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No interior da Igreja de São Francisco

Devotos de São Francisco que tiveram fé agora comemoram o início da obra de restauro de uma das igrejas mais antigas do Brasil. A Igreja de São Francisco da Prainha, fechada desde 2004 pela Defesa Civil por problemas de conservação, deverá ficar pronta dentro de oito meses e será entregue à população nos moldes da construção original de 1696. O prédio pertence à Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como monumento artístico.

O Blog do Porto Maravilha visitou o canteiro da obra que começou em setembro e conversou com equipe da Construtora Biapó, contratada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) para executar o restauro. Walter Vilhena Valio, consultor, Bartira Bahia, arquiteta, Sandro Cunha de Oliveira, coordenador da equipe operacional, e Thathiane Heloise de Moraes, arquiteta, explicaram que a restauração manterá as características originais do patrimônio.

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Os tapumes para proteção da área e do entorno já foram instalados

É muito comum confundir uma reforma de uma restauração. O que difere esses dois processos?

 Bartira: A reforma não tem critérios históricos. Já a restauração é guiada por leis internacionais, chamadas de Cartas, que são publicadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A Carta de Atenas, de 1933, é a primeira delas.

O restauro vai manter as características originais da construção? Como esse processo será desenvolvido?

Walter: O restauro da Igreja de São Francisco da Prainha vai manter as características originais de como a conhecemos hoje. Normalmente os projetos de restauro contemplam diversos estudos de como é a edificação, a história, estilo, materiais e alterações ao longo da vida, os danos e suas causas. Com este conjunto de informações, é possível diagnosticar o estado de conservação e deterioração de cada parte e de cada tipo de material que constituem o imóvel.  Da análise desses dados, elabora-se o projeto de restauração, com desenhos e especificações.  Com o projeto pronto, para cada tipo de material ou serviço empregam-se técnicas e procedimentos compatíveis com os materiais existentes e com as técnicas empregadas na execução original. Assim, fazemos as restaurações das argamassas, dos frisos e adornos em gesso e dos forros em estuque. As tintas para as pinturas também são compatíveis com os materiais das argamassas, normalmente tintas a base de silicatos.

A ordem de início das obras foi no dia 5 de setembro. Quais são as ações iniciais?

Bartira: As ações iniciais são focadas em atividades internas e externas à igreja. Internamente, limpamos os pisos da igreja e higienizamos e catalogamos diversos objetos de propriedade da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. Esses objetos devem ser retirados e entregues ao proprietário na próxima semana e são caracterizados por mesas, bancos, um quadro, armários, confessionário, órgão musical, livros litúrgicos e documentos em papel. Após a retirada desses objetos, os pisos internos serão protegidos. Externamente, faremos a execução de tapumes ao redor do monumento e na Rua Sacadura Cabral. Também temos planejado o registro fotográfico de fachadas e interiores de casas vizinhas à igreja. O registro tem sido uma ação conjunta da Biapó com a equipe de responsabilidade social da Concessionária Porto Novo.

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Foi necessário escoramento emergencial

Durante os oito meses de obra, quais serão as etapas até a conclusão?

Thatiane: Após a ordem de início e mobilização da equipe, começamos alguns serviços preliminares como proteção dos pisos de ladrilho hidráulico, instalação de tapume de telha galvanizada e tela metálica, que garantirá proteções da área do entorno e da obra, e permeabilidade visual dos transeuntes. Depois desta etapa, daremos início às demolições e retiradas de argamassas de emboço e reboco danificadas, assim como pinturas, remoção de revestimentos comprometidos e não contemplados em projeto, remoção de barrotes, forros e estruturas de madeira danificados do telhado, inclusive telhas. Iniciamos a obra propriamente dita com o escoramento da parede lateral esquerda. Paralelamente, está prevista a execução de uma cobertura provisória. Parte do telhado caiu, e a Igreja vem sofrendo danos provocados pela ação do tempo e intempéries. Com a cobertura provisória e escoramento executados, daremos início aos trabalhos de recuperação dos telhados, alvenarias e revestimentos das fachadas externas e internas, como a recuperação da alvenaria escorada, argamassas de emboço e reboco danificadas, remoção de pintura comprometida, restauração de ornamentos, inclusive ornamentos internos em estuque, acabamentos de pisos e paredes em geral: mármore, cerâmica, madeira, pedra, ladrilho hidráulico entre outros. Instalações elétricas, telefônicas, hidrossanitárias e de combate a incêndio também estão previstos. Por fim, a recuperação das escadas e esquadrias de madeira e metal. O prazo previsto de obras é de 8 meses.

Com história tão antiga e diversas peculiaridades, qual é a maior dificuldade nessa restauração?

Walter: Não temos uma maior ou menor dificuldade nesta obra de restauração. Todos os locais que deverão ser restaurados requerem atenções especiais. Remover só as argamassas de revestimentos que estão degradadas, por exemplo, envolve uma atenção de verificação se a argamassa ao lado está boa e devidamente aderida ao suporte. No caso da alvenaria de pedra das paredes, ao removermos uma área de argamassa, pode aparecer uma fissura na alvenaria, exigindo a verificação do motivo da fissura e restauração dessa área também.

