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Trabalho transparente

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Djalma Gomes, desde de 2011 auditor da Cdurp, diz que a modelagem econômica da empresa agregou conhecimento.

Muita gente não conhece a complexidade que envolve uma empresa pública. A estrutura da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Rio de Janeiro (Cdurp) é ainda mais complexa, porque a instituição trabalha na articulação de órgãos públicos e privados para a implantação da operação urbana Porto Maravilha. A Revista da Controladoria Geral do Município publicou recentemente entrevista com o auditor interno da Cdurp. O papo com Djalma Gomes Filgueira esclarece diversos pontos, e o Blog Porto Maravilha obteve autorização para republicá-lo aqui.

Contador formado pela Faculdade Moraes Junior, Djalma Gomes Filgueira atua na Prefeitura do Rio de Janeiro desde 1982. Em 1993, tornou-se contador concursado da Controladoria Geral do Município (CGM), lotado na Auditoria Geral. Foi auditor interno na Riotur, Comlurb e Instituto Pereira Passos (IPP), chegando ao cargo de auditor geral. Atuou na Secretaria Municipal de Habitação e foi também diretor de Administração e Finanças da Empresa Municipal de Informática – IplanRio. Desde 2011, é o auditor interno da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro – Cdurp.

Como foi a experiência de trabalhar pela primeira vez com contratação por meio da Parceria Público-Privada (PPP)?

Aprendemos muito durante o acompanhamento de todo o processo. Proporcionou-nos familiarização com esse tipo de contratação, já que foi a primeira realizada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, apesar de a lei que regulamenta ser do ano de 2004 (Lei nº10.079/2004). Foi também a maior PPP no Brasil (R$ 8 bilhões) com uma modelagem financeira pioneira no País. Tudo isto nos dá uma boa noção da magnitude da operação. O estudo e o entendimento da legislação aplicável nos deu a possibilidade de agregar valor ao conhecimento.

Como o controle interno analisou a execução dos serviços de revitalização da área do Porto Maravilha?

Nossa análise foi no período de um mês e restringiu-se a verificar a conformidade na execução dos serviços contratados para fase inicial, limitando-se à identificação e seleção dos serviços a ser prestados, passíveis de inspeção física, na fase inicial de implementação da concessão, tais como: exploração da malha viária, manutenção e conservação de rotina e gestão de resíduos sólidos.

A exploração da malha viária abrange que serviços?

Monitoramento de tráfego, comunicação e transmissão de dados, bem como segurança e conforto ao usuário. A fase inicial compreende a adequação de todos os serviços a ser implantados mediante identificação e padronização de procedimentos, assim como treinamento do pessoal envolvido. É necessário também a implantação de um canal de comunicação com os usuários à medida que as áreas passam por intervenções e até a entrega de cada área reurbanizada conforme projeto.

Como auditor, o senhor acompanha obras e serviços nos 5 milhões de metros quadrados da Área de Especial Interesse Urbanístico (Aeiu) da Região Portuária do Rio. Elas estão dentro do cronograma, da previsão orçamentária e em sintonia com as regras de sustentabilidade e respeito ao patrimônio cultural?

Neste trabalho foi possível ver na prática, in loco, aquilo que estava descrito nos documentos de formalização da contratação – Termo de Referência, Edital, Edital do Leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), dentre outros – por exemplo. A percepção do universo contratado (cerca de 5 milhões de metros quadrados) ficou muito mais clara. Verificou-se a necessidade de um acompanhamento mais cauteloso, considerando que as atividades são muito dinâmicas. Uma não conformidade verificada num dia pode não se apresentar no dia seguinte e vice-versa. Há muitos atores envolvidos no universo auditável (moradores, pequenos e grandes comerciantes, transeuntes, turistas etc.) interferindo nas atividades desenvolvidas pela contratada que devem ser considerados antes de se emitir uma opinião quanto ao desempenho daquela, requerendo atenção especial no desenvolvimento da auditoria.

Não obstante, os apontamentos efetuados no presente trabalho em aproximadamente três meses de iniciados os serviços, ressaltamos que foi possível observar melhoria na iluminação e limpeza da região, mais especificamente no entorno da Rodoviária Novo Rio, Avenida Brasil (dentro da área da concessão) e Avenida Francisco Bicalho.

