

Máquina que veio da Suécia imprime em diferentes formatos

Máquina que veio da Suécia imprime em diferentes formatos

Como é a rotina do jornal?

Somos um veículo pequeno, mas o trabalho para colocar o jornal na rua é quase o mesmo de um grande. Temos jornalistas na redação em dois turnos. Colunistas, analistas e colaboradores enviam os textos de casa. Eu fico mais na parte administrativa e o Marco de Oliveira, meu filho, dirige a redação. Uma turma de cinco pessoas chega no fim da tarde para cuidar da impressão. Depois tem a entrega nas bancas e nos endereços de quem é assinante. Diferentemente da maioria, o que não temos aqui é o repórter de setor, porque somos um jornal de Economia.

Texto e fotos: Yara Lopes

 

 

 

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Porto em romance

A decadência das fazendas cafeeiras de Vassouras, interior do Rio de Janeiro, faz com que o jovem Isaltino Gomes busque na capital oportunidade de emprego. Assim começa “Atrás do Porto, uma Cidade”, romance de Marcelo Schwob que conta histórias e curiosidades sob o ponto de vista dos habitantes da Região Portuária do início do século XX. Em vez de lançar um livro de pesquisa, o autor inova e faz do romance uma oportunidade de lembrar grandes figuras históricas e do mundo literário. Em entrevista ao Blog Porto Maravilha, Schwob fala de sua ligação com a Zona Portuária, tema de seu projeto atual, bairro em que estudou e trabalha há 33 anos. O lançamento do livro será amanhã, 12 de abril, às 12h, no encontro Sextas Culturais promovido pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), à Avenida Venezuela 82, Saúde.

A riqueza de história e da cultura da Região Portuária despertou o interesse do autor Marcelo Schwob

A riqueza de história e da cultura da Região Portuária despertou o interesse do autor Marcelo Schwob

Qual é a história de seu livro?

O livro é um romance histórico ambientado no início do século XX. São as lembranças do negro Isaltino Gomes que, por conta da decadência dos cafezais, vem para a capital em busca de oportunidade. Ele relembra sua vida e fala sobre parentes e amigos que frequentaram a região. No livro, Isaltino conta também a história do INT, que tem 90 anos e é uma das instituições públicas de tecnologia mais antigas do País. A ideia é  abordar o cotidiano de habitantes da cidade e evolução social, destacando grandes figuras, como João do Rio, Lima Barreto, Machado de Assis, , João Candido, o almirante negro e herói nacional líder da Revolta da Chibata, André Rebouças, engenheiro de grande importância que dentre outras coisas projetou o prédio da Ação e Cidadania na Avenida Barão de Tefé…

Durante as pesquisas qual foi a história mais curiosa ou a que mais te chamou atenção?

Uma de minhas bases foi o livro “Religiões do Rio”, do João do Rio. Nele temos as religiões atuantes da época. A Região Portuária ganha destaque como a de maior diversidade religiosa, com a presença de budistas e judeus, por exemplo. Acredito que por ter sido uma área com desenvolvimento isolado da cidade permitiu maior liberdade de expressão aos praticantes de tais religiões. Outro fato interessante é que muitos portugueses também moravam por aqui e eram muito próximos dos negros. Exemplo disso é o registro da presença de portugueses nas rodas de capoeira e ainda a introdução, por eles, da navalha na dança.

Você é formado em engenharia e trabalha no INT. Quando começou a escrever?

Não sei de onde ou como isso surgiu. Trabalho com Engenharia no instituto há 33 anos, mas independentemente disso gosto muito de história e sou curioso sobre a cidade. Comecei a escrever aos 45 anos e hoje estou com 57. Desde então, produzo contos, crônicas e memórias. Lancei sete livros, mas nenhum deles têm editora. Faço tudo por conta própria. Mando imprimir cerca de 100 exemplares e reúno no Restaurante Gracioso (em obras de restauração após incêndio em 2011) na Rua Sacadura Cabral. Chamo parentes e amigos para confraternizar. Se tem demanda, imprimo mais.