Em um processo de restauração, como o da igreja, os profissionais envolvidos são responsáveis por que funções?

Walter: As obras de restauração costumam ter profissionais em todos os níveis, mas organizamos o quadro de acordo com nosso objetivo. A estrutura básica consiste de um arquiteto residente e um mestre obras que coordena encarregados de cada tipo de serviço, por exemplo, alvenaria, marcenaria, pintura, ou o restaurador dos bens integrados. Cada especialidade tem seus respectivos profissionais, todos eles com anos de experiência em obras de restauro, além dos auxiliares que vão obtendo conhecimento com a prática e depois passam por pequenos cursos teóricos e específicos e seminários internos para melhorar a qualificação. Temos ainda pelo menos mais um arquiteto ou engenheiro civil para fazer a consultoria arquitetônica e estrutural, um técnico em segurança do trabalho, um administrador que cuida da documentação da obra, das compras e dos recursos humanos, um almoxarife e os seguranças e vigias noturnos.

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No início do processo, os objetos da igreja são higienizados e catalogados

Após as obras, o que deve ser feito para manter a igreja em bom estado de conservação?

Sandro: A Biapó, ao fim dos serviços de restauração, entrega um caderninho, um manual de uso do prédio ao proprietário do edifício. Aqui, como a obra é pequena, acredito que também podemos treinar uma pessoa indicada pelo proprietário sobre como limpar um piso de madeira, um piso de ladrilho hidraúlico, os altares e o que mais for preciso.

Texto e fotos: Yara Lopes
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Entenda o negócio

Há dois anos, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) administrado pela Caixa Econômica Federal arrematava em lote único todos os Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) da operação urbana Porto Maravilha.  A  venda garantiu o início das obras e serviços na Região Portuária por um período de 15 anos. A engenharia financeira não utiliza orçamento do Município do Rio e deu origem à maior Parceria Público-Privada do País. Hoje, com o visível crescimento do setor imobiliário na área, o arremate foi excelente investimento para o FGTS. A conclusão é do gerente Nacional de Fundos Imobiliários da Caixa Econômica Federal, Vitor Hugo Pinto. Em bate-papo com o Blog Porto Maravilha, o executivo esclarece o papel do fundo de garantia no sucesso do Porto Maravilha e explica de forma clara para experts e leigos como funcionam as operações financeiras que envolvem os novos empreendimentos.

Vitor Hugo Pinto, gerente Nacional de Fundos Imobiliários da Caixa

Vitor Hugo Pinto, gerente Nacional de Fundos Imobiliários da Caixa

O FGTS, conta dos trabalhadores formada por depósitos mensais feitos pelos empregadores, é o primeiro investidor dos Cepacs. Muita gente diz que é dinheiro público, embora não seja, porque trata-se de conta administrada por organizações representativas de trabalhadores, empregadores e governo. Qual é o valor desta conta hoje e em que projetos o fundo investe? Valeu a pena?

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi criado em 1967 pelo Governo Federal para proteger o trabalhador demitido sem justa causa. É constituído de contas vinculadas abertas em nome de cada trabalhador. O saldo é formado pelos depósitos mensais do empregador equivalentes a 8% do salário pago ao empregado, que é atualizado mensalmente. Hoje, estimamos o patrimônio do fundo de garantia em R$ 300 bilhões. Esse dinheiro tem que ser rentabilizado para que os contribuintes possam utilizá-lo em diversos momentos de sua vida [aposentadoria, compra da casa própria, retirada em caso de inatividade da conta ou de necessidade de retirada em casa de doença, dentre outros]. Por isso, aplicamos em diversos setores. Por exemplo, a Caixa Econômica é o principal financiador de desenvolvimento imobiliário do País. O banco tem papel importante no apoio a construtoras na edificação de empreendimentos residenciais. Nós subsidiamos o programa  Minha casa, Minha vida. Financiamos pessoas físicas para compra de unidades residenciais e programas de saneamento básico em todo o País. Ou seja, o FGTS tem o que chamamos de “patrimônio líquido”, uma espécie de superávit. Quanto maior o fundo, mais podemos financiar e mais retorno teremos.

Além deste investimento no Porto Maravilha, o FGTS também investe em infraestrutura, na construção de rodovias, portos, hidrovias, ferrovias, obras de energia e de saneamento. É uma grande responsabilidade lidar com esse dinheiro. Os Cepacs foram comprados por R$ 3.508.013.490. E o fundo se compromete a pagar a operação urbana Porto Maravilha por 15 anos, em orçamento de R$ 8 bilhões. De que maneira a Caixa pode garantir que vai rentabilizar esse dinheiro?

O valor nominal de todo estoque de Cepac foi R$ 3,5 bilhões, isso deu um valor inicial de R$ 545 por unidade. O que esperamos é a valorização dos custos, algo que já está acontecendo. Hoje, a unidade do Cepac está valendo mais do que o dobro do que compramos. O que temos no caso do Porto é um ciclo virtuoso. Financiaremos a operação urbana e rentabilizaremos o Fundo. Investimos na revitalização e depois colhemos os frutos.  Não fazemos doação de dinheiro, mas investimento, trabalhando para o retorno e lucro. Nosso modelo de gestão tem o objetivo de rentabilizar o montante desse dinheiro, que é privado, de todos os contribuintes do FGTS.