A Cdurp é responsável pela emissão e controle financeiro dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). A expectativa era atrair para a região cerca de R$2,6 bilhões, dinheiro arrecadado com a venda dos Cepacs. Isto está ocorrendo?

Na verdade, a expectativa foi superada, pois os Cepacs foram vendidos ao preço de R$ 545,00 cada, quando o valor inicial de R$ 400,00, ou seja, entre o seu lançamento pela Prefeitura do Rio e o leilão de venda, houve uma valorização de aproximadamente 36%. Com isso o valor arrecadado foi da ordem de R$ 3,5 bilhões.

Como avalia as etapas do projeto já cumpridas?

O projeto é muito grande, a área a ser revitalizada gira em torno de 5 milhões de metros quadrados e tem dois momentos: um já realizado pela própria Prefeitura, que investiu cerca de R$ 300 milhões na área; e o outro que compreende a maior parte será com a PPP. Esta última, no momento de nosso trabalho ainda não havia etapa definitivamente concluída. Poderíamos, por exemplo, dizer que para se começar uma obra pelo menos o projeto já deva estar pronto. Entretanto, na revitalização do Porto temos um projeto macro, e dentro dele vários outros que vão sendo desenvolvidos à medida que a obra vai avançando.

Assim, canteiros de obras são abertos, sondagens de terrenos para desenvolvimento de projetos construtivos continuam em elaboração, ou seja, a obra está ainda no início e tudo acontece ao mesmo tempo. Como são 5 anos de obras, os resultados só começam a aparecer após algum tempo.

Na sua visão de auditor, como avalia a articulação do poder público com os demais órgãos públicos e privados?

Pelo que observo na empresa, essa articulação é constante, quase que “24 horas por dia”. Vemos os colaboradores da empresa da área de negócios até o presidente em reuniões constantes para a solução de problemas. Diríamos que eles têm uma agenda muito pesada, sempre com o objetivo de dar celeridade à execução do projeto para que o cronograma da execução não seja prejudicado e comprometa a conclusão da obra no tempo esperado.

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Novas formas de fazer Arte

Com apenas dois meses e com média de 2 mil visitantes por dia, o Museu de Arte do Rio (MAR) confirma papel de vanguarda na história da cidade, não só pelo seu importante e diversificado conteúdo expositivo, mas por uma movimentada rotina de palestras, cursos, oficinas, seminários e atividades. Com programação disposta a aliar arte, cidade e educação, a agenda para os próximos meses será extensa, mantendo o ritmo desde a inauguração, confirma Luiz Fernando de Almeida, diretor-executivo do museu em bate-papo com o Blog Porto Maravilha.

Luiz Fernando de Almeida aponta a importância do MAR para o ensino

Luiz Fernando de Almeida aponta a importância do MAR para o ensino

O Museu de Arte do Rio inaugurou no dia 1º de março. Qual é o balanço de dois meses de portas abertas?

Tudo faz parte do processo de consolidação do museu no circuito cultural da cidade. Com dois meses de funcionamento, registramos marca de 2 mil visitantes por dia, cerca de 100 mil em dois meses. Mas isso são apenas números e não mostram nossa essência. Trabalhamos para que o MAR se torne local de encontro, troca de experiências e informações.

O MAR não se restringe às exposições, mas mantém programação voltada ao público em geral e meio acadêmico…

Existe uma visão muito antiquada de museus, como se fossem apenas espaços de exposições e apreciação de obras de arte. Esses espaços têm importante missão social, não só de guarda de acervo, mas de promoção da educação. Na experiência do Museu de Arte do Rio, oferecemos a proposta completa. Colecionamos, expomos e discutimos. Por isso, temos a Escola do Olhar como ação social, no intuito de ajudar na Rede de Ensino Público.

Na Oficina Morrinho, visitantes do museu participaram da construção da maquete

Na Oficina Morrinho, visitantes do museu participaram da construção da maquete

De que maneira o Museu divide espaço com a Rede Pública de Ensino?

Neste sábado, 11 de maio, vamos iniciar o curso de formação para professores “Rio, Uma Cidade em Construção” com o objetivo de mostrar aos educadores como aliar nossas exposições ao conteúdo disciplinar das escolas. Na nossa proposta, a visita ao museu deixa de ser atividade extracurricular, e as exposições passam a ilustrar e servir como reflexão sobre o conteúdo das aulas. Preparamos um material pedagógico especial para mostrar como esses dois mundos podem dialogar e ajudar o educador a construir uma ponte entre as disciplinas e o museu.

