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Novas formas de fazer Arte

Com apenas dois meses e com média de 2 mil visitantes por dia, o Museu de Arte do Rio (MAR) confirma papel de vanguarda na história da cidade, não só pelo seu importante e diversificado conteúdo expositivo, mas por uma movimentada rotina de palestras, cursos, oficinas, seminários e atividades. Com programação disposta a aliar arte, cidade e educação, a agenda para os próximos meses será extensa, mantendo o ritmo desde a inauguração, confirma Luiz Fernando de Almeida, diretor-executivo do museu em bate-papo com o Blog Porto Maravilha.

Luiz Fernando de Almeida aponta a importância do MAR para o ensino

Luiz Fernando de Almeida aponta a importância do MAR para o ensino

O Museu de Arte do Rio inaugurou no dia 1º de março. Qual é o balanço de dois meses de portas abertas?

Tudo faz parte do processo de consolidação do museu no circuito cultural da cidade. Com dois meses de funcionamento, registramos marca de 2 mil visitantes por dia, cerca de 100 mil em dois meses. Mas isso são apenas números e não mostram nossa essência. Trabalhamos para que o MAR se torne local de encontro, troca de experiências e informações.

O MAR não se restringe às exposições, mas mantém programação voltada ao público em geral e meio acadêmico…

Existe uma visão muito antiquada de museus, como se fossem apenas espaços de exposições e apreciação de obras de arte. Esses espaços têm importante missão social, não só de guarda de acervo, mas de promoção da educação. Na experiência do Museu de Arte do Rio, oferecemos a proposta completa. Colecionamos, expomos e discutimos. Por isso, temos a Escola do Olhar como ação social, no intuito de ajudar na Rede de Ensino Público.

Na Oficina Morrinho, visitantes do museu participaram da construção da maquete

Na Oficina Morrinho, visitantes do museu participaram da construção da maquete

De que maneira o Museu divide espaço com a Rede Pública de Ensino?

Neste sábado, 11 de maio, vamos iniciar o curso de formação para professores “Rio, Uma Cidade em Construção” com o objetivo de mostrar aos educadores como aliar nossas exposições ao conteúdo disciplinar das escolas. Na nossa proposta, a visita ao museu deixa de ser atividade extracurricular, e as exposições passam a ilustrar e servir como reflexão sobre o conteúdo das aulas. Preparamos um material pedagógico especial para mostrar como esses dois mundos podem dialogar e ajudar o educador a construir uma ponte entre as disciplinas e o museu.

Quais são os próximos passos do MAR no campo didático?

Temos o projeto MAR na Academia. Nele, estabelecemos ligação com a estrutura de educação das universidades e tornamos o museu espaço para discussões sobre formação e fundamentos das artes com as próprias exposições. Vamos começar com “Histórias de Fantasmas para Gente Grande”, uma série de conferências com Georges Didi-Huberman. Seguimos com o simpósio internacional “Imagens, Sintomas, Anacronismos” de Arno Gisinger e Georges Didi-Huberman e publicação de livros de Aby Warbug, Philippe-Alain Michaud e Didi-Huberman.  Estamos produzindo também eventos abertos à população. No segundo semestre, vamos abrir dois cursos livres, “História da Cidade” e “História da Arte”, e o programa “Pensamento e Debate”, de reflexões sobre as exposições em cartaz.

Como o MAR trabalha com os outros equipamentos culturais da Região Portuária?

Nosso papel é o de ajudar e apoiar movimentos culturais genuínos da região. Somos mais um espaço de difusão de cultura e aprendizado. Temos relação de igualdade com as dinâmicas culturais que existem no Porto.

Quais são as expectativas do convívio com o novo Museu do Amanhã, em construção no Píer Mauá?

Será instigante conviver com um museu de tecnologia. Já temos a expectativa de interação muito grande por conta de nossa proximidade. Os dois são espaços culturais, marcos da revitalização da Região Portuária. O pensamento conservador sobre um museu é o de trabalhar com o passado, e o Museu do Amanhã é exatamente o oposto. Esta nova proposta e parceria têm tudo para dar certo.

Texto: Mariana Aimée / Fotos: Mariana Aimée e divulgação.

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Festa Com o Domínio de Jorge lança ComDomínio Cultural

Manifestações culturais de diferentes grupos movimentaram a Praça da Harmonia, Gamboa, no Dia de São Jorge, 23 de abril. A festa “Com o Domínio de Jorge” marcou o lançamento do ComDomínio Cultural da Região Portuária do Rio de Janeiro. Para o coletivo, que iniciou com 23 integrantes, a nova dinâmica da região atraiu mais produtores culturais interessados em espaços para criação e exposição de seus trabalhos. O Blog Porto Maravilha conversou com Lígia Veiga, diretora da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, uma das signatárias. O grupo nasceu em São Paulo há 32 anos e veio para o Rio há seis. Seus espetáculos de rua chamam atenção pela presença de artistas em pernas de pau. Com sede na Rua Pedro Ernesto 21,  oferece oficinas de dança nas alturas, costura e estandartes. Lígia conta que, a partir de agora, o ComDomínio vai promover uma festa todo mês em um espaço público da região com a participação de todos os integrantes do coletivo.