Empreendimento Porto Atlântico consume mais de 160 mil Cepacs

Empreendimento Porto Atlântico consume mais de 160 mil Cepacs

Hoje, os fundos de investimento imobiliário têm papel fundamental na economia. Qual é o papel do Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha (FIIPM)?

O FIIPM é um veículo de investimentos criado pela Caixa Econômica Federal com recursos do FGTS para participar e investir no processo de revitalização da Região Portuária do Rio de Janeiro. O FIIPM comprou todos os Cepacs em leilão por R$ 3.508.013. Dois anos depois, já temos pré-comercializados cerca de um quarto do estoque de Cepacs.

Como funciona essa negociação? Poderia citar exemplos de empreendimentos já negociados que consomem Cepacs?

No Pátio da Marítima, fechamos parceria com a Tishman Speyer. Outro exemplo é o Porto Atlântico, empreendimento da Odebrecht muito bem sucedido nas vendas; e o Trump Towers Rio, consórcio de investidores estrangeiros.  Todos consomem Cepacs. A Caixa vende o Cepac e os terrenos na Região Portuária ao investidor. O Cepac é exigido segundo o volume de área construída do novo empreendimento. Mas a instituição também trabalha com permuta.

Como funciona esse mecanismo?

A permuta funciona com a troca de um artigo por outro. Nós ainda não monetizamos [ato de transformar bens, metais, títulos, fatos, informações e acontecimentos em dinheiro ] os Cepacs, não o transformamos em dinheiro, mas em outro artigo, como área construída. Acreditamos no desenvolvimento imobiliário da Região e apostamos nela. Na permuta, adquirimos o futuro do Porto, ou seja, parte dos empreendimentos. E trabalhamos com certa flexibilidade. A permuta é uma boa opção também para os incorporadores, pois eles não precisam desembolsar no primeiro momento. Este tem se mostrado o mecanismo mais viável. Nas vendas, usamos mecanismos como o financiamento ou Joint Ventures (parcerias). Tudo em função da facilidade do investimento e do retorno para o FGTS.

Como a Caixa avalia o desenvolvimento imobiliário na Região do Porto?

Prevemos a valorização dos imóveis no Porto. Acreditamos que, no futuro, poderemos comparar a região à Zona Sul. Teremos aqui outro padrão de construção, mais moderno, em área próxima ao Centro e com opções de lazer. Outros bairros do Rio estão supervalorizados e saturados. O Porto é a nova opção para o investidor e para os cariocas.

Texto: Mariana Aimée. / Fotos: Divulgação.

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Trabalho transparente

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Djalma Gomes, desde de 2011 auditor da Cdurp, diz que a modelagem econômica da empresa agregou conhecimento.

Muita gente não conhece a complexidade que envolve uma empresa pública. A estrutura da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Rio de Janeiro (Cdurp) é ainda mais complexa, porque a instituição trabalha na articulação de órgãos públicos e privados para a implantação da operação urbana Porto Maravilha. A Revista da Controladoria Geral do Município publicou recentemente entrevista com o auditor interno da Cdurp. O papo com Djalma Gomes Filgueira esclarece diversos pontos, e o Blog Porto Maravilha obteve autorização para republicá-lo aqui.

Contador formado pela Faculdade Moraes Junior, Djalma Gomes Filgueira atua na Prefeitura do Rio de Janeiro desde 1982. Em 1993, tornou-se contador concursado da Controladoria Geral do Município (CGM), lotado na Auditoria Geral. Foi auditor interno na Riotur, Comlurb e Instituto Pereira Passos (IPP), chegando ao cargo de auditor geral. Atuou na Secretaria Municipal de Habitação e foi também diretor de Administração e Finanças da Empresa Municipal de Informática – IplanRio. Desde 2011, é o auditor interno da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro – Cdurp.

Como foi a experiência de trabalhar pela primeira vez com contratação por meio da Parceria Público-Privada (PPP)?

Aprendemos muito durante o acompanhamento de todo o processo. Proporcionou-nos familiarização com esse tipo de contratação, já que foi a primeira realizada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, apesar de a lei que regulamenta ser do ano de 2004 (Lei nº10.079/2004). Foi também a maior PPP no Brasil (R$ 8 bilhões) com uma modelagem financeira pioneira no País. Tudo isto nos dá uma boa noção da magnitude da operação. O estudo e o entendimento da legislação aplicável nos deu a possibilidade de agregar valor ao conhecimento.

Como o controle interno analisou a execução dos serviços de revitalização da área do Porto Maravilha?

Nossa análise foi no período de um mês e restringiu-se a verificar a conformidade na execução dos serviços contratados para fase inicial, limitando-se à identificação e seleção dos serviços a ser prestados, passíveis de inspeção física, na fase inicial de implementação da concessão, tais como: exploração da malha viária, manutenção e conservação de rotina e gestão de resíduos sólidos.

A exploração da malha viária abrange que serviços?