Quais são os próximos passos do MAR no campo didático?

Temos o projeto MAR na Academia. Nele, estabelecemos ligação com a estrutura de educação das universidades e tornamos o museu espaço para discussões sobre formação e fundamentos das artes com as próprias exposições. Vamos começar com “Histórias de Fantasmas para Gente Grande”, uma série de conferências com Georges Didi-Huberman. Seguimos com o simpósio internacional “Imagens, Sintomas, Anacronismos” de Arno Gisinger e Georges Didi-Huberman e publicação de livros de Aby Warbug, Philippe-Alain Michaud e Didi-Huberman.  Estamos produzindo também eventos abertos à população. No segundo semestre, vamos abrir dois cursos livres, “História da Cidade” e “História da Arte”, e o programa “Pensamento e Debate”, de reflexões sobre as exposições em cartaz.

Como o MAR trabalha com os outros equipamentos culturais da Região Portuária?

Nosso papel é o de ajudar e apoiar movimentos culturais genuínos da região. Somos mais um espaço de difusão de cultura e aprendizado. Temos relação de igualdade com as dinâmicas culturais que existem no Porto.

Quais são as expectativas do convívio com o novo Museu do Amanhã, em construção no Píer Mauá?

Será instigante conviver com um museu de tecnologia. Já temos a expectativa de interação muito grande por conta de nossa proximidade. Os dois são espaços culturais, marcos da revitalização da Região Portuária. O pensamento conservador sobre um museu é o de trabalhar com o passado, e o Museu do Amanhã é exatamente o oposto. Esta nova proposta e parceria têm tudo para dar certo.

Texto: Mariana Aimée / Fotos: Mariana Aimée e divulgação.

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Porto em romance

A decadência das fazendas cafeeiras de Vassouras, interior do Rio de Janeiro, faz com que o jovem Isaltino Gomes busque na capital oportunidade de emprego. Assim começa “Atrás do Porto, uma Cidade”, romance de Marcelo Schwob que conta histórias e curiosidades sob o ponto de vista dos habitantes da Região Portuária do início do século XX. Em vez de lançar um livro de pesquisa, o autor inova e faz do romance uma oportunidade de lembrar grandes figuras históricas e do mundo literário. Em entrevista ao Blog Porto Maravilha, Schwob fala de sua ligação com a Zona Portuária, tema de seu projeto atual, bairro em que estudou e trabalha há 33 anos. O lançamento do livro será amanhã, 12 de abril, às 12h, no encontro Sextas Culturais promovido pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), à Avenida Venezuela 82, Saúde.

A riqueza de história e da cultura da Região Portuária despertou o interesse do autor Marcelo Schwob

A riqueza de história e da cultura da Região Portuária despertou o interesse do autor Marcelo Schwob

Qual é a história de seu livro?

O livro é um romance histórico ambientado no início do século XX. São as lembranças do negro Isaltino Gomes que, por conta da decadência dos cafezais, vem para a capital em busca de oportunidade. Ele relembra sua vida e fala sobre parentes e amigos que frequentaram a região. No livro, Isaltino conta também a história do INT, que tem 90 anos e é uma das instituições públicas de tecnologia mais antigas do País. A ideia é  abordar o cotidiano de habitantes da cidade e evolução social, destacando grandes figuras, como João do Rio, Lima Barreto, Machado de Assis, , João Candido, o almirante negro e herói nacional líder da Revolta da Chibata, André Rebouças, engenheiro de grande importância que dentre outras coisas projetou o prédio da Ação e Cidadania na Avenida Barão de Tefé…

Durante as pesquisas qual foi a história mais curiosa ou a que mais te chamou atenção?

Uma de minhas bases foi o livro “Religiões do Rio”, do João do Rio. Nele temos as religiões atuantes da época. A Região Portuária ganha destaque como a de maior diversidade religiosa, com a presença de budistas e judeus, por exemplo. Acredito que por ter sido uma área com desenvolvimento isolado da cidade permitiu maior liberdade de expressão aos praticantes de tais religiões. Outro fato interessante é que muitos portugueses também moravam por aqui e eram muito próximos dos negros. Exemplo disso é o registro da presença de portugueses nas rodas de capoeira e ainda a introdução, por eles, da navalha na dança.

Você é formado em engenharia e trabalha no INT. Quando começou a escrever?