O que o motivou em relação ao tema atual, a história da Região Portuária?

Esta região em particular me atrai por conta da riqueza de história e da cultura.  Estudei no Colégio São Bento, na Rua Dom Gerardo, e trabalho há 33 anos no INT, na Avenida Venezuela. Ou seja, fui testemunha das transformações ocorridas na área. O livro se passa entre os anos de 1915 e 1980 e aborda mudanças sob o ponto de vista do cidadão comum do Porto. Busquei informações e inspiração em livros de História, registros e fotos da época, mas, principalmente, no que ouvi de antigos moradores, trabalhadores e pessoas que habitam a região. A maioria dos relatos está presente no livro.

Romance lembra grandes figuras históricas e do mundo literário

Romance lembra grandes figuras históricas e do mundo literário

Mesmo sendo morador de Laranjeiras, passou grande parte da vida na Zona Portuária. E quais são as suas memórias?

Tenho muitas lembranças. No início dos anos 60, quando minha família viajava de férias pegávamos o ônibus para Macaé na Rodoviária Mariano Procópio,  hoje  endereço da Escola do Olhar do Museu de Arte do Rio (MAR). À época, porta de entrada e saída da capital do País, tinha importância muito grande. Não havia quem não passasse por ali, tinha ônibus com destino para todo o Brasil. Outra lembrança de infância é a do cheiro de maçã no ar entre os Armazéns 1 e 3. As frutas chegavam da Argentina e ali eram transportadas em esteiras para carregar os caminhões.

Como a degradação da Região Portuária influenciou a vida da cidade?

Esse movimento de resgate por aqui é muito justo, mas demorou muito. Presenciei o gradativo movimento de abandono da região. Esse processo vem desde a construção da Avenida Presidente Vargas, que isolou a área antes mesmo da Avenida Francisco Bicalho e do Viaduto da Perimetral.  Na minha opinião, houve o isolamento físico do Porto do Rio. Com a expansão da Zona Oeste da cidade, o processo de degradação só aumentou. Mesmo assim, há um fator positivo: acredito que  o distanciamento permitiu a preservação de casarios e prédios antigos. Por isso, faço do livro uma homenagem à área tão rica e de personagens tão importantes.

Quem se interessar pelo livro como pode comprar?

O livro “Atrás do Porto, uma Cidade” estará à venda por R$ 40,00 no Sextas Culturais no INT amanhã. Estão todos convidados para o lançamento. Quem se interessar  pode entrar em contato comigo pelo email marcelo.schwob@gmail.com.

Texto e fotos: Mariana Aimée

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Ginásio Experimental – Arte em tempo integral

Aulas em período integral, música ambiente nos corredores e paredes coloridas. A Escola Municipal Vicente Licínio de Cardoso, na Rua Edgar Gordilho, Saúde, começou o ano letivo de 2013 como Ginásio Experimental de Artes Visuais. A iniciativa  da Prefeitura do Rio implantou nos mesmos moldes três escolas voltadas ao esporte, os Ginásios Experimentais Olímpicos. O Blog Porto Maravilha visitou o colégio e bateu um papo com a diretora adjunta Lucimara Mantovani Espinola.  Na instituição, selecionada  há  dois anos por sua proximidade ao Museu de Arte do Rio (MAR),  alunos e professores vão trabalhar atividades  integradas ao novo complexo cultural da Região Portuária.

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Alunas trabalham em tear na aula de textura

O que significa ser um Ginásio Experimental de Artes?