Monitoramento de tráfego, comunicação e transmissão de dados, bem como segurança e conforto ao usuário. A fase inicial compreende a adequação de todos os serviços a ser implantados mediante identificação e padronização de procedimentos, assim como treinamento do pessoal envolvido. É necessário também a implantação de um canal de comunicação com os usuários à medida que as áreas passam por intervenções e até a entrega de cada área reurbanizada conforme projeto.

Como auditor, o senhor acompanha obras e serviços nos 5 milhões de metros quadrados da Área de Especial Interesse Urbanístico (Aeiu) da Região Portuária do Rio. Elas estão dentro do cronograma, da previsão orçamentária e em sintonia com as regras de sustentabilidade e respeito ao patrimônio cultural?

Neste trabalho foi possível ver na prática, in loco, aquilo que estava descrito nos documentos de formalização da contratação – Termo de Referência, Edital, Edital do Leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), dentre outros – por exemplo. A percepção do universo contratado (cerca de 5 milhões de metros quadrados) ficou muito mais clara. Verificou-se a necessidade de um acompanhamento mais cauteloso, considerando que as atividades são muito dinâmicas. Uma não conformidade verificada num dia pode não se apresentar no dia seguinte e vice-versa. Há muitos atores envolvidos no universo auditável (moradores, pequenos e grandes comerciantes, transeuntes, turistas etc.) interferindo nas atividades desenvolvidas pela contratada que devem ser considerados antes de se emitir uma opinião quanto ao desempenho daquela, requerendo atenção especial no desenvolvimento da auditoria.

Não obstante, os apontamentos efetuados no presente trabalho em aproximadamente três meses de iniciados os serviços, ressaltamos que foi possível observar melhoria na iluminação e limpeza da região, mais especificamente no entorno da Rodoviária Novo Rio, Avenida Brasil (dentro da área da concessão) e Avenida Francisco Bicalho.

A Cdurp é responsável pela emissão e controle financeiro dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). A expectativa era atrair para a região cerca de R$2,6 bilhões, dinheiro arrecadado com a venda dos Cepacs. Isto está ocorrendo?

Na verdade, a expectativa foi superada, pois os Cepacs foram vendidos ao preço de R$ 545,00 cada, quando o valor inicial de R$ 400,00, ou seja, entre o seu lançamento pela Prefeitura do Rio e o leilão de venda, houve uma valorização de aproximadamente 36%. Com isso o valor arrecadado foi da ordem de R$ 3,5 bilhões.

Como avalia as etapas do projeto já cumpridas?

O projeto é muito grande, a área a ser revitalizada gira em torno de 5 milhões de metros quadrados e tem dois momentos: um já realizado pela própria Prefeitura, que investiu cerca de R$ 300 milhões na área; e o outro que compreende a maior parte será com a PPP. Esta última, no momento de nosso trabalho ainda não havia etapa definitivamente concluída. Poderíamos, por exemplo, dizer que para se começar uma obra pelo menos o projeto já deva estar pronto. Entretanto, na revitalização do Porto temos um projeto macro, e dentro dele vários outros que vão sendo desenvolvidos à medida que a obra vai avançando.

Assim, canteiros de obras são abertos, sondagens de terrenos para desenvolvimento de projetos construtivos continuam em elaboração, ou seja, a obra está ainda no início e tudo acontece ao mesmo tempo. Como são 5 anos de obras, os resultados só começam a aparecer após algum tempo.

Na sua visão de auditor, como avalia a articulação do poder público com os demais órgãos públicos e privados?

Pelo que observo na empresa, essa articulação é constante, quase que “24 horas por dia”. Vemos os colaboradores da empresa da área de negócios até o presidente em reuniões constantes para a solução de problemas. Diríamos que eles têm uma agenda muito pesada, sempre com o objetivo de dar celeridade à execução do projeto para que o cronograma da execução não seja prejudicado e comprometa a conclusão da obra no tempo esperado.

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Novas formas de fazer Arte

Com apenas dois meses e com média de 2 mil visitantes por dia, o Museu de Arte do Rio (MAR) confirma papel de vanguarda na história da cidade, não só pelo seu importante e diversificado conteúdo expositivo, mas por uma movimentada rotina de palestras, cursos, oficinas, seminários e atividades. Com programação disposta a aliar arte, cidade e educação, a agenda para os próximos meses será extensa, mantendo o ritmo desde a inauguração, confirma Luiz Fernando de Almeida, diretor-executivo do museu em bate-papo com o Blog Porto Maravilha.

Luiz Fernando de Almeida aponta a importância do MAR para o ensino

Luiz Fernando de Almeida aponta a importância do MAR para o ensino

O Museu de Arte do Rio inaugurou no dia 1º de março. Qual é o balanço de dois meses de portas abertas?

Tudo faz parte do processo de consolidação do museu no circuito cultural da cidade. Com dois meses de funcionamento, registramos marca de 2 mil visitantes por dia, cerca de 100 mil em dois meses. Mas isso são apenas números e não mostram nossa essência. Trabalhamos para que o MAR se torne local de encontro, troca de experiências e informações.