Não sei de onde ou como isso surgiu. Trabalho com Engenharia no instituto há 33 anos, mas independentemente disso gosto muito de história e sou curioso sobre a cidade. Comecei a escrever aos 45 anos e hoje estou com 57. Desde então, produzo contos, crônicas e memórias. Lancei sete livros, mas nenhum deles têm editora. Faço tudo por conta própria. Mando imprimir cerca de 100 exemplares e reúno no Restaurante Gracioso (em obras de restauração após incêndio em 2011) na Rua Sacadura Cabral. Chamo parentes e amigos para confraternizar. Se tem demanda, imprimo mais.

O que o motivou em relação ao tema atual, a história da Região Portuária?

Esta região em particular me atrai por conta da riqueza de história e da cultura.  Estudei no Colégio São Bento, na Rua Dom Gerardo, e trabalho há 33 anos no INT, na Avenida Venezuela. Ou seja, fui testemunha das transformações ocorridas na área. O livro se passa entre os anos de 1915 e 1980 e aborda mudanças sob o ponto de vista do cidadão comum do Porto. Busquei informações e inspiração em livros de História, registros e fotos da época, mas, principalmente, no que ouvi de antigos moradores, trabalhadores e pessoas que habitam a região. A maioria dos relatos está presente no livro.

Romance lembra grandes figuras históricas e do mundo literário

Romance lembra grandes figuras históricas e do mundo literário

Mesmo sendo morador de Laranjeiras, passou grande parte da vida na Zona Portuária. E quais são as suas memórias?

Tenho muitas lembranças. No início dos anos 60, quando minha família viajava de férias pegávamos o ônibus para Macaé na Rodoviária Mariano Procópio,  hoje  endereço da Escola do Olhar do Museu de Arte do Rio (MAR). À época, porta de entrada e saída da capital do País, tinha importância muito grande. Não havia quem não passasse por ali, tinha ônibus com destino para todo o Brasil. Outra lembrança de infância é a do cheiro de maçã no ar entre os Armazéns 1 e 3. As frutas chegavam da Argentina e ali eram transportadas em esteiras para carregar os caminhões.

Como a degradação da Região Portuária influenciou a vida da cidade?

Esse movimento de resgate por aqui é muito justo, mas demorou muito. Presenciei o gradativo movimento de abandono da região. Esse processo vem desde a construção da Avenida Presidente Vargas, que isolou a área antes mesmo da Avenida Francisco Bicalho e do Viaduto da Perimetral.  Na minha opinião, houve o isolamento físico do Porto do Rio. Com a expansão da Zona Oeste da cidade, o processo de degradação só aumentou. Mesmo assim, há um fator positivo: acredito que  o distanciamento permitiu a preservação de casarios e prédios antigos. Por isso, faço do livro uma homenagem à área tão rica e de personagens tão importantes.

Quem se interessar pelo livro como pode comprar?

O livro “Atrás do Porto, uma Cidade” estará à venda por R$ 40,00 no Sextas Culturais no INT amanhã. Estão todos convidados para o lançamento. Quem se interessar  pode entrar em contato comigo pelo email marcelo.schwob@gmail.com.

Texto e fotos: Mariana Aimée

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Série Mobilidade Urbana: BRT TransBrasil ligará Deodoro ao Santos Dumont

O novo sistema de mobilidade da Região Portuária vai introduzir novas vias, reestruturar as atuais e ainda prevê integração entre os modais de transportes para aperfeiçoar a circulação e diminuir o número de ônibus e carros na área central.  Em entrevista ao Blog Porto Maravilha, Carlos Roberto Osório, secretário municipal de Transportes que assumiu a pasta em um dos momentos mais “movimentados” da cidade por obras e transformações, detalha como o BRT TransBrasil vai se integrar ao novo sistema de mobilidade urbana em construção pelo Porto Maravilha.

Um dos aliados desta nova concepção de mobilidade, o corredor expresso BRT TransBrasil ligará Deodoro ao Aeroporto Santos Dumont, passando pelas avenidas Presidente Vargas e Francisco Bicalho.  O objetivo do sistema é desafogar o trânsito e diminuir o tempo de viagem ao Centro do Rio. De acordo com Osório, as obras devem começar no primeiro semestre deste ano e vão requerer dose extra de paciência e mudança de comportamento do carioca.

