Arquivo da tag: Cdurp

No interior da Igreja de São Francisco

Devotos de São Francisco que tiveram fé agora comemoram o início da obra de restauro de uma das igrejas mais antigas do Brasil. A Igreja de São Francisco da Prainha, fechada desde 2004 pela Defesa Civil por problemas de conservação, deverá ficar pronta dentro de oito meses e será entregue à população nos moldes da construção original de 1696. O prédio pertence à Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como monumento artístico.

O Blog do Porto Maravilha visitou o canteiro da obra que começou em setembro e conversou com equipe da Construtora Biapó, contratada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) para executar o restauro. Walter Vilhena Valio, consultor, Bartira Bahia, arquiteta, Sandro Cunha de Oliveira, coordenador da equipe operacional, e Thathiane Heloise de Moraes, arquiteta, explicaram que a restauração manterá as características originais do patrimônio.

Imagem

Os tapumes para proteção da área e do entorno já foram instalados

É muito comum confundir uma reforma de uma restauração. O que difere esses dois processos?

 Bartira: A reforma não tem critérios históricos. Já a restauração é guiada por leis internacionais, chamadas de Cartas, que são publicadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A Carta de Atenas, de 1933, é a primeira delas.

O restauro vai manter as características originais da construção? Como esse processo será desenvolvido?

Walter: O restauro da Igreja de São Francisco da Prainha vai manter as características originais de como a conhecemos hoje. Normalmente os projetos de restauro contemplam diversos estudos de como é a edificação, a história, estilo, materiais e alterações ao longo da vida, os danos e suas causas. Com este conjunto de informações, é possível diagnosticar o estado de conservação e deterioração de cada parte e de cada tipo de material que constituem o imóvel.  Da análise desses dados, elabora-se o projeto de restauração, com desenhos e especificações.  Com o projeto pronto, para cada tipo de material ou serviço empregam-se técnicas e procedimentos compatíveis com os materiais existentes e com as técnicas empregadas na execução original. Assim, fazemos as restaurações das argamassas, dos frisos e adornos em gesso e dos forros em estuque. As tintas para as pinturas também são compatíveis com os materiais das argamassas, normalmente tintas a base de silicatos.

A ordem de início das obras foi no dia 5 de setembro. Quais são as ações iniciais?

Bartira: As ações iniciais são focadas em atividades internas e externas à igreja. Internamente, limpamos os pisos da igreja e higienizamos e catalogamos diversos objetos de propriedade da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. Esses objetos devem ser retirados e entregues ao proprietário na próxima semana e são caracterizados por mesas, bancos, um quadro, armários, confessionário, órgão musical, livros litúrgicos e documentos em papel. Após a retirada desses objetos, os pisos internos serão protegidos. Externamente, faremos a execução de tapumes ao redor do monumento e na Rua Sacadura Cabral. Também temos planejado o registro fotográfico de fachadas e interiores de casas vizinhas à igreja. O registro tem sido uma ação conjunta da Biapó com a equipe de responsabilidade social da Concessionária Porto Novo.

Imagem

Foi necessário escoramento emergencial

Durante os oito meses de obra, quais serão as etapas até a conclusão?

Thatiane: Após a ordem de início e mobilização da equipe, começamos alguns serviços preliminares como proteção dos pisos de ladrilho hidráulico, instalação de tapume de telha galvanizada e tela metálica, que garantirá proteções da área do entorno e da obra, e permeabilidade visual dos transeuntes. Depois desta etapa, daremos início às demolições e retiradas de argamassas de emboço e reboco danificadas, assim como pinturas, remoção de revestimentos comprometidos e não contemplados em projeto, remoção de barrotes, forros e estruturas de madeira danificados do telhado, inclusive telhas. Iniciamos a obra propriamente dita com o escoramento da parede lateral esquerda. Paralelamente, está prevista a execução de uma cobertura provisória. Parte do telhado caiu, e a Igreja vem sofrendo danos provocados pela ação do tempo e intempéries. Com a cobertura provisória e escoramento executados, daremos início aos trabalhos de recuperação dos telhados, alvenarias e revestimentos das fachadas externas e internas, como a recuperação da alvenaria escorada, argamassas de emboço e reboco danificadas, remoção de pintura comprometida, restauração de ornamentos, inclusive ornamentos internos em estuque, acabamentos de pisos e paredes em geral: mármore, cerâmica, madeira, pedra, ladrilho hidráulico entre outros. Instalações elétricas, telefônicas, hidrossanitárias e de combate a incêndio também estão previstos. Por fim, a recuperação das escadas e esquadrias de madeira e metal. O prazo previsto de obras é de 8 meses.