O MAR não se restringe às exposições, mas mantém programação voltada ao público em geral e meio acadêmico…

Existe uma visão muito antiquada de museus, como se fossem apenas espaços de exposições e apreciação de obras de arte. Esses espaços têm importante missão social, não só de guarda de acervo, mas de promoção da educação. Na experiência do Museu de Arte do Rio, oferecemos a proposta completa. Colecionamos, expomos e discutimos. Por isso, temos a Escola do Olhar como ação social, no intuito de ajudar na Rede de Ensino Público.

Na Oficina Morrinho, visitantes do museu participaram da construção da maquete

Na Oficina Morrinho, visitantes do museu participaram da construção da maquete

De que maneira o Museu divide espaço com a Rede Pública de Ensino?

Neste sábado, 11 de maio, vamos iniciar o curso de formação para professores “Rio, Uma Cidade em Construção” com o objetivo de mostrar aos educadores como aliar nossas exposições ao conteúdo disciplinar das escolas. Na nossa proposta, a visita ao museu deixa de ser atividade extracurricular, e as exposições passam a ilustrar e servir como reflexão sobre o conteúdo das aulas. Preparamos um material pedagógico especial para mostrar como esses dois mundos podem dialogar e ajudar o educador a construir uma ponte entre as disciplinas e o museu.

Quais são os próximos passos do MAR no campo didático?

Temos o projeto MAR na Academia. Nele, estabelecemos ligação com a estrutura de educação das universidades e tornamos o museu espaço para discussões sobre formação e fundamentos das artes com as próprias exposições. Vamos começar com “Histórias de Fantasmas para Gente Grande”, uma série de conferências com Georges Didi-Huberman. Seguimos com o simpósio internacional “Imagens, Sintomas, Anacronismos” de Arno Gisinger e Georges Didi-Huberman e publicação de livros de Aby Warbug, Philippe-Alain Michaud e Didi-Huberman.  Estamos produzindo também eventos abertos à população. No segundo semestre, vamos abrir dois cursos livres, “História da Cidade” e “História da Arte”, e o programa “Pensamento e Debate”, de reflexões sobre as exposições em cartaz.

Como o MAR trabalha com os outros equipamentos culturais da Região Portuária?

Nosso papel é o de ajudar e apoiar movimentos culturais genuínos da região. Somos mais um espaço de difusão de cultura e aprendizado. Temos relação de igualdade com as dinâmicas culturais que existem no Porto.

Quais são as expectativas do convívio com o novo Museu do Amanhã, em construção no Píer Mauá?

Será instigante conviver com um museu de tecnologia. Já temos a expectativa de interação muito grande por conta de nossa proximidade. Os dois são espaços culturais, marcos da revitalização da Região Portuária. O pensamento conservador sobre um museu é o de trabalhar com o passado, e o Museu do Amanhã é exatamente o oposto. Esta nova proposta e parceria têm tudo para dar certo.

Texto: Mariana Aimée / Fotos: Mariana Aimée e divulgação.

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Negócios fortes

Para incentivar o fortalecimento dos empreendimentos da Região Portuária, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) lançaram no dia 10 de abril edital para seleção de 100 negócios populares locais que passarão a contar com apoio e consultoria  gratuita. O processo é desenvolvido em parceria com a Incubadora de Empreendimentos Populares, parte da Incubadora Afro Brasileira que atua na área há 7 anos. Até agora, 206 pessoas ou instituições se inscreveram. Os interessados têm até a próxima sexta-feira, dia 10 de maio, para se candidatar à vaga. Podem participar empreendimentos das áreas de comércio, serviço e indústria. O Blog Porto Maravilha visitou a incubadora e conversou com o diretor-executivo, Giovanni Harvey e a gerente Paula Janaina. Eles detalharam as etapas do processo de seleção, os planos de negócio e executivo projetados para um ano de trabalho conjunto.

Paula e Giovanni recebem inscrições até 10 de maio

Paula e Giovanni recebem inscrições até 10 de maio

A iniciativa é resultado do convênio entre Cdurp e Sebrae para atendimento ao micro e pequeno empreendedor da Região Portuária. Como surgiu a parceria com a Incubadora Afro Brasileira?

Giovanni – Nossa sede fica na Região Portuária e, por isso, estamos familiarizados com a área. O Sebrae acreditou na experiência que temos, resultado de trabalhos anteriores, e nos convidou a atuar em parceria. Decidimos que para esse edital seria mais adequado usar a marca da Incubadora de Empreendimentos Populares. Ela tem a mesma metodologia da incubadora Afro Brasileira, só que aplicada ao desenvolvimento local. Com o objetivo de desenvolver negócios na região, uma incubadora focada em território é mais apropriada. Apesar de a área ter uma matiz africana importante, não poderíamos restringir à marca da Afro.

No dia a dia, quais são os clientes atendidos por vocês?

Giovanni – Não transformamos ninguém em empreendedor. Oferecemos a quem já é formação em gestão, consultoria, assistência logística e assistência técnica. A incubadora não é um curso. Isso seria reduzir a preparação das pessoas ao ambiente empresarial. Contemplamos com formação e criação de plano de negócios. Analisamos empreendimento, clientela, produto, expectativas e como agregar valor ao produto. Não cobramos nada porque nosso público não está acostumado a pagar por esse tipo de serviço. Infelizmente, isso ainda não é visto como uma política pública, como deveria ser.