Exemplo de BRT articulado que circula em faixa exclusiva

Exemplo de BRT articulado que circula em faixa exclusiva

De que maneira o BRT TransBrasil vai contribuir para a revitalização da Região Portuária?

O BRT significa a reorganização do sistema de tráfego a partir da redução do número de carros e ônibus convencionais circulando na região. O objetivo do BRT é tornar-se um meio de transporte de alta capacidade. As linhas intermunicipais vindas dos municípios da baixada fluminense serão divididas nos terminais Margaridas e Missões e as linhas municipais serão divididas nestes terminais e no terminal Deodoro, e também ao longo da Av. Brasil junto as estações projetadas no seu eixo. Desta forma a frota de ônibus das linhas intermunicipais e municipais (radiais vindas da Zona Norte pelo eixo da Av. Brasil) que se dirige ao centro será substancialmente reduzida. A redução pode chegar até 1.200 veículos.

As projeções indicam que 900 mil passageiros devem usar o TransBrasil por dia, que será integrado ao Veículo Leve Sobre  Trilhos (VLT). Os dois meios serão a espinha dorsal do transporte da Região Portuária. Com isso, estimulamos o uso do transporte público e desafogamos o tráfego. Consequentemente, reduzimos o número de carros e o tempo de viagem em área tão importante como a do Porto do Rio.

Quando o sistema entra em operação? Qual o custo e o cronograma de obras?

Meio de transporte de alta capacidade, o TransBrasil está orçado em R$ 1,5 bilhão, sendo R$ 1,129 bilhão financiado pelo governo federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento da Mobilidade Urbana (Programa de Aceleração do Crescimento). A previsão é a de que as obras se iniciem este ano, com previsão de conclusão em 30 meses. O corredor terá 32 quilômetros, com quatro terminais, 28 estações e 15 passarelas.

Qual o trajeto do BRT na Região Portuária e Centro?

O BRT Transbrasil seguirá pela Av. Francisco Bicalho, onde se integrará com o VLT do Porto nas estações Gasômetro e Leopoldina. Passa depois pela Av. Presidente Vargas até alcançar a Rua 1º de Março com destino ao Terminal Santos Dumont. No Centro e Região Portuária, o projeto hoje prevê pontos no Gasômetro, Leopoldina, Cidade Nova, Sambódromo, Campo de Santana, Saara, Uruguaiana e Candelária.

Traçado do BRT TransBrasil no Centro e Região Portuária

Traçado do BRT TransBrasil no Centro e Região Portuária

Como o TransBrasil se insere no novo conceito de mobilidade do Porto Maravilha? De que maneira o BRT estimula a população a optar pelos meios coletivos de transporte?

O BRT trabalha com a conexão dos bairros de fora para dentro do centro da cidade. A flexibilidade do projeto permite que a população tenha uma terceira opção para a chegada à área Central. No caso específico da Região Portuária, o TransBrasil atuará com os pontos do VLT, que desempenha papel de distribuição dos passageiros pelos bairros e entorno. Ou seja, o BRT será o meio mais rápido e mais barato de transporte para chegar ao Centro.

O sistema de transporte público da cidade passa por uma série de transformações, especialmente nas regiões Portuária e do Centro. A retirada da Perimetral é marco de uma dessas mudanças urbanas. Como conciliar essas obras e prazos à circulação na área?

Nos próximos anos, a população vai enfrentar transtornos no trânsito. Nosso trabalho é para que os impactos sejam os menores possíveis. Por isso, trabalhamos com a Companhia de Desenvolvimento da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) e com a Concessionária Porto Novo. Mas também é preciso que haja uma mudança de comportamento por parte dos cariocas. Isso significa priorizar o transporte público. Teremos que ter paciência para passar por todas as mudanças.

Texto: Mariana Aimée

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Santo Cristo ganha em cultura, esporte e educação

A requalificação da Rua Pedro Alves, no Santo Cristo, ganhou forte aliado na última semana. O Instituto Carioca de Desenvolvimento (ICD), organização social que oferece atividades culturais, esportivas, educacionais, de qualificação profissional e de inclusão social, inaugurou sede na Região Portuária. Além de calendário próprio de eventos, o instituto apoia manifestações de outros grupos e empresta seu espaço a parceiros. Desde o dia 7 de março, o ICD recebe crianças, jovens e adultos na Rua Pedro Alves 126. Margareth Bastos, presidente do instituto, fala sobre cursos gratuitos de auxiliar administrativo, garçom, teatro e alfabetização de jovens e adultos oferecidos para moradores.