Com história tão antiga e diversas peculiaridades, qual é a maior dificuldade nessa restauração?

Walter: Não temos uma maior ou menor dificuldade nesta obra de restauração. Todos os locais que deverão ser restaurados requerem atenções especiais. Remover só as argamassas de revestimentos que estão degradadas, por exemplo, envolve uma atenção de verificação se a argamassa ao lado está boa e devidamente aderida ao suporte. No caso da alvenaria de pedra das paredes, ao removermos uma área de argamassa, pode aparecer uma fissura na alvenaria, exigindo a verificação do motivo da fissura e restauração dessa área também.

Em um processo de restauração, como o da igreja, os profissionais envolvidos são responsáveis por que funções?

Walter: As obras de restauração costumam ter profissionais em todos os níveis, mas organizamos o quadro de acordo com nosso objetivo. A estrutura básica consiste de um arquiteto residente e um mestre obras que coordena encarregados de cada tipo de serviço, por exemplo, alvenaria, marcenaria, pintura, ou o restaurador dos bens integrados. Cada especialidade tem seus respectivos profissionais, todos eles com anos de experiência em obras de restauro, além dos auxiliares que vão obtendo conhecimento com a prática e depois passam por pequenos cursos teóricos e específicos e seminários internos para melhorar a qualificação. Temos ainda pelo menos mais um arquiteto ou engenheiro civil para fazer a consultoria arquitetônica e estrutural, um técnico em segurança do trabalho, um administrador que cuida da documentação da obra, das compras e dos recursos humanos, um almoxarife e os seguranças e vigias noturnos.

Imagem

No início do processo, os objetos da igreja são higienizados e catalogados

Após as obras, o que deve ser feito para manter a igreja em bom estado de conservação?

Sandro: A Biapó, ao fim dos serviços de restauração, entrega um caderninho, um manual de uso do prédio ao proprietário do edifício. Aqui, como a obra é pequena, acredito que também podemos treinar uma pessoa indicada pelo proprietário sobre como limpar um piso de madeira, um piso de ladrilho hidraúlico, os altares e o que mais for preciso.

Texto e fotos: Yara Lopes
compartilhar-com-amigos-gdretweet1

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Trabalho transparente

Imagem

Djalma Gomes, desde de 2011 auditor da Cdurp, diz que a modelagem econômica da empresa agregou conhecimento.

Muita gente não conhece a complexidade que envolve uma empresa pública. A estrutura da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Rio de Janeiro (Cdurp) é ainda mais complexa, porque a instituição trabalha na articulação de órgãos públicos e privados para a implantação da operação urbana Porto Maravilha. A Revista da Controladoria Geral do Município publicou recentemente entrevista com o auditor interno da Cdurp. O papo com Djalma Gomes Filgueira esclarece diversos pontos, e o Blog Porto Maravilha obteve autorização para republicá-lo aqui.

Contador formado pela Faculdade Moraes Junior, Djalma Gomes Filgueira atua na Prefeitura do Rio de Janeiro desde 1982. Em 1993, tornou-se contador concursado da Controladoria Geral do Município (CGM), lotado na Auditoria Geral. Foi auditor interno na Riotur, Comlurb e Instituto Pereira Passos (IPP), chegando ao cargo de auditor geral. Atuou na Secretaria Municipal de Habitação e foi também diretor de Administração e Finanças da Empresa Municipal de Informática – IplanRio. Desde 2011, é o auditor interno da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro – Cdurp.

Como foi a experiência de trabalhar pela primeira vez com contratação por meio da Parceria Público-Privada (PPP)?

Aprendemos muito durante o acompanhamento de todo o processo. Proporcionou-nos familiarização com esse tipo de contratação, já que foi a primeira realizada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, apesar de a lei que regulamenta ser do ano de 2004 (Lei nº10.079/2004). Foi também a maior PPP no Brasil (R$ 8 bilhões) com uma modelagem financeira pioneira no País. Tudo isto nos dá uma boa noção da magnitude da operação. O estudo e o entendimento da legislação aplicável nos deu a possibilidade de agregar valor ao conhecimento.

Como o controle interno analisou a execução dos serviços de revitalização da área do Porto Maravilha?