Com serviços oferecidos gratuitamente, como a instituição consegue se manter?

Giovanni – Nós nos mantemos com a ajuda de colaboradores. Quem nos deu o primeiro apoio foi a Inter American Foundation. Depois, enviamos projeto para a Petrobras e fomos contemplados. Estamos inclusos no Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania. Agora, também temos a Cdurp e o Sebrae como parceiros. Assim, abrimos editais e impulsionamos novos negócios.

A região atrai cada vez mais investidores. Quem é mais indicado a participar?

Paula – O edital é voltado ao desenvolvimento da Região Portuária, parte de convênio entre Sebrae/RJ e Cdurp. Não aceitamos incubar por esse edital empreendedores de outros territórios. Queremos garantir a permanência e desenvolvimento dos que já estão aqui. Estamos voltados a empreendimentos comerciais e de serviços. Mas é bom lembrar que ao falar em serviços estão inclusas manifestações culturais e entretenimento.

Qual é o critério de avaliação e seleção?

Giovanni – O processo seletivo será em quatro etapas. A inscrição é a primeira. Podemos receber documentação até três vezes o número de vagas disponíveis. Depois, chamamos os candidatos para a entrevista social, momento em que conhecemos de verdade cada negócio, sabemos dos detalhes, tudo o que não fica explícito na ficha de inscrição. A terceira etapa é a dinâmica de grupo. Por último, temos a análise do negócio. A metodologia funciona bem. A incubadora já selecionou em editais anteriores mais de 1.500 empreendimentos.

O pacote de serviços de apoio e consultoria tem duração de um ano. O que os empreendedores vão encontrar durante o período?

Paula – Nós nos reuniremos com o empreendedor uma vez por semana, por um período de quatro horas para construir o plano de negócios. Formar isso faz parte da pré-incubação. Significa colocar no papel as características do empreendimento. Eles não precisam montar tudo de uma vez, o processo é de construção em sete módulos. Paralelamente, damos consultoria especializada. É possível marcar horário e trazer, por exemplo, questões que não estão funcionando para nosso analista ajudar na solução. Tudo em conjunto e observando as peculiaridades de cada um. No início, as turmas de 25 pessoas são compostas seguindo diretrizes pedagógicas para criar uma multiplicidade. Depois disso, no plano executivo, são organizados por setor.

Giovanni explica como criar um plano de negócios

Giovanni explica como criar um plano de negócios

Vocês já trabalham na área e conhecem a realidade . Qual é a importância do edital?

Giovanni – A região está crescendo, e os empreendimentos locais precisam se adaptar à nova realidade. A estratégia é fortalecer esses negócios para que eles não desapareçam com as transformações. É certo que devemos preservá-los, mas não de maneira paternalista. Precisam ser dotados de ferramentas que os tornem competitivos. Os novos visitantes, atraídos por grandes equipamentos, como o Museu de Arte do Rio, estão muitas vezes acostumados com um padrão de qualidade alto. Precisamos oferecer esse padrão aqui. Sabemos que nem todo mundo pode ter um negócio, mas é ainda mais difícil conseguir sem acesso à informação.

Paula – O que as pessoas daqui precisam é de apoio. Eles não tinham acesso a esse tipo de serviço e, agora, já enxergam a importância dele. É muito gratificante ver um empreendedor que antes não se enxergava como tal chegar a um lugar e falar de seu negócio entendendo o espaço que ocupa na economia.

Após o período de consultoria, o que vocês esperam?  

Giovanni – Aumento da qualidade dos produtos e serviços oferecidos e da produtividade. Melhor posicionamento do produto e, consequentemente, aumento da competitividade. Isso significa produzir mais, com menos esforço e mais qualidade. Assim, as empresas poderão concorrer em condições mais favoráveis com as que são atraídas pela revitalização.

Texto e fotos: Yara Lopes

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Festa Com o Domínio de Jorge lança ComDomínio Cultural

Manifestações culturais de diferentes grupos movimentaram a Praça da Harmonia, Gamboa, no Dia de São Jorge, 23 de abril. A festa “Com o Domínio de Jorge” marcou o lançamento do ComDomínio Cultural da Região Portuária do Rio de Janeiro. Para o coletivo, que iniciou com 23 integrantes, a nova dinâmica da região atraiu mais produtores culturais interessados em espaços para criação e exposição de seus trabalhos. O Blog Porto Maravilha conversou com Lígia Veiga, diretora da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, uma das signatárias. O grupo nasceu em São Paulo há 32 anos e veio para o Rio há seis. Seus espetáculos de rua chamam atenção pela presença de artistas em pernas de pau. Com sede na Rua Pedro Ernesto 21,  oferece oficinas de dança nas alturas, costura e estandartes. Lígia conta que, a partir de agora, o ComDomínio vai promover uma festa todo mês em um espaço público da região com a participação de todos os integrantes do coletivo.

Roda de capoeira com Mestre Graúna foi uma das atrações da festa

Roda de capoeira com Mestre Graúna foi uma das atrações da festa

Como surgiu a ideia de formar o ComDomínio?