Turma pronta para as aulas de teatro, que acontecem toda terça e quinta-feira

Turma pronta para as aulas de teatro, que acontecem toda terça e quinta-feira

Por que vocês decidiram trazer a organização para a Região Portuária?

Essa é uma área ainda carente de ações sociais. Percebemos a necessidade de atuação com a população daqui. O Porto Maravilha está mudando a Região e, em alguns anos, teremos muitos turistas e visitantes. É importante que os moradores não se sintam excluídos desse processo, estejam preparados para a nova fase.

Com apenas uma semana de funcionamento, quais atividades já são desenvolvidas?

Segundas e quartas-feiras, temos oficina de desenho; terça e quintas-feiras, teatro; sextas, modelo e manequim. Trabalhamos para que não haja conflito com o horário escolar. Por isso, temos dois turnos para cada oficina. Funcionamos de segunda a sexta, das 9h às 18h.

Brinquedoteca recebe crianças que acompanham irmãos mais velhos ou pais

Brinquedoteca recebe crianças que acompanham irmãos mais velhos ou pais

Qualquer pessoa pode participar ou as oficinas são apenas para crianças?

Qualquer morador da Região Portuária pode se inscrever nas oficinas. Tivemos uma procura maior por crianças, mas estamos abertos também para jovens e adultos. A idade mínima é a de 7 anos. Ainda assim, muitos trazem irmãos mais novos, que não tem com quem ficar. Eles acabam participando das aulas, ou brincando na brinquedoteca.

O que mais é oferecido pelo instituto?

Temos parceria com o programa Senac na Comunidade, com dois cursos. Após pesquisa com a própria população, optamos por oferecer formação em auxiliar administrativo e garçom. São 30 vagas por curso, para jovens de 16 a 24 anos. As aulas serão diárias a partir de abril. O Senac tem também um balcão de empregos e o nosso objetivo é colocar no mercado pelo menos metade dos alunos formados. Programamos em breve oferecer aulas de Alfabetização de Jovens e Adultos. Queremos trazer oportunidades para pais e filhos.

Há algum projeto específico para as mulheres?

Percebemos que muitas mulheres trabalham nos barracões de escola de samba ajudando a customizar fantasias. Queremos promover um curso profissionalizante de corte e costura. Elas poderiam, então, aproveitar a demanda do carnaval e trabalhar como costureiras ao longo do ano. Vamos incrementar a biblioteca para que funcione também como videoteca. Hoje, já disponibilizamos vídeos, no computador mesmo, para que as crianças tenham acesso a esse tipo de cultura. Elas ficam mais calmas e atentas.

Como vocês sustentam a instituição?

Recebemos apoios de empresas privadas. Também temos muitos voluntários, como os professores das oficinas e as meninas do administrativo. Mantemos um bazar de bijuterias, roupas e acessórios. Vendemos o que recebemos e o dinheiro é usado para ajudar na manutenção do espaço. Estamos abertos a doações, não só financeira. Aceitamos livros, brinquedos, roupas, móveis e mão-de-obra voluntária.

Bazar, com roupas e acessórios, ajuda a manter a instituição

Bazar, com roupas e acessórios, ajuda a manter a instituição

Já são 43 alunos inscritos. Como vocês divulgam o trabalho?

Vamos às associações de moradores, pregamos cartazes nas kombis, divulgamos no boca a boca. O que mais fizemos até agora, e tem funcionado bem, é o contato com as escolas. Vamos até lá e pedimos para falar do nosso trabalho nas salas de aula. Em seguida, muitas crianças aparecem aqui querendo participar. Para fazer a inscrição, precisam estar acompanhadas do responsável. Queremos que os pais conheçam o que fazemos aqui. Para isso, vamos oferecer um café da manhã no dia 27 de março para apresentar a instituição.

O que já foi possível perceber em uma semana de funcionamento?

É muito bonito ver as crianças crescendo, se desenvolvendo. As meninas da oficina de modelo e manequim já melhoraram a higiene, a postura e o modo de se vestir. No Teatro, vão perdendo a timidez, conseguem falar sem medo para várias pessoas. Queremos trabalhar com as escolas e ver como as nossas atividades ajudam no desenvolvimento em sala de aula.

