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Negócios fortes

Para incentivar o fortalecimento dos empreendimentos da Região Portuária, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) lançaram no dia 10 de abril edital para seleção de 100 negócios populares locais que passarão a contar com apoio e consultoria  gratuita. O processo é desenvolvido em parceria com a Incubadora de Empreendimentos Populares, parte da Incubadora Afro Brasileira que atua na área há 7 anos. Até agora, 206 pessoas ou instituições se inscreveram. Os interessados têm até a próxima sexta-feira, dia 10 de maio, para se candidatar à vaga. Podem participar empreendimentos das áreas de comércio, serviço e indústria. O Blog Porto Maravilha visitou a incubadora e conversou com o diretor-executivo, Giovanni Harvey e a gerente Paula Janaina. Eles detalharam as etapas do processo de seleção, os planos de negócio e executivo projetados para um ano de trabalho conjunto.

Paula e Giovanni recebem inscrições até 10 de maio

Paula e Giovanni recebem inscrições até 10 de maio

A iniciativa é resultado do convênio entre Cdurp e Sebrae para atendimento ao micro e pequeno empreendedor da Região Portuária. Como surgiu a parceria com a Incubadora Afro Brasileira?

Giovanni – Nossa sede fica na Região Portuária e, por isso, estamos familiarizados com a área. O Sebrae acreditou na experiência que temos, resultado de trabalhos anteriores, e nos convidou a atuar em parceria. Decidimos que para esse edital seria mais adequado usar a marca da Incubadora de Empreendimentos Populares. Ela tem a mesma metodologia da incubadora Afro Brasileira, só que aplicada ao desenvolvimento local. Com o objetivo de desenvolver negócios na região, uma incubadora focada em território é mais apropriada. Apesar de a área ter uma matiz africana importante, não poderíamos restringir à marca da Afro.

No dia a dia, quais são os clientes atendidos por vocês?

Giovanni – Não transformamos ninguém em empreendedor. Oferecemos a quem já é formação em gestão, consultoria, assistência logística e assistência técnica. A incubadora não é um curso. Isso seria reduzir a preparação das pessoas ao ambiente empresarial. Contemplamos com formação e criação de plano de negócios. Analisamos empreendimento, clientela, produto, expectativas e como agregar valor ao produto. Não cobramos nada porque nosso público não está acostumado a pagar por esse tipo de serviço. Infelizmente, isso ainda não é visto como uma política pública, como deveria ser.

Com serviços oferecidos gratuitamente, como a instituição consegue se manter?

Giovanni – Nós nos mantemos com a ajuda de colaboradores. Quem nos deu o primeiro apoio foi a Inter American Foundation. Depois, enviamos projeto para a Petrobras e fomos contemplados. Estamos inclusos no Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania. Agora, também temos a Cdurp e o Sebrae como parceiros. Assim, abrimos editais e impulsionamos novos negócios.

A região atrai cada vez mais investidores. Quem é mais indicado a participar?

Paula – O edital é voltado ao desenvolvimento da Região Portuária, parte de convênio entre Sebrae/RJ e Cdurp. Não aceitamos incubar por esse edital empreendedores de outros territórios. Queremos garantir a permanência e desenvolvimento dos que já estão aqui. Estamos voltados a empreendimentos comerciais e de serviços. Mas é bom lembrar que ao falar em serviços estão inclusas manifestações culturais e entretenimento.

Qual é o critério de avaliação e seleção?

Giovanni – O processo seletivo será em quatro etapas. A inscrição é a primeira. Podemos receber documentação até três vezes o número de vagas disponíveis. Depois, chamamos os candidatos para a entrevista social, momento em que conhecemos de verdade cada negócio, sabemos dos detalhes, tudo o que não fica explícito na ficha de inscrição. A terceira etapa é a dinâmica de grupo. Por último, temos a análise do negócio. A metodologia funciona bem. A incubadora já selecionou em editais anteriores mais de 1.500 empreendimentos.

O pacote de serviços de apoio e consultoria tem duração de um ano. O que os empreendedores vão encontrar durante o período?

Paula – Nós nos reuniremos com o empreendedor uma vez por semana, por um período de quatro horas para construir o plano de negócios. Formar isso faz parte da pré-incubação. Significa colocar no papel as características do empreendimento. Eles não precisam montar tudo de uma vez, o processo é de construção em sete módulos. Paralelamente, damos consultoria especializada. É possível marcar horário e trazer, por exemplo, questões que não estão funcionando para nosso analista ajudar na solução. Tudo em conjunto e observando as peculiaridades de cada um. No início, as turmas de 25 pessoas são compostas seguindo diretrizes pedagógicas para criar uma multiplicidade. Depois disso, no plano executivo, são organizados por setor.

Giovanni explica como criar um plano de negócios

Giovanni explica como criar um plano de negócios

Vocês já trabalham na área e conhecem a realidade . Qual é a importância do edital?

Giovanni – A região está crescendo, e os empreendimentos locais precisam se adaptar à nova realidade. A estratégia é fortalecer esses negócios para que eles não desapareçam com as transformações. É certo que devemos preservá-los, mas não de maneira paternalista. Precisam ser dotados de ferramentas que os tornem competitivos. Os novos visitantes, atraídos por grandes equipamentos, como o Museu de Arte do Rio, estão muitas vezes acostumados com um padrão de qualidade alto. Precisamos oferecer esse padrão aqui. Sabemos que nem todo mundo pode ter um negócio, mas é ainda mais difícil conseguir sem acesso à informação.

Paula – O que as pessoas daqui precisam é de apoio. Eles não tinham acesso a esse tipo de serviço e, agora, já enxergam a importância dele. É muito gratificante ver um empreendedor que antes não se enxergava como tal chegar a um lugar e falar de seu negócio entendendo o espaço que ocupa na economia.

Após o período de consultoria, o que vocês esperam?  

Giovanni – Aumento da qualidade dos produtos e serviços oferecidos e da produtividade. Melhor posicionamento do produto e, consequentemente, aumento da competitividade. Isso significa produzir mais, com menos esforço e mais qualidade. Assim, as empresas poderão concorrer em condições mais favoráveis com as que são atraídas pela revitalização.

Texto e fotos: Yara Lopes

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