Queríamos criar uma rede para garantir políticas públicas e fortalecer nossas atividades na região. Entramos em contato com a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) para mostrar nosso plano de trabalho conjunto e montar um calendário anual de eventos. A ideia foi bem recebida e incentivada. Afinal, é mais fácil dialogar e formar parcerias com um coletivo bem organizado. Começamos a trabalhar no fim do ano passado. Lançar o ComDomínio no dia de São Jorge tem grande significado.

Hoje participam 23 signatários. Quem organizou o grupo?

Começamos com a reunião de amigos do Afoxé Filhos de Gandhi, Bloco Escravos da Mauá, Casa Amarela, Centro Cultural Ação e da Cidadania, Feira de Artes Porto do Rio em Harmonia, Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos, Instituto FIM e nós, da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades. Depois chamamos pessoas com trabalhos semelhantes.  São propostas diferentes, mas temos em comum o amor à arte e a vontade de fazer uma coisa boa na Região Portuária.

A partir de agora, quem responde pelo ComDomínio?

Não somos uma empresa e nem queremos ser. Nós nos organizamos de maneira horizontal. Qualquer um de nós pode responder às questões que aparecerem, e elas serão levadas ao conhecimento dos outros em reunião. Toda semana nos reunimos para conversar, planejar e acertar detalhes.

Cortejo Triunfo de São Jorge atraiu espectadores  do MAR à Praça da Harmonia

Cortejo Triunfo de São Jorge atraiu espectadores do MAR à Praça da Harmonia

Por que foi relevante para vocês formarem um coletivo?

Acredito que todos os participantes sabiam da necessidade desse instrumento, do grupo. Trabalho com teatro e enxergo a força da coletividade. De alguma forma, um precisa do outro. Pode ser com apoio, espaço físico ou ideias. No dia 25 de julho de 2012, fizemos uma festa com música, dança e apresentação do espetáculo “O Dia Fora do Tempo”. Foi uma prévia do que estava por vir. Com o tempo, nós nos unimos e levamos a ideia para a frente de verdade, “oficializamos” esse projeto.

Como foi a reação dos moradores ao evento?

As ruas ficaram muito movimentadas, e as pessoas se envolveram. Os bares e restaurantes estavam cheios. Rodamos panfletos e cartazes nas gráficas da vizinhança. Queremos que o dinheiro circule por aqui. No caso da Cia de Mystérios, quando apresentávamos nossas peças nas ruas, poucos moradores vinham. Esse movimento tem crescido e hoje a participação é bem maior.

Quais atrações o público pôde curtir no dia do lançamento?

Iniciamos em um cortejo lindo, com todos os condôminos e a presença de muitos moradores. Saímos do MAR às 10h, passamos pela Rua Sacadura Cabral e nos concentramos na Praça da Harmonia. Depois do Caldo de Pinto do Instituto Pretos Novos, a programação foi intensa até o fim do dia: Saga de Jorge com a Companhia de Mystérios, Roda de Capoeira com o Mestre Graúna, Tambor de Crioula com as Mariocas, Vozes do Cais com o Coletivo Utensílios Domésticos, Conexão Carioca de Rodas na Rua e Roda de Samba com os Teimosos da Gamboa… Bonito e muito emocionante.

O ComDomínio promoverá um evento com os 23 integrantes todo mês

O ComDomínio promoverá um evento com  participação dos 23 integrantes todo mês

Como coletivo cultural, que atividades o grupo pretende desenvolver?

Todo mês promoveremos um evento com a participação dos condôminos. O modelo é parecido com o do dia do lançamento. Podemos ter peças teatrais, rodas de samba e de capoeira, exposições e oficinas. Estaremos todos conectados e ajudando nos eventos de cada um. Em maio, teremos a segunda edição da festa. Disponibilizaremos a programação completa em breve. Já é certo que contemplará datas importantes, como Festa Junina e Dia de Todos os Santos.

Para você, que tipo debenefícios a criação do ComDomínio trará aos moradores?

A união entre grupos locais e poder público mostra a vontade de garantir a cultura da e para a população. A reurbanização da região é necessária justamente nesses moldes, com diálogo e respeito ao que já existe aqui. O patrimônio imaterial desse lugar nos impulsionou. Queremos acolher, na Praça da Harmonia, todas as manifestações culturais que existem há anos aqui. E isso é para todos. Gosto de fazer teatro de rua porque qualquer pessoa pode assistir. É uma atividade que marca a vida de alguém, que transforma. Sou do lema “quanto mais arte, melhor”.

Texto: Yara Lopes

Fotos: Nicole Freeman Fotografia / www.nicolefreeman.net

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Porto em romance

A decadência das fazendas cafeeiras de Vassouras, interior do Rio de Janeiro, faz com que o jovem Isaltino Gomes busque na capital oportunidade de emprego. Assim começa “Atrás do Porto, uma Cidade”, romance de Marcelo Schwob que conta histórias e curiosidades sob o ponto de vista dos habitantes da Região Portuária do início do século XX. Em vez de lançar um livro de pesquisa, o autor inova e faz do romance uma oportunidade de lembrar grandes figuras históricas e do mundo literário. Em entrevista ao Blog Porto Maravilha, Schwob fala de sua ligação com a Zona Portuária, tema de seu projeto atual, bairro em que estudou e trabalha há 33 anos. O lançamento do livro será amanhã, 12 de abril, às 12h, no encontro Sextas Culturais promovido pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), à Avenida Venezuela 82, Saúde.