Roda de capoeira com Mestre Graúna foi uma das atrações da festa

Roda de capoeira com Mestre Graúna foi uma das atrações da festa

Como surgiu a ideia de formar o ComDomínio?

Queríamos criar uma rede para garantir políticas públicas e fortalecer nossas atividades na região. Entramos em contato com a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) para mostrar nosso plano de trabalho conjunto e montar um calendário anual de eventos. A ideia foi bem recebida e incentivada. Afinal, é mais fácil dialogar e formar parcerias com um coletivo bem organizado. Começamos a trabalhar no fim do ano passado. Lançar o ComDomínio no dia de São Jorge tem grande significado.

Hoje participam 23 signatários. Quem organizou o grupo?

Começamos com a reunião de amigos do Afoxé Filhos de Gandhi, Bloco Escravos da Mauá, Casa Amarela, Centro Cultural Ação e da Cidadania, Feira de Artes Porto do Rio em Harmonia, Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos, Instituto FIM e nós, da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades. Depois chamamos pessoas com trabalhos semelhantes.  São propostas diferentes, mas temos em comum o amor à arte e a vontade de fazer uma coisa boa na Região Portuária.

A partir de agora, quem responde pelo ComDomínio?

Não somos uma empresa e nem queremos ser. Nós nos organizamos de maneira horizontal. Qualquer um de nós pode responder às questões que aparecerem, e elas serão levadas ao conhecimento dos outros em reunião. Toda semana nos reunimos para conversar, planejar e acertar detalhes.

Cortejo Triunfo de São Jorge atraiu espectadores  do MAR à Praça da Harmonia

Cortejo Triunfo de São Jorge atraiu espectadores do MAR à Praça da Harmonia

Por que foi relevante para vocês formarem um coletivo?

Acredito que todos os participantes sabiam da necessidade desse instrumento, do grupo. Trabalho com teatro e enxergo a força da coletividade. De alguma forma, um precisa do outro. Pode ser com apoio, espaço físico ou ideias. No dia 25 de julho de 2012, fizemos uma festa com música, dança e apresentação do espetáculo “O Dia Fora do Tempo”. Foi uma prévia do que estava por vir. Com o tempo, nós nos unimos e levamos a ideia para a frente de verdade, “oficializamos” esse projeto.

Como foi a reação dos moradores ao evento?

As ruas ficaram muito movimentadas, e as pessoas se envolveram. Os bares e restaurantes estavam cheios. Rodamos panfletos e cartazes nas gráficas da vizinhança. Queremos que o dinheiro circule por aqui. No caso da Cia de Mystérios, quando apresentávamos nossas peças nas ruas, poucos moradores vinham. Esse movimento tem crescido e hoje a participação é bem maior.

Quais atrações o público pôde curtir no dia do lançamento?

Iniciamos em um cortejo lindo, com todos os condôminos e a presença de muitos moradores. Saímos do MAR às 10h, passamos pela Rua Sacadura Cabral e nos concentramos na Praça da Harmonia. Depois do Caldo de Pinto do Instituto Pretos Novos, a programação foi intensa até o fim do dia: Saga de Jorge com a Companhia de Mystérios, Roda de Capoeira com o Mestre Graúna, Tambor de Crioula com as Mariocas, Vozes do Cais com o Coletivo Utensílios Domésticos, Conexão Carioca de Rodas na Rua e Roda de Samba com os Teimosos da Gamboa… Bonito e muito emocionante.

O ComDomínio promoverá um evento com os 23 integrantes todo mês

O ComDomínio promoverá um evento com  participação dos 23 integrantes todo mês

Como coletivo cultural, que atividades o grupo pretende desenvolver?

Todo mês promoveremos um evento com a participação dos condôminos. O modelo é parecido com o do dia do lançamento. Podemos ter peças teatrais, rodas de samba e de capoeira, exposições e oficinas. Estaremos todos conectados e ajudando nos eventos de cada um. Em maio, teremos a segunda edição da festa. Disponibilizaremos a programação completa em breve. Já é certo que contemplará datas importantes, como Festa Junina e Dia de Todos os Santos.

Para você, que tipo debenefícios a criação do ComDomínio trará aos moradores?

A união entre grupos locais e poder público mostra a vontade de garantir a cultura da e para a população. A reurbanização da região é necessária justamente nesses moldes, com diálogo e respeito ao que já existe aqui. O patrimônio imaterial desse lugar nos impulsionou. Queremos acolher, na Praça da Harmonia, todas as manifestações culturais que existem há anos aqui. E isso é para todos. Gosto de fazer teatro de rua porque qualquer pessoa pode assistir. É uma atividade que marca a vida de alguém, que transforma. Sou do lema “quanto mais arte, melhor”.

Texto: Yara Lopes

Fotos: Nicole Freeman Fotografia / www.nicolefreeman.net

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