Em primeiro lugar, estudar em um Ginásio Experimental significa que o aluno passa a frequentar a escola em horário integral, das 8h às 16h. Nesse tempo, eles têm café-da-manhã, almoço e lanche. Além das aulas regulares, oferecemos aulas eletivas. Como somos vocacionados para Artes Visuais, essas eletivas são ateliês. Temos nove opções: Artes Gráficas, 3D, Textura, Desenho, Cor, Pintura, Outras Mídias, Novas Tecnologias e Seres e Natureza. Cada um escolhe a aula que mais lhe atrai. Assim, alunos das três turmas, do 7º, 8º e 9º ano do Ensino Fundamental, trabalham juntos.

O ginásio foi incorporado à rotina da escola. O que foi necessário mudar para a adaptação ao novo modelo?

Antes de começar o ano letivo organizamos reuniões para avisar aos pais sobre as alterações. Eles assinaram um termo de compromisso para acompanhar o rendimento dos alunos. Agora, os professores são polivalentes nas disciplinas. Contratamos mais docentes de Arte. Hoje, temos nove.

Trabalhos dos alunos no ateliê de 3D

Trabalhos dos alunos no ateliê de 3D

Como se dá a integração Ginásio-MAR?

A ideia inicial da secretária de Educação, Claudia Costin, era criar um colégio dentro da Escola do Olhar. Como não foi possível, surgiu a opção de adotar uma escola do entorno, como um Colégio de Aplicação do MAR. Levaremos alunos e professores para aulas e capacitação lá, e receberemos o pessoal do MAR aqui. Haverá uma boa troca.

Além dos ateliês, quais são as atividades desenvolvidas com os alunos?

Eles recebem reforço escolar nas matérias em que apresentam mais dificuldade e participam dos programas Projeto de Vida e Protagonismo Juvenil. O primeiro desenvolve o tipo de ser humano que cada um quer ser, em trabalho que começa na primeira semana de aula e é desenvolvido com o professor ao longo do ano. Eles definem o que esperam da escola e de suas vidas como um todo. O segundo programa objetiva alcançar o conhecimento sobre si mesmo e sobre o ambiente. Assim, eles podem melhorar a escola e o relacionamento com os colegas.

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Aula de História da Arte com a professora Kate Lane, que também está à frente do ateliê Outras Mídias

É preciso algum processo especial para a inscrição dos alunos?

Nesse ano, fizemos apenas rematrícula, normalmente. As poucas vagas que sobraram foram preenchidas pela matrícula digital. No ano que vem, esperamos que os alunos já venham com a intenção de estudar Artes. Outras escolas poderão indicar alunos que se encaixam nesse perfil.

Para você, qual é a importância de ter o MAR e o Ginásio Experimental de Artes Visuais na Região Portuária?

Apesar de ter ficado muito tempo abandonada, a região  é berço da cultura do Rio de Janeiro. Temos aqui muita história, música, arquitetura. Local  ideal.

Texto e fotos: Yara Lopes

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Santo Cristo ganha em cultura, esporte e educação

A requalificação da Rua Pedro Alves, no Santo Cristo, ganhou forte aliado na última semana. O Instituto Carioca de Desenvolvimento (ICD), organização social que oferece atividades culturais, esportivas, educacionais, de qualificação profissional e de inclusão social, inaugurou sede na Região Portuária. Além de calendário próprio de eventos, o instituto apoia manifestações de outros grupos e empresta seu espaço a parceiros. Desde o dia 7 de março, o ICD recebe crianças, jovens e adultos na Rua Pedro Alves 126. Margareth Bastos, presidente do instituto, fala sobre cursos gratuitos de auxiliar administrativo, garçom, teatro e alfabetização de jovens e adultos oferecidos para moradores.

Turma pronta para as aulas de teatro, que acontecem toda terça e quinta-feira

Turma pronta para as aulas de teatro, que acontecem toda terça e quinta-feira

Por que vocês decidiram trazer a organização para a Região Portuária?