Texto e fotos: Yara Lopes

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Porto Maravilha instala balcão de informações na Av. Venezuela

Atualmente, as obras do Porto Maravilha totalizam 33 diferentes frentes de trabalho. São intervenções de infraestrutura urbana, no sistema viário e em equipamentos públicos. Para tirar dúvidas e tranquilizar moradores e trabalhadores que passam pelos locais e não sabem o que tem atrás dos tapumes, a Concessionária Porto Novo, contratada pela Prefeitura do Rio para executar obras e prestar serviços na área, passará a atender de segunda a sexta-feira em um balcão de informações na Av. Venezuela. O Blog Porto Maravilha conversou com Claudine Soares, coordenadora de Responsabilidade Social da concessionária, sobre a importância do serviço e a possibilidade de instalação de mais balcões espalhados pela região.

Canteiro de obras da Avenida Venezuela, onde funcionará o primeiro balcão de informações

Canteiro de obras da Av.Venezuela, onde funcionará o primeiro balcão de informações

Qual tipo de informação poderá ser encontrada no balcão?

O objetivo do balcão de informações na Av. Venezuela é esclarecer as principais dúvidas da população do entorno, que são principalmente sobre as detonações para construção dos túneis do Binário e da Via Expressa. As perguntas variam entre os horários, o que é uma detonação, o passo a passo da ação e operação, o porquê das sirenes e as medidas de segurança da obra. Caso o esclarecimento da dúvida vá além das informações que o funcionário sabe, ele anotará a solicitação e os dados do cidadão para retornar com a resposta o mais breve possível. Quem preferir, pode também tirar dúvidas pelo telefone gratuito 0800 880 7678.

A partir de quando o serviço vai funcionar e em que horário?

O balcão será aberto na segunda quinzena de março. Funcionará de segunda a sexta-feira, das 5h às 14h. Não há tempo determinado para o funcionamento. Permaneceremos no local enquanto houver dúvidas e necessidade de informar à população.

Quem pode ir ao balcão tirar dúvidas?

Balcão de Atendimento

Qualquer pessoa que passar pela área, de moradores da região e comerciantes a transeuntes.

Esse é o primeiro posto de atendimento da operação. Como surgiu essa iniciativa?

É importante esclarecer todas as dúvidas da população no entorno da obra. Neste caso, houve uma necessidade de esclarecimento à população nas imediações do Morro da Conceição sobre o processo de detonação para construção da Via Expressa.

Será contratado pessoal especificamente para trabalhar no balcão?

Sim. Um morador do Morro da Conceição foi contratado especialmente para esta finalidade. Ele já conhece os moradores e suas necessidades. Está sendo treinado pela concessionária e é um dos alunos de destaque do curso de auxiliar administrativo, oferecido para a população pela Porto Novo em parceria com a Fundação Roberto Marinho, parte do programa Porto Maravilha Cidadão.

Há expectativa de ampliação do serviço para outros canteiros?

Sim. A Concessionária está estudando a possibilidade de colocar um posto de atendimento nas frentes de obra que influenciarem mais diretamente moradores e comerciantes. Porém, ainda não há definição de qual será o próximo balcão a ser inaugurado.

Qual é a importância dessa iniciativa para a região?

Os principais fatores são transparência e facilidade na comunicação com o público envolvido. Depois, pensamos na valorização da mão-de-obra local e atendimento às demandas locais.

Texto: Yara Lopes

 

 

 

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Evento Porto Brasilis mistura forró e jazz no berço do samba

Preservação histórica, tradição e música de qualidade. Uma boa combinação. Tudo de graça, o que torna a programação mais atraente. No dia 8 de dezembro, a primeira edição do evento musical Porto Brasilis levou forró e jazz à Pedra do Sal e fez sucesso na praça consagrada pelo samba. Morador da Ladeira do Valongo, no Morro da Conceição, o economista Patrick Fontaine, 24 anos, conta que organizou o evento em parceria com o amigo, Érico Rocha, 24, com a intenção de movimentar a área em horário estratégico e levar mais entretenimento aos moradores. O Blog Porto Maravilha conversou com Patrick, que faz planos e promete reeditar o evento uma vez por mês e atrair público para a Região Portuária nos fins de semana.

Patrick, morador da região e idealizador do Porto Brasilis, é pesquisador no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Patrick, morador da região e idealizador do Porto Brasilis, é pesquisador no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Qual foi a inspiração de vocês para criar o nome Porto Brasilis?