A riqueza de história e da cultura da Região Portuária despertou o interesse do autor Marcelo Schwob

A riqueza de história e da cultura da Região Portuária despertou o interesse do autor Marcelo Schwob

Qual é a história de seu livro?

O livro é um romance histórico ambientado no início do século XX. São as lembranças do negro Isaltino Gomes que, por conta da decadência dos cafezais, vem para a capital em busca de oportunidade. Ele relembra sua vida e fala sobre parentes e amigos que frequentaram a região. No livro, Isaltino conta também a história do INT, que tem 90 anos e é uma das instituições públicas de tecnologia mais antigas do País. A ideia é  abordar o cotidiano de habitantes da cidade e evolução social, destacando grandes figuras, como João do Rio, Lima Barreto, Machado de Assis, , João Candido, o almirante negro e herói nacional líder da Revolta da Chibata, André Rebouças, engenheiro de grande importância que dentre outras coisas projetou o prédio da Ação e Cidadania na Avenida Barão de Tefé…

Durante as pesquisas qual foi a história mais curiosa ou a que mais te chamou atenção?

Uma de minhas bases foi o livro “Religiões do Rio”, do João do Rio. Nele temos as religiões atuantes da época. A Região Portuária ganha destaque como a de maior diversidade religiosa, com a presença de budistas e judeus, por exemplo. Acredito que por ter sido uma área com desenvolvimento isolado da cidade permitiu maior liberdade de expressão aos praticantes de tais religiões. Outro fato interessante é que muitos portugueses também moravam por aqui e eram muito próximos dos negros. Exemplo disso é o registro da presença de portugueses nas rodas de capoeira e ainda a introdução, por eles, da navalha na dança.

Você é formado em engenharia e trabalha no INT. Quando começou a escrever?

Não sei de onde ou como isso surgiu. Trabalho com Engenharia no instituto há 33 anos, mas independentemente disso gosto muito de história e sou curioso sobre a cidade. Comecei a escrever aos 45 anos e hoje estou com 57. Desde então, produzo contos, crônicas e memórias. Lancei sete livros, mas nenhum deles têm editora. Faço tudo por conta própria. Mando imprimir cerca de 100 exemplares e reúno no Restaurante Gracioso (em obras de restauração após incêndio em 2011) na Rua Sacadura Cabral. Chamo parentes e amigos para confraternizar. Se tem demanda, imprimo mais.

O que o motivou em relação ao tema atual, a história da Região Portuária?

Esta região em particular me atrai por conta da riqueza de história e da cultura.  Estudei no Colégio São Bento, na Rua Dom Gerardo, e trabalho há 33 anos no INT, na Avenida Venezuela. Ou seja, fui testemunha das transformações ocorridas na área. O livro se passa entre os anos de 1915 e 1980 e aborda mudanças sob o ponto de vista do cidadão comum do Porto. Busquei informações e inspiração em livros de História, registros e fotos da época, mas, principalmente, no que ouvi de antigos moradores, trabalhadores e pessoas que habitam a região. A maioria dos relatos está presente no livro.

Romance lembra grandes figuras históricas e do mundo literário

Romance lembra grandes figuras históricas e do mundo literário

Mesmo sendo morador de Laranjeiras, passou grande parte da vida na Zona Portuária. E quais são as suas memórias?

Tenho muitas lembranças. No início dos anos 60, quando minha família viajava de férias pegávamos o ônibus para Macaé na Rodoviária Mariano Procópio,  hoje  endereço da Escola do Olhar do Museu de Arte do Rio (MAR). À época, porta de entrada e saída da capital do País, tinha importância muito grande. Não havia quem não passasse por ali, tinha ônibus com destino para todo o Brasil. Outra lembrança de infância é a do cheiro de maçã no ar entre os Armazéns 1 e 3. As frutas chegavam da Argentina e ali eram transportadas em esteiras para carregar os caminhões.

Como a degradação da Região Portuária influenciou a vida da cidade?

Esse movimento de resgate por aqui é muito justo, mas demorou muito. Presenciei o gradativo movimento de abandono da região. Esse processo vem desde a construção da Avenida Presidente Vargas, que isolou a área antes mesmo da Avenida Francisco Bicalho e do Viaduto da Perimetral.  Na minha opinião, houve o isolamento físico do Porto do Rio. Com a expansão da Zona Oeste da cidade, o processo de degradação só aumentou. Mesmo assim, há um fator positivo: acredito que  o distanciamento permitiu a preservação de casarios e prédios antigos. Por isso, faço do livro uma homenagem à área tão rica e de personagens tão importantes.

Quem se interessar pelo livro como pode comprar?

O livro “Atrás do Porto, uma Cidade” estará à venda por R$ 40,00 no Sextas Culturais no INT amanhã. Estão todos convidados para o lançamento. Quem se interessar  pode entrar em contato comigo pelo email marcelo.schwob@gmail.com.

Texto e fotos: Mariana Aimée

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