Nossa análise foi no período de um mês e restringiu-se a verificar a conformidade na execução dos serviços contratados para fase inicial, limitando-se à identificação e seleção dos serviços a ser prestados, passíveis de inspeção física, na fase inicial de implementação da concessão, tais como: exploração da malha viária, manutenção e conservação de rotina e gestão de resíduos sólidos.

A exploração da malha viária abrange que serviços?

Monitoramento de tráfego, comunicação e transmissão de dados, bem como segurança e conforto ao usuário. A fase inicial compreende a adequação de todos os serviços a ser implantados mediante identificação e padronização de procedimentos, assim como treinamento do pessoal envolvido. É necessário também a implantação de um canal de comunicação com os usuários à medida que as áreas passam por intervenções e até a entrega de cada área reurbanizada conforme projeto.

Como auditor, o senhor acompanha obras e serviços nos 5 milhões de metros quadrados da Área de Especial Interesse Urbanístico (Aeiu) da Região Portuária do Rio. Elas estão dentro do cronograma, da previsão orçamentária e em sintonia com as regras de sustentabilidade e respeito ao patrimônio cultural?

Neste trabalho foi possível ver na prática, in loco, aquilo que estava descrito nos documentos de formalização da contratação – Termo de Referência, Edital, Edital do Leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), dentre outros – por exemplo. A percepção do universo contratado (cerca de 5 milhões de metros quadrados) ficou muito mais clara. Verificou-se a necessidade de um acompanhamento mais cauteloso, considerando que as atividades são muito dinâmicas. Uma não conformidade verificada num dia pode não se apresentar no dia seguinte e vice-versa. Há muitos atores envolvidos no universo auditável (moradores, pequenos e grandes comerciantes, transeuntes, turistas etc.) interferindo nas atividades desenvolvidas pela contratada que devem ser considerados antes de se emitir uma opinião quanto ao desempenho daquela, requerendo atenção especial no desenvolvimento da auditoria.

Não obstante, os apontamentos efetuados no presente trabalho em aproximadamente três meses de iniciados os serviços, ressaltamos que foi possível observar melhoria na iluminação e limpeza da região, mais especificamente no entorno da Rodoviária Novo Rio, Avenida Brasil (dentro da área da concessão) e Avenida Francisco Bicalho.

A Cdurp é responsável pela emissão e controle financeiro dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). A expectativa era atrair para a região cerca de R$2,6 bilhões, dinheiro arrecadado com a venda dos Cepacs. Isto está ocorrendo?

Na verdade, a expectativa foi superada, pois os Cepacs foram vendidos ao preço de R$ 545,00 cada, quando o valor inicial de R$ 400,00, ou seja, entre o seu lançamento pela Prefeitura do Rio e o leilão de venda, houve uma valorização de aproximadamente 36%. Com isso o valor arrecadado foi da ordem de R$ 3,5 bilhões.

Como avalia as etapas do projeto já cumpridas?

O projeto é muito grande, a área a ser revitalizada gira em torno de 5 milhões de metros quadrados e tem dois momentos: um já realizado pela própria Prefeitura, que investiu cerca de R$ 300 milhões na área; e o outro que compreende a maior parte será com a PPP. Esta última, no momento de nosso trabalho ainda não havia etapa definitivamente concluída. Poderíamos, por exemplo, dizer que para se começar uma obra pelo menos o projeto já deva estar pronto. Entretanto, na revitalização do Porto temos um projeto macro, e dentro dele vários outros que vão sendo desenvolvidos à medida que a obra vai avançando.

Assim, canteiros de obras são abertos, sondagens de terrenos para desenvolvimento de projetos construtivos continuam em elaboração, ou seja, a obra está ainda no início e tudo acontece ao mesmo tempo. Como são 5 anos de obras, os resultados só começam a aparecer após algum tempo.

Na sua visão de auditor, como avalia a articulação do poder público com os demais órgãos públicos e privados?

Pelo que observo na empresa, essa articulação é constante, quase que “24 horas por dia”. Vemos os colaboradores da empresa da área de negócios até o presidente em reuniões constantes para a solução de problemas. Diríamos que eles têm uma agenda muito pesada, sempre com o objetivo de dar celeridade à execução do projeto para que o cronograma da execução não seja prejudicado e comprometa a conclusão da obra no tempo esperado.

1 comentário

Arquivado em Uncategorized