Pensamos em três nomes diferentes. Eu queria que tivesse a palavra “porto” e o Érico insistia em algo que remetesse ao Brasil. Porto Brasilis foi o único que uniu essas duas ideias. Resisti um pouco, porque sabia da existência de um prédio na região com o mesmo nome, mas, por fim, percebi que eram públicos diferentes e não seria nenhum problema.

Com tantos lugares no Rio de Janeiro, como você chegou à Região Portuária?

Eu já frequentava essa área há uns cinco anos. Recentemente comprei um apartamento na Ladeira do Valongo. Passar de visitante a morador me ajudou a construir outro olhar, com mais profundidade, mais crítico. Quando cheguei, eu era ignorante em muitos aspectos. Precisei correr atrás pra me informar, pesquisando e conversando com moradores antigos. Hoje, já consigo perceber as carências que temos e tento ajudar no segmento que tenho alguma habilidade.

Quais carências são essas?

Precisamos de mais oferta de serviço. Ainda não temos muitas lojas, e isso atrapalha o dia a dia. Para comprar qualquer coisa temos que ir até o Centro. Agora, acabou de abrir uma filial das Lojas Americanas aqui. Já deu pra perceber a diferença. Os restaurantes não funcionam no fim de semana, então pessoas que, como eu, comem fora, encontram dificuldade na logística. Queremos atividades aqui, mas do jeito certo, com diálogo e participação popular. Algumas coisas já mudaram com o Porto Maravilha. Eu sou a favor do projeto e acho positivo que uma empresa como a Cdurp (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro, empresa da prefeitura responsável pelo Porto Maravilha) exista, principalmente por ela ter vindo para a área do Porto do Rio.

A Pedra do Sal já é um local de forte atividade musical. Por que mais uma?

O local tem história muito rica e importância que deve ser destacada. Segunda e sexta-feira rola roda de samba, enquanto quarta é dia de forró. Mas não havia nenhuma agenda no fim de semana. E o morador dali que deseja fazer alguma coisa nesses dois dias? A nossa intenção é justamente essa, movimentar na hora em que o lugar está mais parado, oferecer opção para quem quer se divertir perto de casa e, claro, atrair gente que mora em outros bairros também. Conseguimos encher a Pedra e provamos que essa história de que a Região Portuária não tem público no fim de semana é mito.

E como o evento é financiado?

Quando tive a ideia, fui falar com o André, sócio do Botequim Bodega do Sal. Ele gostou e resolveu ajudar. A contribuição do bar é essencial para que o Porto Brasilis aconteça, não só pelo financiamento, mas também por toda a logística.

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Na estreia do evento Porto Brasilis, público curtiu forró e jazz na Pedra do Sal

E o que vocês trouxeram de diferente para o fim de semana da região?

A Pedra do Sal é berço do samba, e trouxemos uma pegada diferente dentro da musicalidade brasileira. Trouxemos o Caramuela Forró e o Trio do Sobrado, dois ritmos diferentes que dialogaram bem. Acredito que essa tenha sido a primeira vez que um grupo de jazz se apresenta na pedra e o feedback foi ótimo. O Guga, do Trio do Sobrado, foi importante para que isso fosse para a frente, porque ele gostou da ideia e aceitou a proposta assim que falei com ele. No dia, aconteceu algo interessante, o Morro da Conceição estava celebrando a festa de Nossa Senhora da Conceição e muita gente circulou entre os dois eventos. Já no fim do Porto Brasilis, eu ia chamar o trio para se apresentar mais uma vez quando vi o bloco do Prata Preta, que estava no morro, descendo pela pedra, tocando e cantando. Eles acabaram ficando por lá e fazendo um som. Foi sensacional. Ou seja, em uma noite só conseguimos agregar samba, forró e jazz. Precisa mais?

E agora, quais são os próximos passos?

Vamos dar continuidade. Por enquanto, pretendemos fazer uma edição por mês, ir crescendo aos poucos. Vamos seguir ocupando o porto, um espaço público, com a arte de rua. Facilitar o diálogo entre morro e mar, tradição e modernidade, sax e batuque. Tudo sem custo. Mais para a frente, queremos também organizar um tour a pé para estrangeiros, apresentando a nossa história. Temos muita coisa para contar.

Texto: Yara Lopes / Fotos: Yara Lopes e divulgação

 

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