Essa é uma área ainda carente de ações sociais. Percebemos a necessidade de atuação com a população daqui. O Porto Maravilha está mudando a Região e, em alguns anos, teremos muitos turistas e visitantes. É importante que os moradores não se sintam excluídos desse processo, estejam preparados para a nova fase.

Com apenas uma semana de funcionamento, quais atividades já são desenvolvidas?

Segundas e quartas-feiras, temos oficina de desenho; terça e quintas-feiras, teatro; sextas, modelo e manequim. Trabalhamos para que não haja conflito com o horário escolar. Por isso, temos dois turnos para cada oficina. Funcionamos de segunda a sexta, das 9h às 18h.

Brinquedoteca recebe crianças que acompanham irmãos mais velhos ou pais

Brinquedoteca recebe crianças que acompanham irmãos mais velhos ou pais

Qualquer pessoa pode participar ou as oficinas são apenas para crianças?

Qualquer morador da Região Portuária pode se inscrever nas oficinas. Tivemos uma procura maior por crianças, mas estamos abertos também para jovens e adultos. A idade mínima é a de 7 anos. Ainda assim, muitos trazem irmãos mais novos, que não tem com quem ficar. Eles acabam participando das aulas, ou brincando na brinquedoteca.

O que mais é oferecido pelo instituto?

Temos parceria com o programa Senac na Comunidade, com dois cursos. Após pesquisa com a própria população, optamos por oferecer formação em auxiliar administrativo e garçom. São 30 vagas por curso, para jovens de 16 a 24 anos. As aulas serão diárias a partir de abril. O Senac tem também um balcão de empregos e o nosso objetivo é colocar no mercado pelo menos metade dos alunos formados. Programamos em breve oferecer aulas de Alfabetização de Jovens e Adultos. Queremos trazer oportunidades para pais e filhos.

Há algum projeto específico para as mulheres?

Percebemos que muitas mulheres trabalham nos barracões de escola de samba ajudando a customizar fantasias. Queremos promover um curso profissionalizante de corte e costura. Elas poderiam, então, aproveitar a demanda do carnaval e trabalhar como costureiras ao longo do ano. Vamos incrementar a biblioteca para que funcione também como videoteca. Hoje, já disponibilizamos vídeos, no computador mesmo, para que as crianças tenham acesso a esse tipo de cultura. Elas ficam mais calmas e atentas.

Como vocês sustentam a instituição?

Recebemos apoios de empresas privadas. Também temos muitos voluntários, como os professores das oficinas e as meninas do administrativo. Mantemos um bazar de bijuterias, roupas e acessórios. Vendemos o que recebemos e o dinheiro é usado para ajudar na manutenção do espaço. Estamos abertos a doações, não só financeira. Aceitamos livros, brinquedos, roupas, móveis e mão-de-obra voluntária.

Bazar, com roupas e acessórios, ajuda a manter a instituição

Bazar, com roupas e acessórios, ajuda a manter a instituição

Já são 43 alunos inscritos. Como vocês divulgam o trabalho?

Vamos às associações de moradores, pregamos cartazes nas kombis, divulgamos no boca a boca. O que mais fizemos até agora, e tem funcionado bem, é o contato com as escolas. Vamos até lá e pedimos para falar do nosso trabalho nas salas de aula. Em seguida, muitas crianças aparecem aqui querendo participar. Para fazer a inscrição, precisam estar acompanhadas do responsável. Queremos que os pais conheçam o que fazemos aqui. Para isso, vamos oferecer um café da manhã no dia 27 de março para apresentar a instituição.

O que já foi possível perceber em uma semana de funcionamento?

É muito bonito ver as crianças crescendo, se desenvolvendo. As meninas da oficina de modelo e manequim já melhoraram a higiene, a postura e o modo de se vestir. No Teatro, vão perdendo a timidez, conseguem falar sem medo para várias pessoas. Queremos trabalhar com as escolas e ver como as nossas atividades ajudam no desenvolvimento em sala de aula.

Texto e fotos: Yara Lopes

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